Onda, A

Por André Azenha (21/08/2009) // 1 comentário

Por Jean Garnier

aondaA Onda (Die Welle / The Wave, Alemanha, 2008). Direção: Dennis Gansel. Roteiro: Dennis Gansel e Todd Strasser. Elenco: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Christiane Paul. Drama / Thriller. 107 min. (Cor).

Baseado em incidentes reais ocorridos em uma escola de classe alta no final da década de 1960 no estado da Califórnia, Estados Unidos, o filme “A Onda” mostra o quanto uma doutrina, como a fascista, pode subverter a concepção psicológica das pessoas, e o que era para ser apenas um simples exercício de aprendizado, transforma pacatos alunos em um seres autoritários e fora de controle.

A trama transfere os acontecimentos para a Alemanha dos dias atuais. Rainer Wenger (Jürgen Vogel), um ex-punk, questionador de autoridades e professor, foi incumbido de abordar o termo “autocracia” (ele preferia “anarquia”) e cita o próprio legado nazista como exemplo e, entre outras palavras, realiza um debate sobre como a nação alemã aceitou que alguém como Hitler e sua corja chegassem ao poder.

Durante a aula, depois de pedir algumas opiniões, Rainer propõe um jogo entre eles no qual teriam que se submeter a uma incondicional obediência a seu líder (no caso, ele próprio): agora, para falar, todos teriam que pedir permissão e ficar de pé, e entre as regras da “brincadeira”, a primeira consiste em usar uniforme (camisa branca) para padronizar e igualar os componentes do grupo, reforçando a “irmandade”. Com o passar dos dias, essa coletividade cria slogan, simbolismo, saudação e um nome para esse movimento: A Onda.

Aqueles que se sentiam deslocados e isolados no colégio ou mesmo na vida social, agora se sentem como parte de algo valioso e revigorante, com uma identidade forte, ao ponto de começarem a perseguir aqueles que se recusam a obedecê-los.

aondadois

O recado do filme é claro. Para que surja um movimento psicótico, basta um senhor com uma ideia estruturada e algumas pessoas pré-dispostas a aceitar esse nível de dominação, e pronto, temos grupos marchando como se fossem novos soldados do Gestapo. No colégio de Rainer, quem não faz parte da “Onda” não existe.

O cineasta Dennis Gansel (que também dividiu o roteiro e atua na obra) conseguiu captar a fascinante evolução e o impacto que os atos do protagonista representaram durante somente uma semana: o que era medo e desinteresse transformou-se em motivação.

No começo, havia apenas jovens que achavam ridículo o nazismo, mas, sem perceberem, se tornaram caricaturas e escravos da própria contradição, como simples marionetes guiadas por um “ideal”, que os leva a cometerem atos de consequências drásticas.

“A Onda” deixa uma sensação de desconforto, inclusive, porque nos mostra que, independente de década ou país, jamais estaremos livres de pessoas que se enxerguem como “salvadoras” do mundo. Seres que são, na verdade, ditadores e genocidas em potencial.

8,0

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1 Comentário
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  1. Olá!
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    É só deixar um comentário para concorrer a uma par de ingressos para o filme.

    http://descolando.obaoba.com.br/blogs/promocoes/

    Abs!
    Fábio
    Equipe descolando!

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