Veia de Lutador

Por André Azenha (16/10/2009) // Comente


veia_de_lutadorVeia de Lutador (Fighting, EUA, 2009). Direção: Dito Montiel. Roteiro: Dito Montiel e Robert Munic. Elenco: Channing Tatum, Terrence Howard, Zulay Renao, Luis Guzmán, Brian J. White. Drama / Ação. 105 min. (Cor).

Em sua estréia como diretor e roteirista, o emocionante “Santos e Demônios”, que reuniu o Homem de Ferro Robert Downey Jr., e Shia LaBeoulf (“Transformers”), Dito Montiel narrou seu crescimento nas ruas da periferia de Nova York, recebeu elogios da crítica e foi premiado no Independent Spirit Awards e festivais importantes como Veneza e Sundance.

“Veia de Lutador”, segundo trabalho do cineasta, traz novamente as ruas da metrópole americana como cenário e um ator que havia sido coadjuvante no filme anterior, Channing Tatum, que recebeu uma chance como protagonista. O jovem interpreta Shawn MacArthur,  que chega à NY para tentar ganhar uns trocados vendendo objetos usados na rua, se envolve numa briga, dá uma surra no adversário e chama a atenção de Harvey Boarden (Terence Howard), espécie de empresário do circuito clandestino de lutas, que enxerga em Shawn uma oportunidade para fazer bastante dinheiro.

A trama de “Veia de Lutador” pode levar a crer que o longa é apenas mais um com a velha premissa de lutas clandestinas, tema que já conferimos outras vezes em filmes como “Leão Branco” (estrelado por Van Damme), “Clube da Luta”, “Quebrando Regras”, “Cinturão Vermelho” (com Rodrigo Santoro e Alice Braga) e “Fireball”, sendo que desses, o único realmente bom é o segundo, protagonizado por Brad Pitt. O título nacional da produção também não ajuda muito, já que lembra muitas fitinhas B de artes marcíais.

Mas dada uma chance a “Veia de Lutador” e encontramos um filme digno, que reúne, sim, varios clichés do gênero, mas possui um elenco decente, e tenta retratar com fidelidade o ambiente das ruas, cortesía da experiencia de vida de Dito Montiel.

veia_de_lutador_3Os personagens não são unidimensionais. Os “mocinhos”, por exemplo, possuem defeitos como qualquer ser humano. Colaboram para essa aproximação com o público “real” as boas interpretações de Channing Tatum, cuja expressão casa perfeitamente com o sujeito marginalizado que tenta levar a vida de forma honesta, mas que pode explodir a qualquer segundo; Terrence Howard, que repete as boas atuações de “Ritmo de um Sonho” e “Crash – No Limite”; e Zulay Renao, desconhecida do grande público, mas que vem sendo utilizada em vários papéis na TV, como na série “Law & Order – Special Victims Unit”. Apenas alguns dos vilões são caricatos, principalmente o lutador vivido por Brian J. White, que tem ligação com o passado do protagonista.

Ao evitar apelar para cenas de luta pirotécnicas, deixando-as um tanto desengonçadas, Montiel realça o ar de verossimilhança da obra, que se não tem o apelo (e o desfecho) dramático de “Santos e Demônios”, comprova a capacidade do cineasta em filmar a vida daqueles que vivem à margem da sociedade.

7,0

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