4º Curta Santos
Por André Azenha (23/12/2008) // 2 comentáriosFotos: Rafael Ponzio
Matéria originalmente publicada no site PoppyCorn em 6/10/2006

Cidade próspera em revelar talentos artísticos, Santos já merecia há algum tempo um lugar ao sol no circuito de grandes eventos culturais brasileiros, afinal, a cidade paulista já revelou uma boa quantidade de gente talentosa para as artes cênicas. Só para citar alguns, Nuno Leal Maia, Alexandre Borges , Bete Mendes, Sérgio Mamberti, o diretor José Roberto Torero, entre outros que serão citados abaixo. Como comprovação desse reconhecimento, a quarta edição do Festival Santista de Curtas-Metragens serviu para mostrar o potencial cultural do município, que através do evento, alavancou uma nova geração de Toreros, Sérgios e Betes.
Com um crescimento gradativo desde sua primeira edição (houve um salto de 26 filmes inscritos da primeira ocasião para 300 nessa, sendo que 90 selecionados para a mostra competitiva), o festival esse ano homenageou o fotógrafo Chico Botelho. A abertura , no antigo e agora reformado e belo Teatro Coliseu, serviu como ponto de encontro para diferentes tipos de talentos ligados à sétima arte. A noite começou com Arrigo Barnabé executando preciosidades ao piano e seguiu com momentos bonitos e outros engraçados, com entregas de prêmios reverenciando alguns presentes. Entre os lembrados, a diretora Carla Camurati, a atriz Eliane Laje, a família de Botelho e os atores santistas Ney Latorraca (patrono da festa) e Paulo Vilhena. O jovem ator compareceu em virtude de sua participação no longa “O Magnata”, escrito por Chorão (prêmio Maurício Legeard), que também deu suas caras no local. O público formado por pessoas ligadas à cultura, autoridades e jovens artistas da região, ainda pôde ver Rubens Ewald Filho se derretendo por Eliane Laje, chamando-a de Greta Garbo brasileira. O crítico falou da importância para quem está chegando na área. “A melhor maneira de provocar a revelação de novos talentos é com um festival de curtas, ao invés de gastar dinheiro em eventos que não dão frutos. O caminho é fazer festivais e produzir leis que incentivem a realização dos cineastas locais. Não vou entrar no mérito do que é bom ou não, é fazendo que se aprende, e é assim que vai nascer o futuro cineasta”, afirmou.
Com dezesseis locais de exibição (espalhados entre universidades, cinemas, bares e o Sesc de Santos), produções concorrentes de diferentes lugares do estado de São Paulo, a maratona cinematográfica ainda contou com a mostra paralela “A Aventura do Cinema Paulista”, que fez marmanjões chorarem ao terem a oportunidade de relembrar a Vera Cruz, o cinema de boca (referência à Boca do Lixo, época da maior produção cinematográfica tupiniquim, entre os anos 40 e 80, de produções baratas e até certo ponto toscas) e a pornochanchada. Entre as exibições (todas gratuitas), pérolas como “Mulheres do Cais” (que foi precedida pelo curta-metragem “Cais do Porto”), “O Corintiano”, “O Matador Sexual” e o “Bandido da Cruz Vermelha”.
Após cinco dias de diversão para cinéfilos e satisfação para novos profissionais, o júri escolheu os vencedores, em festa na Cadeia Velha (hoje oficina cultural Pagú), no dia 29. Na categoria Olhar Paulista 16mm o prêmio de Melhor Filme foi para “Iara do Paraitinga”, de Mariana Gabriel, sobre o reaparecimento de Iara em São Luís do Paraitinga, interior de São Paulo. Entre os concorrentes da Mostra Olhar Paulista 35mm, o primeiro lugar ficou com “A História Real”, de Andréa Pasquini, que focaliza a luta de funcionários para não deixar que o hospital em que trabalham feche. Já o principal prêmio da mostra Olhar Vídeo Paulista ficou com “A Boneca do Minhocão”, de Marcelo Pressotto de Castro, que fala sobre uma menina vendida pela mãe a um comerciante da Rua 25 de Março. E “Santa Cruz dos Navegantes”, de Daniel Lobo e Júlia Perisinoto, de Guarujá, garantiu a vitória na Mostra Olhar Caiçara. O enredo desse último focaliza a luta dos moradores de Santa Cruz dos Navegantes (antes conhecido como Pouca Farinha), bairro de Guarujá, para se adaptarem a um mundo no qual os antigos costumes têm pouco ou nenhum sentido. Os premiados foram exibidos no Sesc, na terça, 3 de outubro e até o fim do ano as produções passarão por várias cidades do litoral de São Paulo.
Após quase uma semana de filmes dos mais variados estilos, encontro de pessoas interessantes, ficou a prova que a produção cultural não está só nas capitais. Toninho Dantas, organizador e idealizador do evento, sintetizou bem o espírito do negócio. “Estamos aqui no litoral de São Paulo, batalhando pra tornar a descentralização cultural uma realidade, criar circuitos de exibição. Aqui está a prova que há gente interessada em criar e público interessado em conferir”, concluiu. Ponto pra ele, para os jovens profissionais de cinema e para a sétima arte, que precisa de incentivo e constante renovação.
Entrevista com Rubens Ewald Filho

