Hospedeiro, O

Por André Azenha (11/01/2009) // Comente

Por: André Azenha

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O Hospedeiro (Gwoemul / The Host, Coréia do Sul, 2006). Direção:  Bong Joon-ho. Roteiro: Baek Chul-hyun, Ha Won-jun e Bong Joon-ho. Elenco: Byeon Hie-bong, Song Kang-ho, Ko Ah-sung, Park Hae-II. Terror. 119 min. (Cor).

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Foi-se a época em que o cinema oriental se resumia às produções oriundas do Japão e da China (principalmente Hong Kong). A Coréia do Sul vem galgando degraus desde o início da década passada com obras inovadoras, cujos roteiros inteligentes destoam do cinema ocidental atual. Um belo exemplo dessa evolução é a trilogia da vingança do diretor Park Chan-wook, formada pelos chocantes “Simpathy for Mr. Vengeance” (2002), “Old Boy” (2003) e “Lady Vingança” (2005).

Ao lado de Park, um diretor mais jovem também vem chamando a atenção. Depois de retratar o primeiro assassino em série coreano e criticar a ditadura do país no excelente “Memórias de um Assassino” (2003), Bong Joon-ho voltou a trabalhar com os atores Song Kang-Ho e Park Hae-II (ambos de “Memórias…”) e realizou um filme de terror com toques trash e pitadas de comédia. A princípio, poderia parecer mais um filme B de potencial cult para impressionar Quentin Tarantino, mas “O Hospedeiro” não apenas se tornou o longa mais lucrativo na história do cinema coreano, como também foi ovacionado festivais mundo afora e promete fez bonita carreira internacional – inclusive conseguiu espaço no mercado americano.

Na trama, Hie-bong (Byeon Hie-bong) e sua peculiar família moram na beira do rio Han, onde possuem uma barraca de comida no parque. Seu filho mais velho, Kang-du (Song Kang-ho), tem 40 anos, mas é meio abobalhado. A filha do meio é arqueira do time olímpico coreano e perde a chance do ouro na Olimpíada de Sidney porque ultrapassa o tempo permitido. Já o filho mais novo está desempregado e bebe pra burro. Todos cuidam da menina Hyun-seo (Ko Ah-sung), filha de Kang-du, cuja mãe saiu de casa há muito tempo. Um dia surge um monstro no rio, fruto de substâncias tóxicas despejadas por um laboratório a comando de um norte-americano, causando terror nas margens e dando um sumiço na menina. A família acaba se unindo e sai à caça da criatura.

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“O Hospedeiro” é filme de monstro, possui as características do gênero, mas tem qualidades peculiares. Apesar de manter certos aspectos do país de origem (para nós ocidentais é fácil se chocar com uma troca de sopapos de motivo aparentemente bobo entre pai e filho, mas quem acompanha jogos de futebol daquele país já viu técnico esbofeteando jogadores – lá é normal o mais velho “bater” no mais jovem, para dar “exemplo” e “educação”), é uma história universal, e tem efeitos especiais competentes, afinal a verba não foi hollywoodiana. A Weta Workshop, a mesma empresa que cuidou dos efeitos especiais de “O Senhor dos Anéis”, foi responsável pelo modelo do monstrengo.

Ao mesmo tempo, é também uma aventura dramática com teor sociopolítico. Bong Joon-ho, junto com os co-roteiristas Baek Cheol-Hyeon e Hah Joon-Won, utilizou um incidente real que aconteceu em 2000 no país para falar da desconfiança do povo em relação ao governo e suas mentiras. No caso, o cineasta aproveita ainda para criticar a intervenção norte-americana em terras estrangeiras. E a obra acaba se revelando uma ótimo mix de terror, comédia e cinema trash. E o final não tenta agradar ninguém. Se você gostou de “Cloverfield”, saiba que este é muito, mas muito melhor.

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