Conduta de Risco
Por André Azenha (15/02/2009) // ComentePor: André Azenha
Conduta de Risco (Michael Clayton, EUA, 2007). Direção e roteiro: Tony Gilroy. Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack. Drama / Suspense / Thriller. 119 min. (Cor).
8,0
George Clooney é o ator mais engajado politicamente de Hollywood. Isso é fato consumado. Apesar de já ter estrelado algumas bombas no passado, como “Batman & Robin”, o ex-astro da série “Plantão Médico” vem protagonizando nos últimos anos filmes com teor crítico, vide o excelente “Boa Noite e Boa Sorte”, sobre a censura, e o espetacular “Syriana”, cuja trama denunciava o jogo de interesses pelo petróleo no Oriente Médio. Esses dois, por sinal, lhe renderam respectivamente indicações ao Oscar de 2006 como Ator Coadjuvante (que venceu) e Diretor, que fizeram dele além de uma figura famosa, alguém reconhecido pelo talento.
“Conduta de Risco” é outro “filme-denúncia”, que traz o roteirista Tony Gilroy (“Advogado do Diabo”) estreando na direção e novamente criando um roteiro, que mira a relação entre uma mega-corporação e uma grande firma de advocacia. Clooney interpreta Michal Clayton (mistura dos personagens do astro em “Syriana” e “Onze Homens e um Segredo”), um “faxineiro”, funcionário designado a corrigir os erros dos colegas de empresa e jogar para baixo do tapete casos que possam virar escândalos e comprometer os clientes da firma.
E um desses casos periga ganhar as manchetes do planeta inteiro quando Arthur Edens (Tom Wilkinson) sofre um surto de loucura, colocando em xeque o nome da multinacional U/North, um dos principais clientes da corporação em que Arthur e Michael trabalham. O custo pode ser de bilhões de dólares.

Michael, como ele próprio diz a certo momento, não é o tipo de cara para ser coagido com tentativas de homicídio, mas sim alguém que se tenta comprar. Ele não se sente bem com o trabalho, porém é bom no que faz, e precisa de grana para quitar a dívida com um agiota. Só que para trazer Arthur de volta à sanidade, precisará enfrentar todos os problemas que enlouqueceram o colega. Eis que toda a sujeira atrás do jogo de interesses é revelada, e até uma funcionária da tal multinacional, interpretada por Tilda Swinton (“As Crônicas de Nármia”), surge para dar cabo do problema. No começo, são apenas ameaças veladas, e depois…
Gilroy acabou se saindo bem na sua estréia como diretor (afinal, nada mal começar conseguindo sete indicações ao Oscar, incluindo Filme, Direção e Roteiro Original), e mais uma vez acertou ao criar um texto de diálogos afiados (destaque para o clímax da projeção, quando Clooney e Tilda finalmente se encontram), personagens complexos, que sujam as mãos sem necessariamente terem orgulho do que fazem, e que derrapa apenas no desfecho, cuja solução encontrada para terminar a trama poderá gerar questionamentos principalmente daqueles prejudicados, na vida real, por alguma mega empresa.

Já a escalação de elenco não poderia ter sido melhor: além de Clooney, Wilkinson e Tilda, (indicados respectivamente para Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante) há ainda a bacana participação de Sydney Pollack. Também merecem elogios a trilha sonora original (também lembrada pela Academia) de James Newton Howard e a boa fotografia de Robert Elswit.
Tantas indicações surpreenderam. Afinal, apesar de se tratar de uma ótima produção, “Conduta de Risco” perde em originalidade para filmes anteriores com temas parecidos. Não é uma trama sobre denúncia melhor do que, por exemplo, o próprio “Syriana”, ou “O Jardineiro Fiel”, do brasileiro Fernando Meirelles – longas que não tiveram a mesma sorte na principal premiação do cinema.
Mas vale a conferida, pois o clima de suspense prende a atenção e não é sempre que vemos um time de atores assim reunido.
