Marco Zero

Por André Azenha (07/08/2009) // 2 comentários

Por André Azenha

marcozeroMarco Zero (Day Zero, EUA, 2007). Direção: Bryan Gunnar Cole. Roteiro: Robert Malkani. Elenco: Elijah Wood, Jon Bernthal, Chris Klein, Ginnifer Goodwin, Elisabeth Moss, Ally Sheedy, Sofia Vassilieva, John Rothman, Daniel Oreskes, Robert Hogan. Drama.  92 min. (Cor).

É batata. Os EUA participam de uma guerra e, independente do resultado, algum tempo depois começam a pipocar filmes que retratam tal conflito. A “Guerra contra o terror” comandada por George W. Bush, que rendeu invasões ao Afeganistão e ao Iraque, gerou produções como “Caminho Para Guantamamo”, “Leões e Cordeiros”, “No Vale das Sombras”, entre outros.

“Marco Zero” aborda a invasão ao Iraque. Mas diferente dos filmes citados, não mira o combate em si ou os reflexos gerados por ele. Mostra os 30 dias que três amigos – interpretados por Elijah Wood, Jon Bernthal e Chris Klein  – têm antes de viajarem para defender a pátria na terra de Saddam Hussein.

O primeiro é escritor e faz uma lista com dez coisas que pretende fazer antes de se juntar às forças armadas; o segundo é recém-casado, contra a invasão, e pede ao pai influente que tente liberá-lo da convocação; e o último, que já vivera em um reformatório, e é o mais intempestivo dos três, pela primeira vez se apaixona por uma garota, com quem passa a namorar, sem avisá-la que fora chamado para a guerra.

A obra é a estréia de Bryan Gunnar Cole como diretor de longas cinematográficos (havia feito apenas uma série de TV e um documentário). O cineasta, que também foi editor do filme, auxiliado por uma bela trilha sonora, conseguiu criar uma trama sensível, que derrapa apenas em trechos do roteiro com frases de efeito (que tentam argumentar os dois lados, favorável e contrário à invasão) e pela presença de Elijah Wood.

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Como é que pode alguém achar que o ator, o Frodo na trilogia “O Senhor dos Anéis”, tenha condições de viver papéis que exijam maiores tons dramáticos. A única explicação é que os produtores e diretores realmente o achem com cara de abobado, já que ultimamente ele tem sido chamado para viver personagens abobalhados, imaturos e influenciáveis, como no sensacional “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e  no fraquinho “Hooligans”. Aqui, ele é aquele que sofre a maior transformação na estória… e quando decide mudar o visual, para expressar sua “indignação”, cai no ridículo.

Merece destaque Jon Bernthal (“Torres Gêmeas”), cujo personagem é o único assumidamente favorável à guerra. Um apego à “causa” americana proveniente da solidão, ainda que mantenha amizade com uma garotinha e comece a namorar dias antes da data limite para se apresentar ao exército.

Do elenco alguns poderão se lembrar também de Ginnifer Goodwin, esposa do galã Chris Klein  e que foi a primeira mulher de Johnny Cash em “Johnny e June” e também atuou no divertido “Ele Não Está Tão a Fim de Você”.

O tema de “Marco Zero” não faz parte da realidade do brasileiro (ao menos não vivemos a guerra no sentido do combate em outros países, ainda que por aqui tenhamos taxas de criminalidade tão altas como em alguns conflitos bélicos), e foi lançado direto em home vídeo no país.  Mas é um drama enxuto, e que mostra que em solo americano há gente com sensibilidade capaz de enxergar todos os lados da moeda.

7,0

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2 Comentários
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  1. legal sua critica, mas nao concordo com sua opiniao sobre a atuaçao de elijah wood, o cara tem um historico curriculo de filmes e sua especialidade é mesmo drama, as cenas mais dramaticas de O senhor dos aneis ele que segurou!!!

  2. Oi Hugo, tudo bem? Obrigado pela presença no cinezen. Quando ao Elijah Wood, me referi principalmente aos últimos trabalhos dele, em que ele realmente viveu personagens deslocados, bobos, e o tipo dele casa perfeitamente com isso. Quanto ao Senhor dos Anéis, é uma trilogia que tem vários protagonistas. Pensar que o Frodo é o protagonista é um engano… então não foi necessário levar o filme nas costas. Ele fez o feijão com arroz, trabalhou bem, e esteve cercado por um baita elenco, o que ajudou. Grande abraço! André Azenha

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