Clube da Lua
Por André Azenha (01/02/2009) // ComentePor: André Azenha
Clube da Lua (Luna de Avellaneda, Argentina, 2004). Direção: Juan José Campanella. Roteiro: Juan José Campanella, Fernando Castets e Juan Pablo Domenech. Elenco: Ricardo Darín, Eduardo Blanco, Valeria Bertuccelli, José Luis López Vázquez, Mercedes Morán. Drama. 143 min. (Cor).
8,0
“Clube da Lua”recebeu algumas críticas negativas. O longa é a terceira parceria (as outras foram em Um Mesmo Amor, Uma Mesma Chuva”, de 1999 e “O Filho da Noiva”, de 2001) do diretor e roteirista Juan José Campanella com o ator Ricardo Darín (um dos grandes atores sul-americanos em atividade). Devido às expectativas criadas pela magnífica obra de 2001, indicada ao Oscar de Filme Estrangeiro, muito se esperou desse último. Mas vamos ser justos. “Clube da Lua” é um filme bonito, certinho, que emociona em algumas partes e faz rir em muitas outras.
A trama se passa ao redor do clube Luna de Avellaneda, que em tempos passados teve cinco mil sócios e fazia a alegria da sociedade, mas que na atualidade passa por grandes dificuldades, com goteiras, pouco mais de trezentos contribuintes, sendo que muitos já não para mais as mensalidades, o que gerou uma dívida de 40 mil pesos com o governo.

Nesse contexto, Román Maldonado (Darín) tenta segurar as pontas do local, ao mesmo tempo que enfrenta uma crise conjugal. E a partir daí histórias se desenvolvem e se encontram. Amadeo Grimberg (Eduardo Blanco, repetindo a ótima química com Ricardo de “O Filho da Noiva”) é um dos diretores do Luna, mas é alcoólatra e encontra na nova professora de dança Cristina (interpretada pela bela Valeria Bertuccelli) uma oportunidade para dar sentido a sua vida. E outras personagens completam a turma, cada um com seus problemas e visões de mundo.
Mas o centro da narrativa, é a venda ou não do clube falido, que pode garantir duzentos empregos aos moradores da região. É então que Campanella repete a fórmula de mirar suas câmeras e idéias na visão dos perdedores, na redenção de quem perdeu (quase) tudo. Há quem diga que ele falhou ao não conseguir dar o tom de herói a Román, pois o público ao invés de admirá-lo, pode sentir pena dele. Não é bem por aí, e a mensagem positiva continua valendo, inserida no contexto social do país vizinho, que assim como o Brasil, passa por grandes dificuldades. Os questionamentos do filme são os seguintes: No final, quanto vale viver uma vida atrás de um sonho? Ou vale sacrificá-la por esse sonho, mesmo que possa parecer ter sido em vão? Vale desistir desse sonho pelos caminhos que se insinuem certos a serem seguidos? Enfim, perguntas que gente comum como eu e você, caro leitor, em algum momento de nossas vidas fizemos.
O filme é longo, porém prazeroso. Talvez seu único escorregão (nem tão “ão” assim) seja o final fantasioso demais. Mas em uma indústria cinematográfica atual que sente a falta de um pouco de poesia, é sempre bom ver obras como essa, que tem momentos de puro lirismo como a cena de Dom Aquilles (soberbamente concebido por José Luis López Vázquez) no hospital. Fica a dica.
