Comando Vermelho

Por André Azenha (24/11/2009) // Comente

comandovermelhoComando Vermelho (Command Performance, EUA, 2009). Direção: Dolph Lundgren. Roteiro: Steve Latshaw e Dolph Lundgren. Elenco: Dolph Lundgren, Melissa Ann Smith, Hristo Shopov, Dave Legeno. Ação / Thriller. 93 min. (Cor).

Dolph Lundgren é uma figura e tanto. Conseguiu virar estrela de filmes de ação na virada dos anos 80 para os 90 sem um pingo de talento, interpretando He-Man numa produção tosca feita para o cinema e dividindo a tela com outros astros do gênero como Jean-Claude Van Damme, em “Soldado Universal”, e Sylvester Stallone, em “Rocky IV”, quando viveu o pugilista russo Drago. Com o passar do tempo saíram de moda os heróis fortões para darem lugar a heróis “comuns”. Assim, não tardaria para que Lundgren fosse relegado a ator de filmes B.

O êxito de “Rocky Balboa” nos cinemas e de “Rambo IV”, este principalmente em home vídeo, e o ressurgimento de astros grandalhões como Dwayne Johnson, o “The Rock”,  Vin Diesel e Jason Statham, os Stallones e Schwarzeneggeres do novo milênio, Lundgren parece ter se animado para retomar a carreira no primeiro time do cinema internacional. Além de voltar a atuar com, e ser dirigido por Stallone em “Os Mercenários” (estréia marcada na telona para 2010), irá dividir a telinha com Van Damme no terceiro, acreditem, “Soldado Universal” (feito para home vídeo, com lançamento marcado para fevereiro do ano que vem). Só esta série de “novos” trabalhos (ele também deverá estrelar um remake de “Conan”, em 2001) para explicar como o sueco pode sentir-se à vontade para atuar, escrever e dirigir um filme.

“Comando Vermelho” (calma, não é um longa sobre o tráfico carioca), lançado direto em home vídeo no Brasil, foi co-escrito, dirigido e protagonizado por Lundgren.  E curiosamente tem visual contemporâneo, digital, mas uma trama que remete a tantas outras filmadas duas décadas atrás: o cara que, sozinho, derrota uma série de bandidos para salvar algumas pessoas. Entre elas, provavelmente um interesse romântico, e/ou algum político bonzinho. A lista de produções assim é grande. Pra citar alguns, lembremos de “Morte Súbita” (com Van Damme), Rambos II, III e IV , “Duro de Matar” (estrelado por Bruce Willis) e “Homem de Guerra”, protagonizado pelo próprio sueco.

comandotresEm seu novo filme, Lundgren interpreta Joe, baterista de um grupo de rock americano que está na Rússia para fazer o show de abertura da apresentação da maior estrela pop atual. No evento estão presentes o presidente russo e suas filhas. Só que terroristas decidem estragar a noite, matam civis, evacuam o estádio onde os shows acontecem e seqüestram o político. Com o caos instalado, o único apto para salvar todo mundo é… Joe. Obviamente ele se revelará muito mais que um baterista bom de luta e se envolverá com a cantora.

O filme usa e abusa de clichês. Tem a donzela em perigo, o criminoso em busca de vingança, o agente duplo que entra na jogada para ajudar o herói, entre outras situações pitorescas. Se levado a sério, a produção soa como um pastiche de tudo o que foi realizado na década de 80. Uma pena, já que Lundgren demonstra algum tato na direção na cena da troca de tiros, bem realizada, e diverte ao ironizar o universo do entretenimento. Agora, se Lundgren teve a intenção de criar uma paródia dos filmes de ação, saiu-se muito bem. Afinal, é muito mais fácil rir ao assistir “Comando Vermelho”, do que ficar vidrado com a “ação” e o pseudo suspense do filme.

5,5

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