Corajoso Ratinho Despereaux, O

Por Ricardo Prado (22/05/2009) // Comente

Por: Ricardo Prado

ratinhocimaO Corajoso Ratinho Despereaux (The Tale of Despereaux, EUA/Reino Unido, 2008). Direção: Sam Fell e Robert Stevenhagen. Roteiro: Chis Viscardi, Gary Ross e Will McRobb, baseado em livro de Kate DiCamillo. Elenco: Emma Watson, Sigourney Weaver, Dustin Hoffman, Matthew Broderick, Christopher Lloyd, Kevin Kline, Robbie Coltrane, William H. Macy (vozes no original). Animação. 90 min. (Cor).

6,5

Quando se adapta algum livro para o cinema, geralmente dois problemas podem acontecer: algo pode ficar de fora ou tudo ir à ruína porque tentaram misturar tudo numa dança só, mesmo com duração curta. Este segundo é o imenso problema de “O Corajoso Ratinho Despereaux”. É uma animação com trato estético invejável e uma matéria-prima (o livro “A História de Despereaux”, de Kate DiCamillo, lançado no Brasil pela editora Martins Fontes), mas com mísera uma hora e meia de duração. Isso não parece representar um problema para os roteiristas, que construíram uma história tão corrida que causa vertigem no espectador. Outra qualidade de “O Corajoso Ratinho Despereaux” que deve ser levada em conta é sua moral sobre a coragem, caso os pequenos não sintam tontura com tantos acontecimentos espremidos em uma duração tão ingrata.

Se a história como um todo fosse bobinha, caberia perfeitamente nos noventa minutos que compreendem o filme. Mas, não é. Chega a tomar proporções de uma saga, chegando ao ponto de apresentar um mundo com uma história, um elenco de personagens com passados contados e embates éticos. Começamos conhecendo o rato Roscuro, que vai parar no reino de Dor com seu amigo humano Pietro. O reino é famoso por organizar o Dia da Sopa, aguardado ansiosamente pelo povo que vive lá. Por conta de uma confusão, Roscuro acaba caindo dentro do prato de sopa da rainha de Dor, matando-a de susto (literalmente). O Dia da Sopa é destituído e os ratos são banidos da cidade. Roscuro vai parar no calabouço do castelo, onde conhece Botticelli, que é líder do clã dos ratos e resolve acolhê-lo. A história, então, passa a apresentar Despereaux, que nasce sem ter medo de nada, diferente dos outros camundongos (ou “ratinhos”, conforme as noções de biologia simplistas da tradução insistem). Sua coragem acaba causando seu banimento da cidade dos camundongos, sendo condenado ao calabouço, onde fica a cidade dos ratos. Quando Roscuro e Despereaux se conhecem, muito ainda vai acontecer para que o reino de Dor volte ao normal.

Se as crianças gostarem de imagens caóticas em movimento, vão adorar “O Corajoso Ratinho Despereaux”. Só não vão entender bulhufas da história. Talvez nem os adultos, e a culpa é estritamente da produção. Nem se trata de uma adaptação superficial, é corrida mesmo. “Superficial” significaria adaptar menos e mal. Aqui, só adapta mal. Aperte os cintos antes de assistir.

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