Frost/Nixon

Por Ricardo Prado (09/10/2009) // Comente


frostFrost/Nixon (EUA/Reino Unido/França, 2008). Direção: Ron Howard. Roteiro: Peter Morgan, baseado em espetáculo também escrito por ele. Elenco: Toby Jones, Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Andy Milder, Kate Jennings Grant. Drama. 122 min. (Cor).

Em 1977, foi ao ar na televisão americana uma série de entrevistas feitas pelo apresentador David Frost com o ex-presidente norte-americano Richard Nixon. Durante a entrevista, Frost confrontou Nixon sobre diversos pontos desagradáveis sobre o escândalo do Watergate e a conduta do presidente enquanto estava na Casa Branca. Os bastidores dessa entrevista, considerada a mais importante da política norte-americana, virou peça de teatro nas mãos do roteirista Peter Morgan. Sob a direção de Ron Howard, “Frost/Nixon” virou filme, escrito pelo mesmo Peter Morgan que dissecou as entrevistas e as contextualizou em uma narrativa. O resultado é um filme extremamente simples, linear e quase minimalista. De fato, nada mais acontece senão o embate entre Frost e Nixon. Apesar disso, em nenhum momento o espectador fica entediado. Com um ritmo alucinante, “Frost/Nixon” vai até fazer o público pedir mais.

Ritmo é importante, principalmente quando se trata de um filme político e, a princípio, restrito à história norte-americana. A queda de Nixon teve sua importância mundialmente, mas os pontos específicos da invasão do edifício Watergate mandada pelo chefe de Estado não são tão interessantes assim. O grande trunfo do roteiro de Peter Morgan, tanto do teatro como o do cinema, é mudar um pouco o foco: o título é “Frost/Nixon”, mas o nome de Frost é o mais importante. Antes um apresentador de talk shows e game shows, Frost se recicla para encarar aquela que seria a entrevista mais importante de sua vida. No papel dele está Michael Sheen (que já viveu o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair nos filmes “Contrato de Risco” e em “A Rainha”), que conduz com força e competência um papel tão complexo. Havia o perigo de se tornar caricato, mas isso não ocorre. Frank Langella (que vem de uma carreira de sucesso no teatro e esteve em filmes como “Boa Noite e Boa Sorte”, “Doce Novembro” e “1492 – A Conquista do Paraíso”) é Nixon, e conduz o papel de forma magistral, mostrando a fragilidade daquele que gostaria de ser visto como indestrutível. A dupla de atores certamente ensaiou assistindo às tais entrevistas, mas fica nítido que não se trata de imitação, e sim interpretação, mesmo. As reações ali feitas são reações, mesmo.

É difícil que “Frost/Nixon” vença a difícil barreira do preconceito e seja visto por bastante gente, já que sua sinopse não é nem um pouco atrativa ao grande público. Caso alguém venha a conferir o filme por acidente, porém, será difícil que queira sair da sala de cinema.

8,0

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