Batman Begins

Por André Azenha (08/02/2009) // Comente

Por: André Azenha

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Batman Begins (Idem, EUA, 2005). Direção: Christopher Nolan. Roteiro: Christopher Nolan e David S. Goyer, baseado em estória de David S. Goyer e nos personagens criados por Bob Kane. Elenco: Christian Bale, Morgan Freeman, Gary Oldman, Michael Caine, Katie Holmes, Liam Neeson, Tom Wilkinson, Rutger Hauer, Cillian Murphy, Ken Watanabe. Aventura / Ação / Drama. 134 min. (Cor).

9,5

Esqueça todos os filmes e o seriado ‘camp’, dos anos 60, feito sobre o personagem anteriormente – estamos falando as produções com atores de carne e osso, pois “Batman – A Máscara do Fantasma”, longa de animação lançado no cinema, era bom, muito bom. Ok, os longas de Tim Burton (com gente de verdade) também eram bacanas. Mas muito mais sob o ponto de vista autoral do cineasta do que enquanto adaptação cinematográfica dos gibis do herói. A trajetória do homem-morcego começou a ser contada de forma decente somente neste longa-metragem.

O diretor Christopher Nolan (de espetacular “Amnésia”, 2000), que também escreveu o roteiro em parceria com David S. Goyer (da série “Blade”) finalmente realizou uma produção digna do personagem, dando uma “cara real” à história de Batman, contando sua origem de forma muito próxima daquela narrada nas HQs (inspirado principalmente na saga dos quadrinhos “Batman – Ano Um” (de Frank Miller), e mesclando ação bem feita com drama.

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Se nos filmes de Tim Burton, Batman era praticamente um personagem secundário, já que os vilões tinham bastante tempo em cena e tinham suas trajetórias muito mais desenvolvidas, dessa vez houve uma preocupação de fã em contar de forma detalhada a criação do “cruzado de capa” – e Batman só aparece uniformizado com mais de uma hora de projeção.

Ao contrário das carnavalescas produções de Joel Schumacher, foi concebida uma trama sombria, mostrando uma Gotham City dominada pelo tráfico de drogas (cujo chefão é Tom Wilkinson), sob a mira da Liga das Sombras (que tem o intuito de reestruturar a cidade, destruindo-a antes) e onde os bandidos acabam sob a “psicologia” do Espantalho (Cillian Murphy). Além disso, cada equipamento, a Batcaverna, simplesmente tudo ganhou uma explicação plausível para existir.

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O desenvolvimento foi tal, que os criadores do longa puderam deixar o Coringa para o filme seguinte. E Nolan ainda conseguiu aliar ao apuro técnico (escudado por orçamento de US$ 135 milhões), a reunião de um elenco fabuloso, com atores consagrados e outros jovens de talento.

Christian Bale, o melhor ator a incorporar o papel, Morgan Freeman, na pele do conselheiro Lucius Fox, Gary Oldman perfeito como o então Tenente Gordon, Michael Caine dando show no papel do mordomo Alfred, Katie Holmes vivendo o interesse romântico, promotora Rachel, criada especialmente para o cinema, Liam Neeson interpretando magistralmente Henri Ducard, responsável pelo treinamento de Bruce Wayne, Tom Wilkinson divertindo-se como mafioso Carmine Falcone, Rutger Hauer fazendo o executivo pilantra Richard Earle, Cillian Murphy esbanjando insanidade sob a máscara do Espantalho e Ken Watanabe (“O Último Samurai” e “Cartas de Iwo Jima”) dando vida a Ra’s Al Ghul. Todos em boas e ótimas interpretações.

Depois desse, o cinema de super-heróis tomaria outro caminho. Os produtores passaram a acreditar que era possível fazer um filme do gênero sem idiotizá-lo e ainda assim atrair o grande público, atores e diretores consagrados passaram a prestar atenção nesse tipo de projeto e fãs dos quadrinhos puderam comemorar. Tudo isso seria intensificado na continuação, “O Cavaleiro das Trevas”.

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