Loki – Arnaldo Baptista

Por André Azenha (19/06/2009) // Comente

Por: André Azenha

lokiLoki – Arnaldo Baptista (Idem, Brasil, 2008). Direção e roteiro: Paulo Henrique Fontenelle. Documentário. 120 min. (Cor).

10,0

O documentário “Loki – Arnaldo Baptista” é exemplo claro do velho ditado “a justiça tarda, mas não falha”. Assim como disse seu diretor e roteirista, Paulo Henrique Fontenelle, em inúmeras entrevistas, o filme cumpre a missão de mostrar a real importância de Arnaldo Baptista, ex-guitarrista e vocalista do grupo Mutantes, não apenas para o rock, mas todo o cancioneiro popular brasileiro.

O longa – produzido pelo Canal Brasil – acerta enquanto documentário, mas transcende o trabalho cinematográfico ao mergulhar fundo nos conflitos, amores, no talento e na alma de um artista que ficou bastante tempo longe dos holofotes, não foi tão bajulado como um Caetano Veloso , ou teve o apelo popular de Roberto Carlos, porém foi tão importante para a cultura brasileira quanto seus colegas de geração.

E Paulo (autor do documentário curta-metragem “Mauro Shampoo – Jogador, Cabelereiro e Homem”, 2006) sabia da missão. Afinal, para se homenagear um gênio (termo utilizado a exaustão, mas que possui poucos merecedores), o filme no mínimo deveria tornar-se aquilo que Arnaldo tanto fez em sua carreira: arte. E “Loki”, que repete o nome do emblemático álbum de Arnaldo lançado após sua saída dos Mutantes, é uma profunda e sensível obra de arte.

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E vai fundo na vida do protagonista. Os entrevistados são pessoas que estiveram diretamente ligados às passagens mais importantes da carreira dos Mutantes (um dos maiores e mais criativos grupos do rock brasileiro, quiçá o maior) e da vida de Arnaldo. Seu irmão Sérgio, músicos que dividiram estúdio e palco com eles, produtores, amigos, fãs (entre eles Kurt Cobain) e suas paixões. Todos falam com sinceridade e admiração latentes. Há quem possa dizer que a ausência de Rita Lee não deixe o documentário “completo”. Ledo engano. Rita está lá. Se não foi entrevistada especialmente para o documentário (ela se recusa a falar em público sobre a banda), podemos conferi-la falando em entrevistas concedidas durante o auge dos Mutantes, e em palavras de outras pessoas próximas à banda. Nenhum período da carreira (e da vida, a partir da entrada para os Murantes) de Arnaldo passa despercebido.

“Loki” é uma justa reverência a um “maluco beleza”, sujeito de extrema sensibilidade, capaz de conceber lindas canções, e emocionar o público com intensidade.

Em 2007, estive no show da “volta” dos Mutantes no Museu do Ipiranga, em São Paulo. E não consegui conter as lágrimas quando “Balada do Louco” foi executada. Repetida no filme (ao lado de outras cinqüenta e tantas canções), a música provoca a mesma emoção e revela-se ainda mais simbólica. Para quem não conhecia Arnaldo e os Mutantes, mostra que versos, a princípio simples, como “Dizem que sou louco por pensar assim / Se eu sou muito louco por eu ser feliz / Mas louco é quem me diz / E não é feliz, não é feliz” são lembrados até hoje e provocam tamanha catarse como aconteceu naquele dia 25 de janeiro de 2007, no aniversário da cidade de São Paulo.

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