Três Vezes Amor
Por André Azenha (11/02/2009) // ComentePor: André Azenha
Três Vezes Amor (Definitely, Maybe, GBR / ING / FRA, 2008). Direção e roteiro: Adam Brooks. Elenco: Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Elizabeth Banks, Isla Fischer, Rachel Weisz, Kevin Kline, Derek Luke. Comédia romântica. 112 min. (Cor).
8,0
Sabe aquela amizade ou relação amorosa na qual você conhece alguns “antecedentes” da pessoa, percebe os defeitos dela, mas mesmo assim se deixa envolver, seja pelo sorriso, o jeito simples ou o charme dela? Pois é, “Três Vezes Amor” é o tipo de filme que apresenta certos defeitos e alguns clichês, você sabe onde certas partes da história devem parar e o ator protagonista não tem uma das carreiras mais brilhantes, porém é um longa-metragem cativante, gostoso de assistir, principalmente para casais apaixonados.
Realizado pela produtora britânica Working Title (especialista em comédias românticas como “Bridget Jones”, “Um Grande Garoto”, “Quatro Casamentos e um Funeral”, “Um Lugar Chamado Notting Hill”, “Simplesmente Amor”, “Wimbledon”), essa produção consegue manter o nível do cast da empresa e mostra Will Hayes (Ryan Reynolds), que sai do interior dos Estados Unidos para ganhar a vida profissionalmente em Nova York – seu sonho é ser presidente do país. Transcorre o ano de 1991 e ele, um democrata praticante, trabalha na campanha de Bill Clinton para a presidência. Com o tempo, claro, surgem as desilusões e três mulheres completamente distintas cruzam seu caminho: tem a então inocente e pura (Elizabeth Banks), a apolítica convicta (Isla Fisher) e a jornalista intelectual (Rachel Weisz). Descobrir com qual delas o protagonista teve sua filha Maya (Abigail Breslin) é a premissa do enredo, que a própria menina define como “história de amor de mistério”.
O cineasta Adam Brooks, de “Wimbledon” e “Bridget Jones: No Limite da Razão”, concebeu uma trama que até se utiliza de algumas fórmulas manjadas do gênero: intencionalmente faz com que o público torça por uma das mulheres, e a filha de Will parece demais aquele estereótipo de ”adulto precoce”,. Mas o filme consegue abraçar a platéia pela forma sensível como as situações são apresentadas, seus personagens são trabalhados e o elenco se saiu bem.
Reynolds consegue transmitir o processo de amadurecimento do pai (completamente o oposto de filmes tenebrosos em que atuou, como o tremendo besteirol “O Dono da Festa”), Elizabeth Banks está contida, diferente do papel exagerado de “O Virgem de 40 Anos”, a maravilhosa Rachel Weisz, como de praxe, interpreta com intensidade e Isla Fisher é carismática.
E claro, a pequena Abigail Breslin prova que sua indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante, por “Pequena Miss Sunshine”, não foi um equivoco. A menina tem talento e transborda simpatia.
E mesmo que possamos antecipar certas decisões dos personagens, e até o próprio desfecho da trama, “Três Vezes Amor resulta” em um passatempo saboroso e ainda aproveita para sacanear Bill Clinton e George X. Bush, criticar quem acha que todo ser humano deve opinar sobre tudo ou ter necessariamente uma opção política (aquele tipo de pessoa “sabe tudo”), e ainda por cima, tem um diálogo que escancara com precisão o motivo da opção pelo casamento de muitas pessoas. Vale a conferida.




