Crítica | 1917 (2019)

Narrando a história de dois soldados que recebem a missão de transmitir uma mensagem durante a Primeira Guerra Mundial, 1917 é muito mais do que um filme de guerra.

A trama traz os soldados britânicos Blake e Schofield. Eles partem em uma missão para transmitir uma mensagem aos seus aliados. Encontram uma armadilha montada pelos alemães e, caso não consigam percorrer a absurda distância a tempo, milhares de soldados morrerão – inclusive o irmão de Blake. Ocorre que, para chegar ao seu destino final, os dois amigos precisam atravessar zonas inimigas, enfrentando diversos perigos que os testam a todo momento.

1917 é uma história sobre heroísmo, coragem e amizade, se destacando dentre os vários filmes de guerra por ser uma história menos sobre o conflito bélico e mais sobre uma missão que deve ser cumprida. O longa não tenta ensinar o que foi a Primeira Guerra. Mesmo tendo um embasamento histórico real, a preocupação parece ser contar a história dos dois soldados, o que faz com que a guerra seja quase como um plano de fundo.

Fraser Young, Scott Harrington, and Elliot Baxter in 1917 (2019)

A forma como a história é narrada é o destaque do filme, feito sem cortes aparentes entre as cenas e a câmera nunca deixa os protagonistas. Isso causa uma sensação de proximidade muito grande, é quase como se você fosse parte da jornada dos soldados, estando ao lado deles em cada momento da jornada. O resultado disso é que parece que você está vivendo as cenas.

Há um ritmo intenso, pois até mesmo nos momentos de calmaria há uma tensão no ar, garantindo que o filme não pareça arrastado ou longo demais.

As sequências de ação são muito boas, com momentos eletrizantes, justamente por não termos total clareza do que está acontecendo ao redor dos soldados. Tensão e ação se unem de uma forma quase sufocante, de tirar o fôlego!

Os momentos dramáticos também merecem destaque, com cenas onde os personagens precisavam engolir tudo de ruim que acontecia ao seu redor para seguirem em frente, por vezes movidos por instinto e senso de dever, afinal o tempo era curto!

Mesmo sendo nomes relativamente novos para o grande público, Dean-Charles Chapman (Game of Thrones) e George Mackay (Capitão Fantástico) entregaram uma performance maravilhosa como os protagonistas, mostrando uma boa dose de versatilidade em sua atuação, capazes de sustentarem a narrativa – por vezes sozinhos – sem que isso se torne um fardo para quem está assistindo.

Interessante que os dois atores são quase desconhecidos do grande público, o que funciona muito bem para a história, contribuindo para a imagem de que eles são apenas mais dois soldados comuns em uma guerra.

Alfred Hubert Mendes foi um escritor de Trinidad e Tobago que acabou atuando como mensageiro para o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Autor de várias obras e contos, nunca chegou a escrever todos aqueles que queria, mas os relatava para seu neto, Sam Mendes, famoso e competente diretor de produções como Beleza Americana e 007 – Operação Skyfall. Assim, trouxe uma das histórias do avô à vida com 1917.

1917
1917
Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Espanha, Canadá. 2019.
Direção: Sam Mandes.
Com Dean-Charles Chapman, George MacKay, Colin Firth, Benedict Cumberbatch.
119 minutos.


 

Rodrigo Rema nasceu em Santos, é amante de cinema, assistidor de séries e filmes, estes há 25 anos, sendo frequentador assíduo das salas de exibição semanalmente, leitor de livros e internet, praticante de tênis de mesa. Admirador desde a saga Star Wars até os heróis e vilões presentes em Os Vingadores, passando pelos clássicos de terror, como O Cemitério Maldito, O Iluminado e It: A Coisa, adaptados das obras de Stephen King.

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