Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, O
Por André Azenha (20/02/2009) // 3 comentáriosPor: André Azenha
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (Idem, Brasil, 2006). Direção: Cao Hamburger. Roteiro: Cláudio Galperin, Bráulio Mantovani, Anna Muylaert e Cao Hamburger, baseado em história original de Cláudio Galperin e Cao Hamburger. Elenco: Paulo Autran, Michel Joelsas, Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Simone Spoladore, Caio Blat, Liliana Castro, Eduardo Moreira. Drama. 110 min. (Cor).
9,0
O segundo longa (o anterior foi “Castelo Rá-Tim-Bum – O Filme”) do diretor Cao Hamburguer consegue transitar com extrema leveza entre o drama e a comédia de costumes, focando sua narrativa em eventos marcantes da recente história brasileira – a ditadura e o tri mundial no México – e dirigindo com competência o elenco mirim, herança dos anos em que esteve à frente da série infantil.
Sabe aquele jargão: “futebol, religião e política não se discutem?”. Pois é, o filme aborda todos esses assuntos sem tomar partido, soar chato ou panfletário. Não é um longa-metragem exatamente sobre nenhum desses assuntos e apesar do grande número de crianças, também não é infantil. E ainda assim agrada marmanjos e pequeninos. Há quem tenha o comparado ao cinema feito na Argentina nos últimos tempos. Pode ser, pois as crianças lembram de certo modo a turminha de “Buenos Aires 300 KM” e a mistura dos assuntos citados acima com a simplicidade de conversas do cotidiano, possui um quê de Juan José Campanella (“O Filho da Noiva” e “Clube da Lua”).
A trama se passa em 1970, auge do regime militar e ano de Copa do Mundo. O povo vê com desconfiança a seleção dirigida por Zagallo (“Pelé e Tostão não podem jogar juntos”, dizia-se à época) e estudantes sofrem com a perseguição de soldados. Mauro tem 12 anos, gosta de jogar botão e sabe que ser goleiro é a posição mais solitária de um time. Ele vê seus pais, militantes contra a ditadura, partirem de férias (na verdade uma fuga) e vai morar com o avô (Paulo Autran, em pequena ponta), no Bom Retiro, em São Paulo. O que ninguém esperava é que o avô morresse no mesmo dia e é então que o menino, assim como um goleiro, se vê sozinho. Sua nova residência é um prédio habitado basicamente por judeus, só que Mauro é um goy e tem de lidar, além da diferença religiosa, com o conflito de gerações, já que seu primeiro contato no novo local é com Shlomo (Germano Haiut), um senhor judeu ferrenho. O garoto então resolve passar os dias ao telefone, esperando, pois seu pai prometeu voltar antes da Copa.
Em parte, Cao Hamburguer levou um trecho de sua própria vida para a tela, pois assistiu a prisão do pai judeu e da mãe católica pela ditadura e atuou como goleiro na infância. E o que impressiona é que o diretor conseguiu, através de todas essas referências, criar uma obra sensível, redonda, e com momentos geniais. Não precisou cair no clichê de cenas de tortura para mostrar o clima de insegurança da sociedade (o momento em que os soldados perseguem estudantes dá o recado sem apelação e a cena em que vemos Mauro comemorar um gol do Brasil no apartamento com janela fechada, sem se ouvir o som do grito é esplêndida). E ainda recriou com precisão absoluta – na ambientação, figurino e diálogos – aquele período.

Há momentos engraçados, como os meninos desembolsando uma grana para Hanna (espécie par romântico de Mauro) a fim de ver mulheres se trocando pelo buraco da parede da loja onde a mãe da menina trabalha (alusão a “Era Uma Vez na América”, de Sérgio Leone), e os comunistas que tentam torcer contra o Brasil (e que logo depois vibram com os gols de Pelé e companhia). E outros instantes são de extrema sensibilidade, ao retratar a maneira como o protagonista olha a garota bonita do bairro, e quando Hanna diz que ela tem idade pra ser mãe dele, numa clara manifestação ingênua de ciúme.
Contou para o sucesso da obra a escolha do elenco, desde os novatos Michel Joelsas (Mauro) e Daniela Piepszyk (Hanna), aos mais experientes e conhecidos como Simone Spoladore, Caio Blat e Paulo Autran. A verdade é que “O ano em que meus pais saíram de férias” foi o melhor lançamento até então em muito tempo do cinema brasileiro.
O nome do trabalho era pra ter sido “Vida de Goleiro” (profissão desejada por Mauro quando se tornar adulto), mas sabiamente, foi mudado, dando um tom universal ao título.
Trata-se de um filme que precisa ser conferido, seja você caro leitor, judeu, católico, idoso, criança, vidrado ou não em futebol, homem ou mulher. Emocionante de dar lágrimas nos olhos.


Assisti esse filme por recomendação do do Editor André Azenha.
Realmente, valeu a pena.Uma película que prima pela qualidade, história e atuações envolventes por parte dos atores.
Adorei.
beijos Regina
obrigado Regina pela presença e estamos aí pra indicar filmes bacanas sempre!
ANDRE, NÃO SEI SE VC SABE, MAS APESAR DE NÃO TER ASSISTIDO ESSE FILME, TIVE
CONHECIMENTO QUE É UM FILME INTERESSANTE.
A ATRIZ DANIELA PIEPSZYK, É NETA DE UM PRIMO-IRMÃO, QUER DIZER É DA FAMÍLIA, ( MAS INFELIZMENTE NÃO A CONHEÇO PESSOALMENTE ). EM TEMPO MEU SOBRENOME DE SOLTEIRA É : PIEPRZYK, ( COM UMA DIFERENÇA,O MEU SE ESCREVE COM “Z” E O DELA COM “S”, COMO SE VÊ, APENAS HÁ DIFERENÇA NA ORTOGRAFIA. A BISAVÓ DELA ERA IRMÃ DE MEU PAI. COMO VC VE, TENHO NA FAMÍLIA UMA ATRIZ.
A DANIELA TBM ESTÁ FAZENDO ATUALMENTE O SERIADO ” TUDO NOVO DE NOVO ” NA GLOBO AS 23,05 HRS TODAS AS SEXTAS FEIRAS; CONTRACENA COM C MARCO RICCA E JULIA LEMERTZ.
BEIJOS.