Home Vídeo: Inimigo Público nº 1 – Parte 2

Por André Azenha (05/02/2010) // Comente

inimigopublicodoiscapaInimigo Público nº 1 – Parte 2 (L’Ennemi Public Nº 1, França / Canadá, 2008). Direção: Jean-François Richet. Roteiro: Abdel Raouf Dafri e Jean-François Richet, baseado em roteiro de Abdel Daouf Dafri. Elenco: Vincent Cassel, Ludivine Sagnier, Mathieu Amalric, Gérard Lanvin, Samuel Le Bihan. Policial / Crime / Biografia. 133 min. (Cor).

O diretor Jean-François Richet (de “Assalto à 13ª DP”, com Ethan Hawke) tentou decifrar a persona de Jacques Mesrine, gângster da França que virou celebridade graças às suas fugas espetaculares de presídios de segurança máxima e à maneira como lidava com a imprensa. A lenda em torno do bandido é grande, principalmente na França e no Canadá, onde cometeu seus maiores “feitos”.

Particularmente, como escrevi na resenha de “Inimigo Público nº 1 – Instinto de Morte”, a primeira parte da cinebiografia de Mesrine, considero sempre duvidosa a opção de produtores e cineastas em fazer esse tipo de “homenagem” a pessoas que só prejudicaram a sociedade. Mas já que o filme foi realizado, é nosso dever analisá-lo.

Se no longa anterior fomos apresentados à origem e aos “motivos” que tornaram Mesrine o que ele foi, na “Parte 2”, Jean-François Richet tenta mostrar o porque do vilão ter sido considerado uma espécie de Robin Hood francês. Pois, como diz a lenda, ele evitava agir com violência.

inimigopublicodois
“Inimigo Público nº 1 – Parte 2” começa praticamente como “Instinto de Morte” iniciou: com cenas da morte de Mesrine, e sofre um flashback que mostra o período em que as ações do gângster ficam mais ousadas, ele se envolve com uma nova amante (a última até o fim de sua vida) e se aproxima de uma ideologia de esquerda radical.

Para compreender o contexto, é preciso ver os dois longas em sequencia. Porém, num todo, o épico falha por não conseguir elucidar o motivo pelo qual ele virou uma obsessão para as autoridades daquele país. Seus crimes hediondos quase são ignorados no roteiro – exceção a um brutal assassinato de um jornalista.

Não fosse uma história real, teríamos um ótimo thriller, já que Richet, vencedor do César (o Oscar francês) de Melhor Diretor por este trabalho, soube rodar boas cenas de ação e criar o clima de tensão necessário nos momentos certos. Mesmo sabendo o destino que aguarda o protagonista, é difícil não ficar grudado na tela durante a sequencia final, quando policiais espreitam Mesrine e sua namorada. Mérito também da montagem correta do longa.

inimigopublicotres
Auxiliado por um roteiro mais enxuto que o texto irregular do primeiro filme (que passou em nossos cinemas, enquanto este foi lançado direto em home vídeo), e contando com a costumeira entrega de Vincent Cassel ao seu personagem, mais um bom elenco coadjuvante (destacando o sempre bacana Mathieu Amalric, de “O Escafrando e a Borboleta” e “007 – Quantum of Solace”, como eventual parceiro do personagem principal), o cineasta, se não conseguiu criar uma obra excelente, comprova que a produção cinematográfica francesa atual é capaz de realizar bons longas que fujam do clichê “filme francês é filme de arte”. Quer conferir? Vá à locadora e procure pelo cult “B13 – Ultimato” ou pelo mafioso “Pacto de Sangue”, com Jean Reno.

PS: O filme também foi vencedor no César das categorias Melhor Ator (para Cassel, também premiado no Lumiére Awards, no Étoile d’Or e no Festival Internacinal de Cinema de Tóquio ) e Melhor Som.

Disponível em DVD e blu-ray.

inimigopublicoquatro

Conteúdo relacionado:

Alice no País das Maravilhas – Divulgados novos pôsteres e imagensO Símbolo Perdido, de Dan Brown, também será transformado em filme

Escreva seu comentário

Campos obrigatórios