Ben-Hur
Por Ricardo Prado (07/08/2009) // Comente
Ben-Hur (Idem, EUA, 1959). Direção: William Wyler. Roteiro: Karl Tunberg, baseado em livro de Lew Wallace. Elenco: Charlton Heston, Jack Hawkins, Haya Harareet, Stephen Boyd. Épico. 210 min. (Cor).
“Ben-Hur” foi a aposta da MGM para sair das dificuldades financeiras que enfrentava no final dos anos 50. A produção custou US$ 15 milhões de dólares, e gerou US$ 75 milhões, pagando todas as dívidas e, ainda por cima, criando mais um clássico da história do cinema. “Ben-Hur” é recheado de inovações, e causa mais surpresa quando visto hoje em dia, impressionando os espectadores com os visuais que conseguiu, em plena 1959. Com Charlton Heston no papel de Judah Ben-Hur, um nobre judeu cuja história se cruza com a de Jesus Cristo (o livro que deu origem ao filme se chama “Ben-Hur, a Tale of the Christ”, ou “Ben-Hur, uma História do Cristo”). Ganhou 11 estatuetas do Oscar, incluindo a de Melhor Filme, feito igualado somente em 1997, por “Titanic” e, mais recentemente, por “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003).
Com mais de três horas e meia de duração, assistimos à queda e ascensão de Judah que, por conta de um acidente, acaba preso e vira escravo. Quando ele salva um cônsul romano, porém, é aclamado. Ao mesmo tempo, ele lida com a rivalidade de um antigo amigo de infância, o tribuno Messala, quem enfrenta numa corrida de bigas, um esporte muito popular na época. A corrida é tida como um dos pontos altos do filme, tida como uma das mais espetaculares seqüências de ação do cinema. Usando cerca de 15 mil figurantes numa área de 73 mil metros quadrados, a corrida demorou cinco semanas para ser gravada.
Mas a primeira inovação percebe-se logo que o filme começa. As proporções da tela são as mais abrangentes que se tem até hoje, com uma largura quase três vezes maior que a altura. A fotografia toma vantagem desse recurso, criando belos planos, além de enquadrar muitos elementos ao mesmo tempo, permitindo assim uma imersão maior do espectador. O recurso é obtido por meio do sistema MGM Camera 65, que gravava em 70 mm. Aliás, ao término das filmagens, foram gravados 381 quilômetros de filme.
“Ben-Hur” foi o primeiro remake a ganhar um Oscar de Melhor Filme. O primeiro, também feito pela MGM, foi lançado em 1925. O filme mudo tem Ramon Novarro no papel principal, e foi um dos filmes mais caros da época do cinema mudo. Esta versão saiu na edição especial do “Ben-Hur” de 1959 em DVD, apesar de ter caído em domínio público.
Charlton Heston morreu recentemente, e Ben-Hur permanece sendo um de seus papéis mais importantes. Ele já havia estourado em “O Maior Espetáculo da Terra” e “Os Dez Mandamentos”, ambos de Cecil B. DeMille. O lendário cineasta dizia que a aparência muscular de Heston lembrava a famosa estátua de Moisés feita por Michelangelo. Com Moisés e Ben-Hur, o nome de Heston ficou para sempre associado a épicos bíblicos e históricos.
Um clássico inegável, “Ben-Hur” tem clamor dos críticos e do público de forma igual. É um drama bíblico sem cair em pregação nem recontar o que podemos ler na Bíblia. É original em terreno conhecido. Quanto às inovações técnicas, é um primor. A seqüência da corrida de bigas é referência até hoje. E será por muito tempo.
10,0 é pouco

