Os 10 melhores filmes lançados direto em home vídeo no Brasil em 2009

Por André Azenha (21/12/2009) // 2 comentários

Quem tiver a chance de ler o excelente “O grande filme – Dinheiro e poder em Hollywood” , de Edward Jay Epstein, saberá que atualmente o lançamento de filmes no cinema é o que menos rende dinheiro aos principais estúdios da indústria cinematográfica. O licenciamento das `marcas” originadas desses longas-metragens, mais seus lançamentos em home vídeo, e depois, a exibição na televisão, são os sustentáculos da economia do entretenimento.

O lançamento direto em DVD, ou melhor, em home vídeo, já que agora temos o blu-ray tentando firmar-se no mercado, costuma (ava) ser encarado com grandes suspeitas tanto por parte dos consumidores, como também da mídia especializada. Afinal, se não passou nos cinemas é porque o filme deve ser uma porcaria, certo? Nem sempre.

Em casos de longas como “Justiceiro – Zona de Guerra” ou do quarto “American Pie” em diante, o lançamento direto em DVD realmente aconteceu porque as respectivas obras são verdadeiras “bombas” e porque ninguém  quer jogar fora todo o dinheiro investido nelas.

Por outro lado, vez ou outra um filme ignorado na tele grande pode fazer sucesso na telinha, como ocorreu com o tailandês “Ong Back”, visto por centenas de milhares de pessoas no Brasil.

Existem várias  situações, que por uma série de motivos, levam bons filmes a não passarem nos cinemas. Algumas vezes o distribuidor acha que a trama não vai “pegar” no Brasil, e despacha o filme direto para as lojas. E há os casos de produções feitas especialmente para esse mercado, como várias animações baseadas nas histórias em quadrinhos, que encontram nos lares da sociedade milhões de jovens sedentos para curtirem seus heróis preferidos em versões animadas.

Ou então, o que ocorreu com o ótimo “A Batalha de Seattle”. Por contar com uma trama que toma partido contra as grandes corporações, o longa foi praticamente boicotado e lançado direto em DVD e blu-ray em território nacional.

E talvez o exemplo mais gritante de que nem todo longa-metragem lançado direto em home vídeo é meia-boca seja “Guerra ao Terror”, que saiu direto em DVD por aqui, mas para surpresa geral, vem arrebatando importantes premiações e é grande candidato à finalista do Oscar de Melhor Filme em 2010.

Durante todo o ano, o CineZen publicou resenhas de filmes lançados direto em home vídeo. Afinal, não vamos ignorar aquele público que prefere curtir um bom filme no conforto do lar. Por isso, preparamos uma lista especial com os dez melhores filmes de 2009 lançados direto em DVD. São obras que abrangem vários gêneros. Tem filme de guerra, drama, ação, animação, musical, terror. Pra ter uma ideia do bom nível de produções que rumaram direto para as lojas e locadoras, obras bacanas como “Fireball”, “Ecos do Mal”, “Prazeres Mortais” e “Sexo & Mentiras” estão fora do top 10. Confira a lista e corra para sua locadora mais próxima. E em breve o CineZen publica a eleição dos dez melhores filmes de 2009.

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Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008)

Filme de guerra contido, que se compromete a contar uma parte bem específica de uma história maior e se sai bem justamente por isso. Apesar de ambientado no Iraque e mostrar o dia-a-dia de tropas americanas, não é panfletário, nem sensacionalista ou, pior de tudo, clichê. “Guerra ao Terror” acompanha o cotidiano de um esquadrão antibombas em uma estrutura um tanto diferente e com personagens marcantes. O filme reúne episódios isolados envolvendo o grupo de soldados, posicionando-os no tempo ao informar quantos dias faltam para o retorno deles aos EUA. Com um bom elenco, o longa foi rodado em locações autênticas, passando pela Jordânia e pelo Kuwait. O grande acerto do filme, porém, é não tentar abraçar o mundo com os próprios braços. Trata-se do melhor filme da diretora Kathryn Bigelow (“Caçadores de Emoção”).  Não à toa, apesar de ter sido lançado direto em home vídeo no Brasil, foi premiado como Melhor Filme pelos críticos de Nova York e Los Angeles, é apontado como provável finalista do Oscar. (Por Ricardo Prado)

