Honeydripper – Do Blues ao Rock

Por André Azenha (17/07/2009) // Comente

honeyHoneydripper – Do Blues ao Rock (Honeydripper, EUA, 2007). Direção e roteiro: John Sayles. Elenco: Danny Glover, Gary Clark Jr., Lisa Gay Hamilton, Charles S. Dutton  e Mary Steenburge. Drama. 124 min. (Cor).

O diretor e roteirista norte-americano John Sayles possui filmografia variada.  Participa da produção de filmes mainstream, como “As Crônicas de Spiderwick” (2008), no qual foi autor do texto, e com a grana obtida nestes trabalhos, parte para projetos pessoais, de baixo orçamento, que miram a vida e a cultura de determinadas regiões dos Estados Unidos. Foi assim em “Tudo Pela Vida” (1992) e “Lone Star – A Estrela Solitária” (1996), longas que renderam a ele indicações ao Oscar de Roteiro.

“Honeydripper – Do Blues ao Rock” faz parte desta segunda leva. É uma produção independente, cuja estória se passa no Alabama, durante o ano em que o cineasta nasceu: 1950. Danny Glover (quadrilogia “Máquina Mortífera”) interpreta Tyrone Purvis, que tenta manter em atividade um bar praticamente falido (o público jovem freqüenta um outro estabelecimento, onde há música eletrificada). Ele precisa conseguir dinheiro para pagar o xerife corrupto da cidade e o proprietário do local, que enviou um agiota para cobrar o aluguel atrasado.

Com o intuito de quitar as dívidas e seguir trabalhando no bar, Purvis decide anunciar um show com o principal bluesman do momento: Guitar Man. Só que no dia da apresentação, o músico simplesmente não aparece porque não foi contatado, e, para dar conta do problemão que tem em mãos, Tyrone recorre a um jovem (Gary Clark Jr.) que passou pelas redondezas em busca de emprego, e carrega consigo uma guitarra elétrica – o garoto sabe de cor todas as canções de Guitar Man e é escalado para tocar no dia esperado.

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Apesar de possuir um jeitão de telefilme, “Honeydripper”, que estreou no Festival de Toronto, é um belo retrato da vida difícil levada pelos negros americanos na virada dos anos 40 para os 50, quando já se encontravam livres da escravidão há décadas, mas ainda enfrentavam o preconceito e a dificuldade em conseguir trabalho digno.

A obra se beneficia pelo bom desempenho do elenco liderado por Glover (carismático como sempre) e pelo músico Gary Clark Jr., em seu debute cinematográfico. Recheado de bonitas canções, também serve para mostrar como o social e a arte andam lado a lado na história da humanidade. Eram tempos de adaptação. Brancos, ao menos na teoria, precisaram entender que eles e os negros deveriam viver em igualdade, assim como músicos antigos, tal qual o personagem de Glover, se depararam com a eletrificação do blues – que pouco tempo depois, misturado a outros gêneros musicais, resultaria no surgimento do rock – e tiveram que acompanhar essa evolução.

Sayles reuniu de forma eficiente drama, romance, filme de época, musical e denúncia, e ainda questiona a fé cega que faz algumas pessoas esquecerem da própria vida. Mas acima de qualquer gênero cinematográfico, ele realizou principalmente uma justa e bonita homenagem à comunidade negra.

8,5

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