Menina de Ouro
Por André Azenha (11/02/2009) // ComentePor André Azenha
Menina de Ouro (Million Dollar Baby, EUA, 2004). Direção: Clint Eastwood. Roteiro: Paul Haggins, baseado em estórias de F.X. Toole. Elenco: Hilary Swank, Clint Eastwood, Morgan Freeman, Michael Pena. Drama. 137 min. (Cor).
“Menina de Ouro” levou quatro estatuetas do Oscar: Filme, Direção (para Clint Eastwood), Atriz (Hylary Swank) e Ator Coadjuvante (Morgan Freeman). Mereceu cada uma delas.
A trama sobre “menina” de 30 anos que deseja aprender boxe com treinador experiente e até então machista, aborda de maneira peculiar assuntos já retratados no cinema – “o mestre e a aprendiz” e “boxe” são temas manjados e eutanásia é tópico dos mais delicados.
Mas não há exageros no filme. O diretor Clint Eastwood e o roteirista premiado Paul Haggis (diretor e responsável pelo roteiro do vencedor do Oscar “Crash – No Limite”), conceberam uma estrutura simples e eficiente, utilizando situações extremamente naturais – a cena em que Eastwood se delicia com uma torta de limão em um restaurante no meio do nada é puro cotidiano (e bela) - beneficiadas por uma direção sóbria e ótimo elenco.
O veterano cineasta, como costuma fazer, levou pouco tempo para filmar o longa (38 dias) e manteve seu status de autor de obras tristes e líricas, como pôde ser comprovado anteriormente em “Sobre Meninos e Lobos”, e depois em “Cartas de Iwo Jima”.
Com atuações fabulosas, Clint e Morgan Freeman surgem em cena demonstrando química surpreendente (já haviam atuado juntos em “Os Imperdoáveis”). O primeiro como alguém tentando superar a culpa por estar longe da filha, e o segundo na pele de um ex-lutador que ficou cego de um olho.
E há Hilary Swank. A atriz, premiada duas vezes pela Academia (venceu também por “Meninos Não Choram”), não possui a beleza de uma diva, mas há algo de muito especial nela. Singela, sempre consegue dar intensidade e sensibilidade latentes a suas personagens, seja numa menina pobre que busca vencer na vida, como nesse caso, ou no hermafrodita interpretado por ela em “Meninos Não Choram”.
Ela é aquele tipo de mulher que no colégio provavelmente não fazia grande sucesso entre os garotos mais populares, mas despertava a atenção daquele cara mais sensível, que precisa ser conhecida para ter desvendada sua beleza (e que beleza, vide sua aparição com um vestido que deixava as costas visíveis quando recebeu a estatueta pelo filme). Tem dos sorrisos mais cativantes do cinema contemporâneo, muito talento e se entrega de corpo e alma aos seus papéis. Precisou de três meses para se preparar fisicamente antes do início das filmagens, período em que ganhou quatro quilos e meio de massa muscular.
“Menina de Ouro” venceu também dois Globos de Ouro, em Direção e novamente Atriz (Swank), e acaba sendo aquela história que jamais cansa o espectador. É um drama forte, que se utiliza da tragédia e do remorso e a perspectiva de superação para se transformar em inspiração para quem o assiste. E é um dos filmes preferidos deste jornalista.
Há duas versões em DVD do filme no mercado brasileiro. Uma simples e outra em edição dupla, com extras bacanas contendo documentários e entrevistas.
10,0
