Vítimas da Guerra
Por André Azenha (05/06/2009) // Comente
Vítimas da Guerra (In Tranzit, Reino Unido / Rússia, 2008). Direção: Tom Roberts. Roteiro: Natalia Portnova e Simon van der Borgh. Elenco: Thomas Kretschmann, Vera Farmiga, Daniel Brühl, Natalie Press, John Malkovic. Drama / Guerra / 14 anos. 113 min. (Cor).
Nos últimos anos tem sido freqüente a produção de filmes sobre a Segunda Guerra e o Holocausto, ou com enredos relacionados de alguma forma a tal período histórico. “Desejo e Reparação”, “O Leitor”, “Um Ato de Liberdade”, “Operação Valquíria“, “Os Falsários“, “Bastardos Inglórios” (que ainda irá estrear no Brasil), “A Espiã”… A lista é extensa e possui ótimos longas – alguns são quase obras-primas. Por isso, um trabalho como “Vítimas da Guerra”, estréia de Tom Roberts como diretor de cinema (até então havia realizado séries de TV e telefilmes) sofre pelo próprio tema abordado. Não que seja um filme ruim. Longe disso. Mas com a concorrência forte, acabou ofuscado pelos filmes citados, tendo passado quase em branco nos cinemas lá fora, e lançado diretamente em home vídeo no Brasil.
A trama até busca um caminho diferente dos longas que geralmente mostram a vilania dos nazistas e os maus tratos sofridos pelos judeus. No pós-guerra, prisioneiros alemães são levados a um campo de concentração onde os soldados são mulheres soviéticas. E o confronto entre sexos e nacionalidades levanta alguns pontos como o amor impossível entre uma oficial e seu prisioneiro; ou então se é válido buscar vingança, mesmo com o final do conflito bélico; e a frieza das soviéticas que resguardam uma grande carência afetiva. São questões complexas.

O roteiro beira o melodrama em algumas passagens e o visual é de telefilme (resquício da carreira televisiva do cineasta), mas “Vítimas da Guerra” é uma boa opção para quem se interessa em obras sobre a Segunda Guerra, conta com atores expressivos, como a bela Vera Farmiga (“O Menino do Pijama Listrado”), na pele da médica que precisa lidar com uma nova paixão por um prisioneiro germânico e a situação do marido com problemas mentais, e o experiente John Malkovich, como o chefão impiedoso das mulheres.
Mas acima de tudo, o filme deixa embutido no espectador o contraste da paisagem gélida do Leste Europeu, e as pessoas que vivem nela, almas sofridas e corações ardentes em busca de redenção e recomeço para suas vidas.
7,5