Vai Indo Que Eu Já Vou
Por André Azenha (17/07/2009) // ComentePor: Madeleine Alves
Vai Indo Que Eu Já Vou (Idem, Brasil, 2006). Direção: Rubem Barros e Marcelo Perez. Elenco: Brian Troy, Cleusa Susete Dos Santos, Helena De Jesus, Hugo Delgado, Jayme Adissi, José Antônio Dos Santos, José Roberto Torero, Kamila Maia, Priscila Pereira, Sebastiana De Farias., Sueli Ildefonso. Documentário. 15 min. (Cor).
Andando por aí, no seu trabalho, no barzinho com os amigos ou simplesmente tirando um dia para passear e ver algumas vitrines, é bem corriqueiro que, em um determinado momento, você pense, por exemplo, em que tipo de flor gostaria de ganhar de seu namorado. Ou qual a roupa a vestir por ocasião daquela festa especial no fim de semana. Ou, ainda, ouvir uma música e dizer se ela seria a escolhida para o dia de sua formatura, para o carro em um dia de estrada ou para a comemoração de seu aniversário.
E… para o dia de sua morte — você já pensou nessas coisas?
Inusitado? Também acho.
Pois é. Ao assumir esta proposta curiosa com humor e reflexões inteligentes que “Vai Indo Que Eu Já Vou” (assista aqui), dirigido por Rubem Barros e Marcelo Perez, traz uma renovação temática a esse terreno de experimentação em que se configuram os curtas-metragens. Durante os seus 15 minutos de duração, vários depoentes fabulam a respeito de como seria interessante estar vestido de azul, ou de ficar em contato com os cinco elementos da natureza, ou de que se toque uma daquelas do Rei Roberto Carlos aos viventes na cerimônia da passagem.
Rubem Barros conta: “A pergunta inicial motivadora do curta era: ‘Como você gostaria que fosse a sua própria morte?’, tendo em vista não apenas o momento de morrer, mas a cerimônia posterior. A questão do momento da morte acabou esvaziada, pois os depoentes não se mostraram muito criativos nesse sentido. Não houve muitas narrativas propriamente ditas. No geral, as pessoas queriam morrer dormindo. Se ficássemos nisso, o espectador também iria morrer de tédio, e dormir. Então, exploramos o contraste entre a experiência vivida em relação à morte dos outros e a fabulação do enterro, da cerimônia”. Desse contraste, emergem visões de mundo que aproximam, em uma questão de planos, culturas tão geograficamente distantes como as tradições irlandesas, a ludicidade mexicana e os ritos e festas do nordeste brasileiro.
Para captar as impressões dos depoentes, os realizadores recorreram a algumas estratégias. Uma delas, a exibição do curta-metragem “Morte”, de José Roberto Torero, protagonizado por Laura Cardoso e Paulo José, para grupos comunitários tornou-se uma das melhores no sentido de soltar a imaginação das pessoas. “O filme era a realização no plano ficcional de nossa proposta de documentário, ou seja, havia uma grande identidade entre os projetos”, explica Rubem Barros.
“Vai Indo Que Eu Já Vou”, curta-metragem realizado como Trabalho de Conclusão de Curso de Rádio e TV para a Faculdade Cásper Líbero, estimula nossas mentes a ir além e pensar em outros modos de encarar temas-tabu, de sairmos um pouco dos modelos estereotipados e lugares-comuns e nos depararmos com possibilidades novas para velhos assuntos. Incluindo a morte.
Alguns Festivais:
— V Curta Santos (SP);
— IV Panorama de Documentários de Recife (PE);
— 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá (MT)
Melhor vídeo — júri oficial;
— Perro Loco — 1º Festival de Cinema Universitário Latinoamericano (GO)
Melhor curta-metragem — júri popular;
— CINEME-SE — Festival da Experiência do Cinema (Santos/SP)
Prêmio do júri popular.