9 – A Salvação
Por Ricardo Prado e Jean Garnier (09/10/2009) // Comente
9 – A Salvação (9, 2009). Direção: Shane Acker. Roteiro: Shane Acker, Pamela Pettler. Elenco: Elijah Wood, Jennifer Connelly, John C. Reilly, Crispin Glover, Christopher Plummer, Martin Landau (vozes). Animação / Aventura. 79 min. (Cor).
Por Jean Garnier
No ano passado, a animação “Wall-E” mostrou um planeta Terra abandonado e soterrado pelo lixo, no qual apenas um pequeno andróide tentava dar um jeito em toda a sujeira, na esperança de que um dia o homem pudesse habitá-la novamente. “9 – A Salvação” é o retrato de uma catástrofe do mundo pós-apocalipse, no qual toda a raça humana foi exterminada por máquinas que se rebelaram contra cientistas, semeando o caos. Nessa baderna toda, restaram de uma experiência científica apenas nove bonecos, chamados de stitch-punks, sendo que eles eram as únicas esperanças de restaurar a vida.
Neste contexto, 9 (voz de Elijah Wood), ao acordar no meio da oficina do seu criador, se vê perdido e solitário no meio de todos os destroços, e vai ao poucos descobrindo que não é o único. Igual a ele há o 1, líder, mais velho, arrogante e covarde; 2, gentil e eficiente; gêmeos 3 e 4, tímidos, curiosos e mudos; 5, o curandeiro e caolho; 6, o artista visionário; 7, a guerreira e aventureira; e 8, o segurança e mais bobo. Mesmo sendo o mais novo nessa tribo, 9 tenta convencer aos demais para partirem em uma jornada de descobrimento de si mesmos e saber porque são perseguidos por uma engenhoca portada de inteligência artificial que foi construída na Alemanha depois da primeira guerra mundial.
Produzido por Tim Burton, o filme traz o visual extraordinário do cineasta. As formas como os personagens são elaborados e se relacionam na trama criam um clima interessante. Os fantoches possuem semelhanças físicas (como as costuras no peito – enquanto o protagonista tem um zíper, outros têm botões e rendas), mas suas personalidades são diferentes.
Shane Acker dirigiu e escreveu o roteiro que foi baseado no seu curta-metragem homônimo, lançado em 2005 e indicado ao Oscar da categoria. Como é costume, as referências a outros filmes não poderiam faltar, e aqui as mais fortes são em relação a “Pinócchio” (principalmente no início, quando 9 está sendo moldado) e “O Mágico de Oz” (a canção “Somewhere Over the Rainbow” chega ser executada por uma vitrola em um momento festivo.)
No geral, o resultado é sombrio, bucólico, divertido. Há violência, mas não sangue. Num todo, o longa soa arrojado por se diferenciar da leva de desenhos 3D totalmente coloridos.
8,0
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Por Ricardo Prado
Apesar de ter chegado ao Brasil depois de estrear lá fora, conseguiram lançar o filme num dia 9, mas pouco importa, já que, nos Estados Unidos, saiu no dia 09/09/09. Mas, pouco importam as coincidências numéricas. “9 – A Salvação” tem um visual inovador, um conceito bastante original e uma atmosfera muito bem construída. Seria tão bom se tivesse uma condução melhor. É bom que o espectador tenha cuidado com expectativas muito altas, já que “9 – A Salvação” pode decepcioná-lo.
Em um futuro apocalíptico onde os humanos perderam a batalha para as máquinas, um boneco de pano parece criar vida e sai pelo mundo em busca de respostas para sua existência. Ele tem o número nove marcado nas costas, e logo encontra outros bonecos, todos com números como nomes. O protagonista tem a voz no original dublada por Elijah Wood, mas também estão no elenco Jennifer Connelly, John C. Reilly e até Martin Landau.
Há uma história boa por trás de “9 – A Salvação”. Ele é baseado no curta dirigido pelo próprio diretor, como projeto de aluno de cinema. Dizem que Tim Burton assistiu, adorou e fez questão de produzir a adaptação daquele curta em longa-metragem. Quando se sabe dessa origem, fica mais fácil de perceber os problemas no roteiro de “9 – A Salvação”. O maior deles: parece um curta alongado. Não introduziram elementos a mais, mantiveram uma história que poderia facilmente ser contada em 10 minutos, só que alongada para 80. E, por conta disso, que podem surgir alguns bocejos.
Só que “9 – A Salvação” tem um visual incrível. Já há alguns anos vemos recebendo verdadeiras jóias da animação, sendo “Wall-E” o máximo delas. “9 – A Salvação” vai além ao construir uma atmosfera aterrorizante e, ao mesmo tempo, familiar. Não se sabe ao certo em que época se passa, mistura um futuro apocalíptico com decoração vintage, lá dos anos 30 e 40, com destaque para um rápido número musical de “Somewhere Over the Rainbow”. Mesmo com os próprios bonecos, a atenção a detalhes é notável, e digna de servir de exemplo para o futuro.
Pode até ser que “9 – A Salvação” se perca na hora de contar sua história, mas isso não derruba o filme, exceto para quem esperava um novo “Wall-E” ou “Coraline e o Mundo Secreto”. Como sempre, expectativas incompatíveis podem fazer injustiças a um filme. Confira “9 – A Salvação” caso não seja muito exigente em relação a roteiros, mas, por Deus, não leve crianças.
7,5


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