Equilibrista, O
Por André Azenha (09/07/2009) // ComentePor: André Azenha
O Equilibrista (Man on Wire, EUA / Inglaterra, 2008). Direção: James Marsh. Roteiro: Documentário. 90 min. (Cor).
10,0
Em 07 de agosto de 1974 um francês fez aquilo que parecia impossível. Não satisfeito em andar e se equilibrar, Philippe Petit deitou, sorriu, dançou e se ajoelhou a 415 metros de altura, em cima de uma corda com cerca de 60 metros de cumprimento, esticada especialmente – e ilegalmente – entre as Torres Gêmeas que formavam o World Trade Center, na época os maiores prédios do mundo.
Foram 45 minutos no alto, o que chamou a atenção de transeuntes, dos funcionários que trabalhavam nas duas edificações (elas ainda não estavam prontas) e da polícia, que interrompeu a façanha quando ameaçou enviar um helicóptero para resgatá-lo – e assim, colocar em risco sua vida.
Assim que foi detido, Petit foi jogado ao chão, algemado e passou por um exame psicológico. Virou lenda. E a lenda se tornou um dos melhores documentários dos últimos tempos, ganhador do Oscar e do Independent Spirit Awards da categoria, do BAFTA em Melhor Filme Britânico e ainda vencedor dos prêmios do Júri e do público-documentário em Sundance, entre outras conquistas.
Baseado em livro escrito pelo próprio aventureiro francês, o diretor inglês James Marsh misturou de forma eficiente depoimentos atuais, imagens de arquivo, reportagens de TV, filmes caseiros, fotos e reencenação dos eventos, para criar um documentário com tom de suspense, beneficiado pelo jeito interpretativo dos próprios realizadores do feito, principalmente Petit, de feições expressivas, e que se delicia ao narrar os fatos.
O filme se divide em duas narrativas: uma centrada no dia 07 de agosto, e outra recontando a vida do protagonista, que conhecera as torres gêmeas numa revista quando aguardava uma consulta no dentista, durante sua infância, mais o passo a passo da preparação que se deu em oito meses, com idas e vindas de Paris a Nova York, com o intuito de “decifrar” a segurança do Word Trade Center e conseguir posteriormente entrar nos dois prédios com os equipamentos sem chamar a atenção dos seguranças.
Apesar da polícia ter aprisionado Petit, o “evento” serviu de cartão postal para o Word Trade Center, que virou manchete (o título original, “Man on Wire”, é referência à maneira como o incidente ficou famoso nos EUA) em meios de comunicação nos quatro cantos do planeta.
Repleta de imagens fascinantes, a obra (conferida pelo cineasta Robert Zemeckis que se apaixonou por ela e deseja dirigir um thriller sobre o ocorrido) também emociona quando lembramos que 27 anos depois as torres seriam destaque por um motivo trágico.

