Kung Fu Panda
Por André Azenha (07/02/2009) // ComentePor: André Azenha
Kung Fu Panda (Idem, EUA, 2008). Direção: Mark Osborne e John Stevenson. Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger, baseado em estória de Ethan Reiff e Cyrus Voris. Animação. 92 min. (Cor).
8,5
A maior bilheteria da DreamWorks, estúdio de Steven Spielberg, Jerry Katzenberg e David Geffen, é a animação “Shrek”: a trilogia completa arrecadou ao redor do globo mais de US$ 2 bilhões. Como a franquia está quase no final (haverá apenas mais uma produção, em 2010), a empresa tratou de criar outro bichinho animado para fisgar a platéia. E de forma inteligente, aproveitou de forma inteligente para lançar o filme com enredo sobre alguém fanático por artes marciais, poucas semanas antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Passada na China imperial, o desenho combina conto de fadas com ensinamentos básicos de filosofia oriental.
Detentor de peso, certo charme e aquele “ar” de figura desajeitada que remete ao ogro verde, um preguiçoso urso panda surge como o grande astro de “Kung Fu Panda”, desenho animado que aumentou o caixa da DreamWorks em mais algumas centenas de milhões de dólares.
Logicamente foram escalados para dublar os principais animaizinhos da trama um verdadeiro “dream team” do cinema atual. A lista é grande e inclui Jack Black (na voz do protagonista), Dustin Hoffman (o mestre Shifu, cujo nome na China significa “Professor”), Angelina Jolie (Tigresa), o comediante Seth Rogen (Louva-deus), Jackie Chan (Macaco), Ian McShane (Tai Lung) e Lucy Liu (Víbora). E diferente de outras animações recentes, quando os desenhos continham traços dos atores responsáveis pela dublagem, aqui não há a menor semelhança – na versão brasileira, a dublagem ficou a cargo de Lúcio Mauro Filho (Po) e Juliana Paes (Tigresa), os rostos mais conhecidos do público e que não prejudicam a históri
a.
Na trama, Po é um urso panda desajeitado, que trabalha no restaurante de macarrão de sua família – inexplicavelmente ele é filho de um ganso! Um dia ele é surpreendido ao saber que foi escolhido para cumprir uma antiga profecia, o que faz que ele treine ao lado de seus ídolos no kung fu: os mestres Shifu, Garça, Tigresa, Louva-deus, Macaco e Víbora. Quando o traiçoeiro leopardo da neve Tai Lung retorna, cabe ao urso defender o Vale da Paz.
Com todos os ingredientes que fizeram as obras da Dreamworks se tornarem sucesso (momentos “fofinhos”, gags, referências a outras produções – no caso, filmes de kung fu do Oriente), o filme pode ser considerado uma mistura eficiente de Shrek com as produções de Hong Kong. Os duelos são bem encenados, e inclusive o estilo de luta dos integrantes dos Cinco Furiosos (Macaco, Tigresa, Garça, Louva-deus e Víbora) é composto por técnicas de artes marciais baseadas nos próprios animais. Os fãs dos longas orientais ainda poderão notar uma homenagem: os personagens KG Shaw e JR Shaw são referências aos irmãos Shaw, que criaram diversos filmes de kung fu na década de 70.
“Kung Fu Panda” só deixa um pouco a desejar na resolução um tanto óbvia sobre a maneira como Po se torna um lutador. Porém, ainda assim vale a conferida, só não foi “a animação” de 2008, porque um pouco antes teve um tal de “Wall-E” para mudar o curso da história do cinema. Mas trata-se de diversão garantida, principalmente para a garotada, indicada ao Oscar de Animação.