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A Batalha de Seattle (Battle in Seattle, EUA, 2007)
O ator irlandês Stuart Townsend não escolheu um dos temas mais fáceis para sua estréia como diretor. “A Batalha de Seattle” aborda o período em que a cidade do grunge foi palco de uma das mais incendiárias revoltas políticas já registradas. Em 1999, dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas em protesto contra a Organização Mundial de Comercio (OMC), cujos principais representantes se encontravam em Seattle para um encontro. O que era pra ser um acontecimento pacífico, já que o manifesto não continha gente armada, se transformou numa batalha sangrenta entre civis e a polícia. Escrito pelo próprio diretor, o longa evita estereotipar seus personagens – a situação é verídica, mas as figuras mostradas na trama são criações da mente de Townsend. No fundo, todos são vítimas de uma situação muito maior, causada por anos de corrupção e monopólios. O filme pode até ser acusado de panfletário, mas jamais de covarde e é prato cheio para quem adora cuspir na cara de mega-corporações. E por isso talvez tenha precisado lidar com os dois lados da moeda. Graças à sua abordagem, passou quase em branco nos cinemas. Porém, mesmo sendo um projeto “barato” para os padrões do cinema americano, pôde reunir um excelente time de atores que acreditaram num projeto digno e recomendável. (Por André Azenha)

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Férias Frustradas de Verão (Adventureland, EUA, 2009)
Depois de fazer sucesso com “Superbad – É Hoje”, o diretor Greg Mottola fez um filme aparentemente semelhante, mas que acabou se tornando uma surpresa. “Férias Frustradas de Verão” trata-se de um dos melhores trabalhos de 2009. É um retrato convincente de um grupo de jovens de anseios e vontades desencontradas no final da década de 80, em uma imersão memorável por aquela época. “Superbad” parece ter sido feito por outra pessoa. Durante o verão de 1987, James Brennan (Jesse Eisenberg) quer viajar à Europa, mas seu pai é transferido e passa a ganhar menos, frustrando os planos do rapaz. A nova situação econômica também o impede de ter fundos suficientes para ir a Nova York estudar Jornalismo na Universidade de Columbia. Para dar um jeito nisso, arranja um emprego temporário no parque de diversões Adventureland. Enquanto trabalha em Adventureland, James conhece Emily (Kristen Stewart) com quem cria uma relação conturbada. O filme não hesita em retratar com honestidade os problemas dos jovens, como o conflito com os pais, relacionamentos infrutíferos e frustração por ver seus sonhos se destruírem. Um dos melhores filmes do ano.  (Por Ricardo Prado)

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B13 – Ultimato (Banlieue 13 – Ultimatum, França, 2009)
Continuação de “B13 – 13º Distrito” (2004), escrito e produzido por Luc Besson (“Nikita”), que mistura trama futurista, ritmo de videoclipe e pakour, aquele esporte radical urbano com filosofia de vida e arte marcial, e mostra Paris sem o glamour como geralmente é retratada no cinema. Aqui a capital francesa é caótica, mergulhada em caos e o com seus bairros mais perigosos isolados pelo governo. “B13 – Ultimato” também é escrito e produzido por Besson e eleva os elementos que fizeram o sucesso do anterior. Os personagens Leito (David Belle) e Damien (Cyril Raffaelli) precisam se juntar novamente para acabar com uma conspiração encabeçada por uma tropa de elite da polícia, que pretende “limpar” a cidade luz para depois tomar o poder do país. O longa é uma crítica à intolerância, que tem radicalizado a questão étnica na França, mostrando o que pode acontecer num futuro não tão distante, mas feita com concepção de entretenimento e com pauleira do início ao fim. (Por André Azenha)

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O Massacre no Bairro Chinês (San suk si gin, 2009, Hong Kong)

