Operação Valquíria
Por André Azenha (19/06/2009) // ComentePor: André Azenha
Operação Valquíria (Valkyrie, EUA / Alemanha, 2008). Direção: Bryan Singer. Roteiro: Christopher McQuarrie e Nathan Alexander. Elenco: Tom Cruise, Kenneth Branagh, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Terence Stamp, Carice van Houten. Drama. 121 min. (Cor).
7,5
Filmes baseados em acontecimentos reais que marcaram a história, quando viram filme, correm o risco de tropeçar no próprio pé. Afinal, pra quê assistir uma produção cujo final é conhecido? – devem pensar muitas pessoas. Em “Titanic” (1997, cuja tragédia já havia sido filmada para o cinema e a TV), a solução foi concentrar o período anterior ao acidente num amor impossível entre pessoas de classes sociais diferentes. E o longa acabou consolidando seus protagonistas Leonardo Di Caprio e Kate Winslet como astros e se tornou a maior bilheteria da história do cinema.
“Operação Valquíria”, título do complô orquestrado por membros do exército nazista para assassinar Hitler, já havia ganhado as telas anteriormente e é sabido que o então chanceler alemão não se tornou vítima fatal do atentado.
Dirigido por Bryan Singer (dos dois primeiros “X-Men” e “Superman – O Retorno”), o filme chegou aos cinemas numa época em que tem sido frequente produções retratarem nazistas não como monstros, mas como seres humanos falhos (“O Leitor”, “O Menino do Pijama Listrado”, “Um Homem Bom”), e é protagonizado por um astro que andava precisando mostrar serviço: Tom Cruise – a necessidade de divulgar a obra foi tal que o ator, inclusive, veio ao Brasil promover o filme.

Além disso, problemas fizeram com que o lançamento do longa a fosse adiado várias vezes e as expectativas por parte da crítica não fossem as melhores. Quando as primeiras fotos de Cruise, usando um tapa-olho, como o Coronel Claus von Stauffenberg, líder do plano, foram divulgadas, teve quem caísse na gargalhada. Mas eis que o filme não é a bomba que estava sendo esperada.
Escudado por um bom time de atores (destacando o próprio Cruise, correto no papel, os veteranos ingleses Tom Wilkinson e Terence Stamp, de “Superman II”, a bela holandesa Carice van Houten, do sensacional “A Espiã”, também sobre a Segunda Guerra, como a esposa de Stauffenberg, e o ótimo elenco coadjuvante), Bryan Singer realizou um belo trabalho do ponto de vista técnico, concebendo uma sequencia digna de Spielberg, no bombardeio em que o coronel Stauffenberg perde um olho. E conseguiu criar um clima de tensão, capaz até de fazer o público esquecer o desfecho inevitável para a trama, como se fosse um suspense ficcional.
Pena que o roteiro trapaceie ao ocultar fatos para criar uma empatia entre o protagonista e a platéia. Os inúmeros comentários anti-semitas feitos por Stauffenberg no início da guerra e a forma violenta como se referia à população da Polônia, que ajudou a invadir, tornando-o um herói praticamente unidimensional. Isso sem contar que os conspiradores contra Hitler só tomaram uma atitude quando a derrota da Alemanha soava iminente. Se essas evidências fossem mostradas, os protagonistas perderiam a nobreza com que são retratados e provavelmente afastariam o espectador.

Com esses deslizes, “Operação Valquíria” acaba perdendo como adaptação cinematográfica para acontecimentos reais e se torna um bom thriller apenas com pano de fundo histórico. Comprova a competência de Singer como diretor, mas não mudará a carreira de Tom Cruise. Porém, como entretenimento, é um passatempo bacana.