Hellboy II – O Exército Dourado
Por André Azenha (14/03/2009) // ComentePor: André Azenha
Hellboy II – O Exército Dourado (Hellboy II: The Golden Army, EUA / Alemanha, 2008). Direção: Guillermo Del Toro. Roteiro: Guillermo del Toro, baseado em estória de Mike Mignola e Guillermo del Toro e nos personagens criados por Mike Mignola. Elenco: Ron Perlman, Selma Blair, John Hurt, Doug Jones, Anna Walton, Luke Gross. Aventura / Fantasia. 120 min. (Cor).
9,5
O mexicano Guillermo del Toro é um cara bacana. Não bastasse ser um cineasta talentoso, principalmente quando se trata de criar tramas fantasiosas com criaturas fantásticas, ele é um diretor e roteirista que tem suas equipes na mão, sabe dirigir atores, e geralmente seus trabalhos mesclam ação (ou terror, suspense, o gênero que preferir) e efeitos visuais competentes com qualidade artística. Foi assim no assustador “A Espinha do Diabo” (2001), no primeiro “Hellboy” (2004), e principalmente na fábula “O Labirinto do Fauno” (2006), produção de baixo orçamento que impressionou pelos efeitos convincentes e arrebatou três estatuetas no Oscar (ele ainda produziu “O Orfanato“). Mas até então, apesar dos elogios da crítica, Guillermo não conseguiu uma bilheteria exorbitante. O que ocorre se ele tem todas essas qualidades?
Uma boa chance para levar seu trabalho ao grande público aconteceu com “Hellboy II – O Exército Dourado”, filme que faz parte de um seleto grupo de continuações que foram superiores aos longas anteriores, como “O Império Contra-Ataca”, “O Exterminador do Futuro 2” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” – todos sucessos entre a mídia especializada e a platéia.
Dá para explicar. “Hellboy”, a HQ, criada por Mike Mignola em 1993, sempre foi bacana, vende bem para o tamanho da sua editora, a Dark Horse, mas jamais competiu comercialmente com os heróis das duas grandes editorias de quadrinhos dos EUA: Marvel e DC. O mesmo tipo de comparação pode ser levada ao cinema. Enquanto “Homem-Aranha”, “X-Men” e “Batman” levaram o mundo a reboque, “Hellboy” até fez bilheteria razoável, mas longe de alcançar os números dessas outras franquias.

No segundo filme sobre o vermelhão, o que pôde ser constatado foi um tremendo erro de planejamento: o lançamento aconteceu na mesma época de “O Cavaleiro das Trevas” (simplesmente uma das maiores bilheterias de todos os tempos, e alardeado pelos quatro cantos do globo principalmente pela presença do falecido Heath Ledger), e acabou não recebendo a devida atenção. Uma Pena. Pois, mesmo se distanciando do estilo dos gibis do personagem, “Hellboy 2” é um espetáculo. Tanto visual, quanto de direção e trabalho de elenco. Se o primeiro ainda mantinha os aspectos sombrios do gibi, neste Del Toro simplesmente assumiu o caráter de fábula, caprichando na concepção das criaturas fantásticas, sem abdicar de ótimas sequencias de luta, correria e bom humor – e nesse caso, a troca pelo tom obscuro por algo mais divertido se mostrou um tamanho acerto, quiçá (e alguns fãs podem esbravejar), tornando a série para o cinema tão legal ou melhor que as HQs do protagonista.
O salto evolutivo de um filme para o outro tem muito a ver com outro longa do diretor. Não à toa, em determinado momento dos extras da edição para home vídeo do filme, um dos produtores diz: “Eu falava pra ele (Guillermo): você não está fazendo a continuação de ‘Hellboy’, mas sim a de ‘O Labirinto do Fauno’”. Sem dúvida. Ao conferirmos a produção, nos deparamos uma história repleta de trolls, elfos, seres capazes de dar inveja a George Lucas (a quem a fita homenageia sutilmente).
Além disso, grande parte da semelhança com o longa de 2006 está no fato de cada criatura soar real. Guillermo cria um espetáculo visual à moda antiga. A maquiagem, os efeitos, são “reais”. Não há o abuso de CGI como em obras cinematográficas recentes. Tal qual “O Labirinto do Fauno”, houve um trabalho minucioso (como pode ser conferido no documentário do Disco 2 que vem no DVD duplo) para transformar os atores em personagens de contos de fadas.