“O Massacre no Bairro Chinês” mostra uma realidade muito parecida com a dos mexicanos que tentam entrar nos EUA em busca de trabalho. No início dos anos 90, milhares de chineses entraram no Japão clandestinamente com o intuito de levar uma vida digna. Jackie Chan interpreta um desses homens (o papel é fictício), Steelhead, que vai à terra do sol nascente a procura da namorada, de quem não tem notícias há anos. Ao chegar a Tóquio, ele e seus amigos precisam se adaptar aos novos costumes, e enfrentar gangues locais e a perseguição dos agentes da imigração japonesa. A obra é claramente um veículo para o público estrangeiro. A cópia distribuída no Brasil é dublada em inglês e o longa não foi lançado em seu país de origem, dadas suas cenas de violência. Ainda que tenha um roteiro irregular, é um bom drama, que serve para mostrar uma realidade que não conhecemos e traz um Jackie Chan envelhecido, sem os maneirismos e acrobacias, num papel dramático, comprovando sua versatilidade. O título nacional do filme lembra outro filme que mostrava a Yakuza, “O Massacre no Bairro Japonês” (1991), protagonizado por Brandon Lee e Dolph Lundgren. (Por André Azenha)

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Mulher-Maravilha (Wonder Woman, EUA, 2009)
Uma das melhores animações, senão a melhor, realizada pela DC recentemente. Para dar vida à trama, foi escalada uma diretora que já fez episódios dos desenhos animados da Legião de Super-Heróis e do Superman, e um bom elenco para dublar os personagens, destacando Keri Russell (ganhadora do Globo de Ouro pela sua atuação na série de tevê “Felicity”), como a protagonista, e Alfred Molina, que comprova ser ideal para viver vilões ao dar voz ao inimigo Ares (ele já havia interpretado um vilão oriundo das HQs, no segundo filme live action do Homem-Aranha). A trama de origem mistura ação e comédia romântica, mantém a essência do universo da protagonista, inclusive o conflito entre os sexos e depois a superação dessas diferenças, e bastante sensualidade. O roteiro mescla de forma inteligente as diversas fases da personagem nos quadrinhos, desde a Era de Prata, até o celebrado período de reformulação composta por George Pérez, nos anos 80. Excelente edição ainda traz, entre os extras, o documentário “Mulher Maravilha: A Princesa Guerreira”. (Por André Azenha)

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Veia de Lutador (Fighting, EUA, 2009)
Em sua estréia como diretor e roteirista, “Santos e Demônios”, Dito Montiel narrou seu crescimento nas ruas da periferia de Nova York, recebeu elogios da crítica e foi premiado em vários festivais. “Veia de Lutador”, segundo trabalho do cineasta, traz novamente as ruas da metrópole como cenário e um ator que havia sido coadjuvante no filme anterior, Channing Tatum, agora como protagonista. O jovem interpreta Shawn MacArthur, que chega à NY para tentar uns trocados vendendo objetos usados na rua, se envolve numa briga, dá uma surra no adversario e chama a atenção de Harvey Boarden (Terrence Howard), espécie de empresário do circuito clandestino de lutas, que enxerga em Shawn uma oportunidade para fazer bastante dinheiro. Pode parecer que o longa é só mais um com a velha premissa de lutas clandestinas, mas trata-se de um filme digno, que reúne, sim, alguns clichés, mas tem elenco decente e retrata com fidelidade o ambiente das ruas, cortesía da experiencia de vida de Dito Montiel. (Por André Azenha)

