Cloverfield – Monstro
Por André Azenha (10/02/2009) // ComentePor: André Azenha
Cloverfield – Monstro (Cloverfield, EUA, 2008). Direção: Matt Reeves. Rotero: Drew Goddard. Elenco: Lizzy Caplan, Jessica Lucas, T.J. Miller. Ação / Terror. 85 min. (Cor).
7,5
Ao melhor estilo “A Bruxa de Blair” (1999), o marketing viral fez de “Cloverfield” o filme de monstro mais esperado dos últimos tempos. Os primeiros trailers não davam pistas sobre o que se tratava, a não ser revelar o nome de J. J. Abrams (criador do seriado “Lost”) na produção.
O longa, feito por velhos parceiros de Abrams – Drew Goddard (“Lost”, “Alias”, “Buffy”) escreveu e Matt Reeves (“Felicity”) dirigiu – impressiona pelo clima eletrizante, os ótimos efeitos visuais (o monstro, seus “filhotes” e a destruição dos prédios na metrópole parecem de verdade) e o realismo impressionante com que as cenas são rodadas, mas derrapa ao escancarar verdadeiros buracos no roteiro.
A trama acompanha um jovem prestes a ir para o Japão – a terra dos monstros gigantes – que vê sua despedida se transformar numa noite de terror com a chegada de uma criatura a NY.
Apesar da “homenagem”, a obra tentou não ser mais um filhote de “Godzilla”, trocando o teor trash do clássico japonês de 1954 por uma roupagem quase independente – a maneira como foi filmado, com câmeras digitais caseiras, serve para reforçar mais ainda as comparações com o “A Bruxa de Blair” – porém vale lembrar que o antigo filme teve orçamento de US$ 30 mil, enquanto “Cloverfield” custou mais de US$ 30 milhões. Traçando outro paralelo com o monstrengo nipônico, sai o Japão destruído após a Segunda Guerra Mundial, e entra em cena a NY pós 11 de setembro. Assim sendo, a figura do monstro serve como analogia ao trauma sofrido pela população.
Com um elenco jovem e competente, a trama consegue prender a atenção do público, tem trilha sonora em volume máximo e ainda faz uma pequena crítica à intervenção militar americana em situações de risco. Pena que não consiga fugir de certos clichês. Porque em histórias do gênero sempre tem alguém que precisa insistir em colocar tudo a perder, arriscando a própria vida e a dos amigos? Além disso, fica difícil acreditar que a bateria da câmera dure tanto (a do celular acaba bem antes).
E se você é fã de filmes de monstro, vale optar por “O Hospedeiro”, filme coreano muito mais original e divertido.