Na história, um príncipe elfo (Luke Gross) deseja reativar o tal exército dourado do título para tomar conta do planeta. É a velha trama sobre o conflito entre humanos e seres mágicos. Mas se o enredo numa primeira impressão soa batido, é só o filme ter início que o espectador é convidado a entrar numa maravilhosa fábula que envolve completamente quem a está assistindo.
Del Toro dá um banho de direção, e os atores se entregam de corpo e alma para encarnarem seus respectivos papéis – muitos precisaram ficar até oito horas sentados numa cadeira para serem maquiados. A trama também alterna com bastante competência diferentes gêneros.
Há duas histórias de amor em jogo. Liz Sherman (Selma Blair, bonita, sempre bonita) está grávida de Hellboy (Ron Perlman). Enquanto isso, Abe Sapien (Doug Jones) se descobre envolvido pela causa da princesa Nuada (Anna Walton), que precisa esconder de seu irmão uma última parte da coroa que pode despertar o exército maligno.
Ao mesmo tempo, se ficamos sensibilizados com os conflitos amorosos, há vários instantes capazes de fazer rir. Já as cenas de luta são eletrizantes. E tecnicamente cada quadro é um show a parte. Quem adquirir o DVD duplo poderá ver como foram criados Johann Krauss, um ser feito de gazes que é chamado para comandar a agência da qual Hellboy faz parte, e principalmente, o monstrengo de mais de dois metros de altura, Wink, que auxilia o príncipe Nuada na caça à última parte da coroa.
“Hellboy II – O Exército Dourado”, além dos DVDs simples, duplo, e uma edição limitada com um livro, chega também no formato blu-ray ao mercado brasileiro. Uma grande chance para que justiça seja feita e o filme seja descoberto.
Ah, sobre aquele cara bacana do início do texto, Guillermo del Toro, a admiração por ele se torna ainda maior quando ficamos sabendo que, mesmo com a Revolution Studios e a Sony tendo abandonado o projeto (cujos direitos foram adquiridos pela Universal), e ele recebido convites para dirigir blockbusters como “Eu Sou a Lenda” e “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, o sujeito seguiu o caminho que acreditava ser o correto – realizar “Hellboy II”. Ganhar o mundo é apenas um detalhe, que pode acontecer em “O Hobbit”, filme com os acontecimentos anteriores à saga “O Senhor dos Anéis”, que será produzido por Peter Jackson e dirigido pelo mexicano. Dessa vez, com o planejamento certo, ninguém irá segurar esse cineasta gente fina.
CONFIGURAÇÃO DO DVD:
Formato de Tela: 1.78 Windescreen Anamórfico
Legendas: Inglês e Português
Áudio: Inglês e Português 2.0 Dolby Digital
Região: 4
- DVD Versão Dupla
Extras Disco 1: Filme; Comentários do Diretor; Visitas ao Set; Anotações do Diretor
Extras Disco 2: Prólogo (0:23); Hellboy: a servico do diabo (154:41); Oficina de Produção – Introdução/ O Teatro do Prof Broom (7:56); Galeria com Mike Mignolia – Criador de Hellboy (36:21); Passeio pelo Mercado Troll (12:22); Epílogo de Zinco (5:15); Cenas Excluídas com comentários Opcionais de Guilhermo del Toro (5:03)
- Versão Limitada do DVD
DVD + Livro sobre o personagem
CONFIGURAÇÃO DO BLU-RAY:
Formato de Tela: 1.85 Windescreen Anamórfico
Áudio: 5.1 DTS-HD (Inglês) / 5.1 DTS (Português, Espanhol, Tcheco, Húngaro, Polonês, Tailandês, Russo)
Legendas: Inglês, Português, Tcheco, Húngaro, Espanhol, Polonês, Tailandês, Búlgaro,Croata, Grego, Hebreu, Islandês, Turco, Coreano, Romeno, Chinês
Extras: Controle U – Picture in Picture: Galeria de Arte Conceitual em 4 Cenas do Filme / Explorador de Cena em 3 cenas – Multi-Ângulo com Diversos Estágios dos Efeitos Especiais / Bloco de Notas do Diretor em 05 Cenas / Visitas ao Set em 05 Cenas do Filme, Comentários do Filme com o Diretor Guillermo del Toro (1), Comentários do Filme com os Atores Jeffrey Tambor, Selma Blair e Luke Gloss (2) (Extras com legendas em Português; Espanhol; Polonês; Russo; Grego; Coreano. Comentários sem legendas)
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