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A Última Casa (The Last House on the Left, EUA, 2009)
Refilmagem de “Aniversário Macabro”, clássico do terror de Wes Craven, criador das séries “A Hora do Pesadelo” e “Pânico”. Família decide passar um fim de semana numa casa isolada à beira de um lago para descansar. Mas um telefonema de uma amiga faz a filha adolescente sair. As meninas conhecem um garoto num mercado, vão ao hotel onde ele está hospedado para conseguirem maconha e mal sabem que ele é filho e sobrinho de dois assassinos, que acabam de fugir da polícia com uma mulher, após matarem um dos oficiais. As garotas são violentadas e largadas no meio do mato e, na fuga, os criminosos acabam indo parar… na casa à beira do lago. Apesar de contar com alguns clichês do gênero, o longa segue uma escalada de violência, que faz a família protagonista ser levada ao limite da racionalidade, culminando numa mudança de papéis. Assim como o francês Alexandre Aja conseguiu com “Viagem Maldita” (2006), outro remake de um clássico de Craven (“Quadrilha de Sádicos”, 1977), o diretor grego Dennis Iliadis (Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas), em seu segundo filme criou a atmosfera necessária para manter a atenção do público até o fim. (Por André Azenha)

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Sem Saída (Eden Lake, Reino Unido, 2008)
Casal resolve fazer um acampamento romântico à beira de um lago e acaba num filme de horror. A trama é conhecida desde a cabana às margens do lago Crystal de “Sexta-Feira 13” (1980), mas a variação feita por James Watkins, que antes de estrear como diretor neste filme roteirizou “O Olho Que Tudo Vê” e “A Face Oculta do Mal”, surpreende pela pouca idade dos sociopatas. São adolescentes entediados que perseguem, aterrorizam e tentam mutilar o casal interpretado por Kelly Reilly (“Bonecas Russas” e “Orgulho e Preconceito”) e Michael Fassbender (“300”). Rodado num ritmo de tensão crescente, o enredo explora o suspense até levar o público a desejar vingança contra as crianças, culminando num final chocante e absolutamente inesperado. Não por acaso, Watkins ganhou o prêmio de direção no tradicional Fantasporto e o garoto Thomas Torgoose (um dos vilões) foi lembrado como a Melhor Performance para Um Jovem Ator na eleição dos críticos de cinema de Londres. (Por André Azenha)

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Vítimas da Guerra (In Tranzit, Reino Unido / Rússia, 2008)
Produção que busca um caminho diferente numa época em que é comum filmar a Segunda Guerra e o Holocausto, cujos filmes mostram a vilania dos nazistas e os maus tratos sofridos pelos judeus. “Vítimas da Guerra” se passa após o fim do conflito, quando prisioneiros alemães são levados a um campo de concentração onde os soldados são mulheres soviéticas. E o confronto entre sexos e nacionalidades levanta alguns pontos como o amor impossível entre uma oficial e seu prisioneiro; ou então se é válido buscar vingança, mesmo com o final do conflito bélico. O roteiro beira o melodrama em algumas passagens e o visual é de telefilme (resquício da carreira televisiva do cineasta Tom Roberts), mas o longa é uma boa opção para quem se interessa em obras do gênero, conta com atores expressivos, como a bela Vera Farmiga (“O Menino do Pijama Listrado”) e o experiente John Malkovich. Mas acima de tudo, o filme deixa embutido no espectador o contraste da paisagem gélida do Leste Europeu, e as pessoas que vivem nela, almas sofridas e corações ardentes em busca de redenção e recomeço para suas vidas. (Por André Azenha)

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2 Comentários
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  1. Muito boa essa lista de vocês sobre os lançamentos direto em DVD. Assim como também é bom o trabalho que vocês fazem fazendo critícas de lançamentos nesse formato, pois os sites especializados em filmes parecem ignorar os lançamentos direto em DVD. Mas devo fazer uma observação o filme Honeydripper não foi lançado direto em DVD, ele deu uma passada pelos cinemas, portanto não acho certo que ele esteja nessa lista. Espero ter contribuido de alguma forma.

  2. Olá Mario, obrigado pela observação… realmente o filme teve uma passagem bem rápida nos cinemas brasileiros e com dois anos de atraso em relação ao seu lançamento nos EUA. No lugar dele, colocamos o ótimo “Vítimas da Guerra”, que saiu direto em DVD no mês de junho, pela Califórnia Filmes. O CineZen agradece

    abraços,
    André

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