Crítica | Lost Girls: Os Crimes de Long Island (Lost Girls, 2020)

Pela primeira vez de que me entendo por gente presenciamos uma semana sem lançamento nos cinemas, em virtude da crise causada pela pandemia de coronavírus. A alternativa é comentar uma estreia no streaming. No caso, Lost Girls: Os Crimes de Long Island chegou ao Netflix recentemente.

Trata-se da dramatização da história verifica vivida pela mãe que buscou, incessantemente, tentar descobrir o paradeiro da filha desaparecida.

O filme é adaptação do livro Lost Girls: An Unsolved American Mystery, de Robert Kolker. Acompanha Mari Gilbert (Amy Ryan, indicada ao Oscar por Medo da Verdade, 2007) e sua busca desenfreada para resolver o caso do desaparecimento de sua filha mais velha, Shannan (Sarah Wisser), garota de programa que desapareceu em 2010 na região de Long Island, nos Estados Unidos.

Pelo caminho, ela enfrenta o descaso das autoridades e parte para a investigação por conta própria, lidando com o comissário Richard Dormer (Gabriel Byrne, de Assalto a 13ª DP). Como costuma suceder, o policial quer evitar alarde e chamar a atenção da imprensa. Há ainda o preconceito da sociedade, o machismo, aquela velha história de “ela não devia estar na rua tal horário”, etc. Ou seja, a culpabilização da vítima.

Liz Garbus, indicada ao Oscar de melhor documentário pelo sensacional What Happened, Miss Simone? (2015), também da plataforma, volta a retratar a saga de mulheres que sofreram de todas as formas as injustiças do cotidiano e buscaram romper barreiras.

Percebe-se um pouco de dificuldade da realizadora em transitar do documentário à ficção. Falta ritmo ao desenvolvimento da trama. No entanto, tal qual Luta por Justiça, lançado este ano nos cinemas, Lost Girls é o típico filme cujo conteúdo vale mais que a forma, o estilo.

Vale ressaltar as atuações de Amy Ryan e de Thomasin McKenzie, que interpreta a filha mais velha e brilhou como a garota judia de Jojo Rabbit.

Sugestão: de temática parecida, vale conferir em sequência o premiado e superior Três Anúncios Para um Crime, igualmente sobre uma mãe (Frances McDormand, ganhadora do Oscar pelo trabalho) que também não se deixa aquietar e parte para cima da justiça para descobrir o que houve com sua filha.

Lost Girls: Os Crimes de Long Island
Lost Girls
Estados Unidos. 2020.
Direção: Liz Garbus.
Elenco: Amy Ryan, Thomasin McKenzie, Gabriel Byrne, Oona Laurence.
95 minutos.


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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