Crítica | O Melhor Está Por Vir (Le meilleur reste à venir, 2019)

Há anos o cinema francês não investe somente no cinema autoral, aquele premiado em festivais e que tornou a produção do país tão importante e influente, incensado pela crítica, em universidades, cursos, herança da Nouvelle Vague, mas que atingia apenas uma parte mais cinéfila do público.

Na tentativa de tornar seus filmes populares além das fronteiras, nos deparamos com tramas mais acessíveis, de ação como a franquia B13 (da qual Jason Bourne bebeu na fonte do esporte parkour), Inimigo Público Número 1, e comédias românticas ou dramáticas: Minhas Tardes com Margueritte (2010), Samba (2014) e principalmente o hit Intocáveis (2011), êxito no Brasil e que rendeu até remake nos Estados Unidos.

O Melhor Está Por Vir integra esse estilo de contar histórias. Como se os realizadores unissem Hollywood com a realidade francesa. Neste caso, é a velha história de duas pessoas próximas, uma delas com grave problema de saúde e, no amparo mútuo, lidarão com a situação. Já vimos momentos assim em Tudo Por Amor (1991), Antes de Partir (2007), A Culpa é das Estrelas (2014), Como Eu Era Antes de Você (2016), o próprio Intocáveis . Ora apelando para o melodrama, ora inserindo humor. É quase um remake de Truman (2015), com Ricardo Darín.

Dirigido e escrito pela dupla Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière, o longa nos apresenta a Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel). O primeiro descobre que o amigo está com câncer terminal. Acontece que, após trapalhadas de todos os lados, é o segundo quem “cuidará” do velho conhecido, partindo numa jornada para realizarem desejos e viverem momentos inesquecíveis.

Não faltam clichês e mais de uma vez podemos antecipar os acontecimentos. Por outro lado, os diretores e roteiristas, cuja parceria dura um bom tempo, acertam em diálogos inteligentes, divertidos e contam com o carisma dos atores.

Bruel é velho conhecido da dupla. Atuou em Qual é o Nome do Bebè?, de 2012. Está à vontade na pele do sujeito meio cafajeste, bonachão e de bom coração. Fabrice Luchini traz aquele olhar tipo o Gato de Botas do Shrek e reproduzido pelo futebolista Gabriel Jesus. Dá vontade de fazer cafuné e abraça-lo. Possuem química. Zineb Triki vive Randa, que eles conhecem num grupo a pacientes que tiveram ou têm a doença, possui forte presença na tela. Pascale Arbillot interpreta Virgine, a ex de Arthur, e lembra as brasileiras Ondina Clais e Rita Lobo.

Somos levados a rir e chorar pela trilha sonora Jérôme Rebotier, por vezes interrompida por canções de rock e pop famosas, artifício bastante usado em diversos filmes franceses recentes. O Melhor Está Por Vir aborda temas como fraternidade, empatia, perdão e a maneira como o amor verdadeiro entende e perdoa os defeitos da pessoa querida.

O Melhor Está por Vir
Le meilleur reste à venir
França. 2019.
Direção: Alexandre de La Patellière, Matthieu Delaporte.
Elenco: Fabrice Luchini, Patrick Bruel, Zineb Triki, Pascale Arbillot
117 minutos.


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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