Voltando à cidade natal, após viagem para Nova York, onde conferiu alguns novos filmes dos quais não gostou da maioria, o “homem do Oscar” falou sobre a importância de um festival para o iniciante em cinema e criticou o momento atual do cinema mundial, afirmando que ainda não apareceu um grande candidato ao Oscar e torcendo por “Cinema, Aspirinas e Urubus”.
Têm surgido muitos nomes novos para o cinema brasileiro, mas que nem sempre têm a oportunidade de mostrar seus trabalhos. No que pode servir de estímulo um festival como esse?
Rubens – Acho que na verdade Santos é uma cidade que tem uma tradição cultural, inclusive em cinema também, e a melhor maneira de provocar a revelação de novos talentos é com um festival de curtas, ao invés de gastar dinheiro em eventos que não dão frutos. O caminho é fazer festivais e produzir leis que incentivem a realização dos cineastas locais. Não vou entrar no mérito do que é bom ou não, é fazendo que se aprende, e é assim que vai nascer o futuro cineasta.
O Curta Santos está em qual patamar, comparando com os festivais das capitais?
Rubens – Eu não saberia te dizer. Não vou há muitos festivais de curtas e cada vez menos vou a festivais. Não fui a Gramado esse ano e tenho fugido um pouquinho de festival. Teve uma fase em que fugi e teve uma fase que fiz muito, porque é uma oportunidade de fazer arquivo de entrevistas. Nesse momento meu trabalho está um pouquinho diversificado. Estou trabalhando num pólo de cinema em Paulínia, então estamos encaminhando pra outras coisas, fazer estúdio lá, não vou dirigir, mas estou fazendo as condições para as pessoas trabalharem. Eu diria que nós não estamos vivendo uma grande fase de criação em cinema. Estamos produzindo muito, acho que oitenta filmes por ano, e a média está assim: dois filmes comerciais por ano e três de qualidade, o resto têm sido média.
O que você achou da escolha de “Cinemas, Aspirinas e Urubus” para concorrer há uma vaga no Oscar?
Rubens – Eu queria… Na verdade a produtora do filme, a Sara Silveira, pedi pra ela inscrever, ela não queria e achava que não tinha chance, e eu falei: Por favor, inscreve que vai ganhar. Achava que ganharia ao menos a indicação e as pessoas gostam do filme, que é muito legal. Tem uma coisa de cinema que pode ser que convença a platéia estrangeira. Mas não é só colocar o filme lá. Tem que ser comprado, deve haver uma campanha. É como o festival, se não tiver patrocinador não vai pra frente e acaba aquela pobreza. Eu não sei até que ponto o filme tem patrocinador, parece que não. O que eu tenho falado é que o que temos a favor é que o cinema no mundo não vive um grande momento. Acabei de voltar de Nova York e os filmes que vi lá são muito fracos. Não tem filme pra Oscar esse ano. Ano passado, “Crash” estreou em maio. A gente sabia que ele ia ganhar algum prêmio, não sabia se ganharia o de melhor filme, mas sabia que era um filme de Oscar. Esse ano não teve nenhum, zero. É uma coisa impressionante o padrão ruim e as decepções. O novo do Brian de Palma é muito ruim, o “Hollywoodland” é uma merda, o “A Grande Ilusão” não vi, mas teve críticas ridículas. Então não estou vendo e isso de uma certa maneira ajuda o filme brasileiro. Temos um bom filme esse ano, que é o “Volver” do Almodóvar. E é o filme do ano, olha que loucura. Já se fala em Penélope Cruz pra candidata ao Oscar, e quando se fala isso é pra ficar assustado. Ela pode até estar bem, falando a língua dela com o Almodóvar que é maravilhoso, mas olha o padrão da coisa. E a Maryl Streep que deve levar coadjuvante.
Entrevista com Ney Latorraca

O ator santista é macaco velho do cinema brasileiro e como o bom filho sempre à casa torna, apareceu para prestigiar o evento, do qual foi patrono e falou ao site sobre o começo da carreira, quando atuou em curtas e da importância que tem um curta para o jovem profissional
O cinema é uma área que no Brasil precisa de muito incentivo. No que o festival pode ajudar quem está chegando?
Ney – A coisa mais importante que tem é você conseguir fazer o curta-metragem. Aqui que vão nascer os diretores brasileiros. Por exemplo, eu comecei a trabalhar como ator em cinema nos curtas-metragens em São Paulo, fazia escola de teatro e trabalhava como ator nos curtas. Até hoje se me chamarem pra fazer curta, eu vou, que é o grande exercício que a gente tem. Se há uma cidade que apóia isso, e é a quarta edição, é sinal que está dando certo e isso é muito saudável. Com tanta coisa ruim que acontece no mundo inteiro e você tem a chance de fazer coisas boas, um bom cinema que faça uma denúncia, porque não fazer? As homenagens, a exibição, o exercício dos jovens diretores, roteiristas, atores, fotógrafos, isso é ótimo. O nome dos premiados, o Botelho, Mamberti, é importante mesmo.
Você está satisfeito com o nível do festival?
Ney – Acho muito feio falar “esse é o melhor festival da América do Sul” ou ficar dando estrelinhas ou bolinhas para avaliar um filme ou festival. O importante é a qualidade do festival em si, dentro da cidade e o que ele vai exportar. Mas o evento será um sucesso.

Veja o novo trailer do episódio especial com a Sociedade da Justiça da América
Na verdade faço parte de uma companhia de teatro a Cia Livre de Teatro de São Jose do Rio Preto e gostari se possível informações sobre festivais de curta teatro no qual gostariamos muito de nos inscrever, se possivel por favor nos mande.
Obrigado pela atenção.
Olá Anderson, tente contato nos sites do Curta Santos http://www.curtasantos.com.br e do Festival Santista de Teatro http://www.festasantos.com.br
abraços,
André Azenha