Especial Little Women

Dia 09 (5ª feira) estreou a nova versão de Adoráveis Mulheres (Little Women no original), dirigida pela atriz e cineasta Greta Gerwig (do sucesso Lady Bird: A Hora de Voar). Para homenagear uma das histórias clássicas mais lindas que já li (e uma das minhas preferidas também), resolvi escrever esse especial sobre Little Women.

Baseado no best seller da escritora norte-americana Louisa May Alcott, um romance feminino e com toques biográficos (onde descreve sua relação com a mãe e suas 3 irmãs), Little Women foi lançado em 1868 e, desde 1917, já ganhou diversas adaptações, tanto para o cinema quanto para a TV. As mais famosas, sem dúvida, são: As Quatro Irmãs (Little Women, 1933), com Katharine Hepburn, Joan Bennet, Jean Parker, Frances Dee e Spring Byington; Quatro Destinos [Little Women, 1949], com June Allyson, Margaret O’Brien, Elizabeth Taylor, Janet Leigh, Mary Astor e Peter Lawford e Adoráveis Mulheres [Little Women, 1994], com Winona Ryder, Trini Alvarado, Kirsten Dunst, Samantha Mathis, Claire Danes, Susan Sarandon, Christian Bale, Eric Stoltz e Gabriel Byrne.

A história gira em torno de 4 irmãs muito diferentes: Meg é a mais velha, conciliadora do grupo e relembra os tempos em que a família tinha mais posses e conforto; Jo é a mais moleca, impulsiva e com talento para a escrita; Beth é tímida, introvertida e com talento para a música e Amy é a caçula, uma moça vaidosa, meio egoísta e meio precoce e que tem dom para a pintura. Elas precisam sobreviver longe do pai (que foi para a guerra) apoiando umas às outras e ajudando a mãe a sustentar a casa. Nas horas livres, elas encenam peças teatrais para a mãe, fundam sociedades secretas, preparam os festejos natalinos e fazem trabalho social para pessoas mais humildes.

Desde o lançamento do longa estrelado por Winona Ryder – que chegou às telas brasileiras no começo de 1995, pois concorreu ao Oscar em 3 categorias naquele ano: melhor Atriz (Ryder), Figurino e Trilha Sonora – eu já vi ao todo 5 versões de filme ou minissérie baseadas na obra de Louisa May Alcott. Apresento aqui, uma breve análise de cada uma delas. Da pior adaptação para a melhor (na minha opinião, é claro).

5º] Jovens Mulheres [Little Women, EUA, 2018], de Clare Niederpruem = Acredite se quiser, mas em 2018 houve uma versão contemporânea de Little Women. Não sabia? Ótimo, pois não perdeu nada de muito interessante. As protagonistas da trama agora usam celular, notebook, etc, mas essa versão um tanto moderna, não deu lá muito certo.

O elenco é um tanto duvidoso (tem até o Lucas Grabeel de High School Musical!), em que a figura mais famosa é a Lea Thompson (a Lorraine da trilogia De Volta para o Futuro) interpretando a mãe das meninas.

A atriz Sarah Davenport (da série Stitchers) está tão exagerada interpretando a heroína da história Jo March que em vez de personagem fascinante na obra literária, na tela torna-se irritante pelo tom completamente errado dado pela direção de atores.

Se você mesmo depois dessa crítica ao filme estiver procurando uma versão moderna da história procure o livro As Garotas Spring, da Ann Todd que foi lançado no Brasil pela editora V&R.

4º] As Quatro Irmãs [Little Women, EUA, 1933], de George Cukor = Essa versão é lembrada pela interpretação forte e carismática de Katharine Hepburn (que, à época da filmagem, tinha uns 25 anos) na pele da protagonista Jo March. A atriz recebeu um prêmio de interpretação feminina no festival de Veneza em 1934. No mesmo ano, a produção recebeu um merecido Oscar de melhor Roteiro Adaptado, sendo ainda indicado a melhor Filme e Direção (George Cukor).

Em certos aspectos, a produção envelheceu mal (em especial, nas encenações teatrais que as irmãs March fazem para a mãe), mas de qualquer forma é um clássico muito bem adaptado e com ótimo elenco.

3º] Little Women [idem, UK/EUA, 2017], de Vanessa Caswill = Uma minissérie produzida pela BBC One muito bem adaptada e que conta com jovens talentosas (Maya Hawke, Kathryn Newton, Willa Fitzgerald, Annes Elwy) e atores/atrizes veteranos(as) de prestígio (Dylan Baker, Emily Watson, Michael Gambon e Angela Lansbury).

Essa minissérie é uma experiência mais completa, pois traz muito detalhes e mescla muito bem o tempo presente com o passado das meninas.

Maya Hawke (que é filha de Ethan Hawke e Uma Thurman) é uma revelação na pele de Jo: tem carisma e talento para viver a protagonista.

Que maravilha ver Emily Watson e Dylan Baker como a mãe e o pai das meninas, Michael Gambon (o Alvo Dumbledore, da saga Harry Portter) na pele de Mr. Lawrence e Angela Lansbury (que está com mais de 90 anos!) Interpretando a tia March (a personagem mais interessante da história. Depois da Jo March, é claro!) em cena. Todos eles estão ótimos.

Essa minissérie em 3 episódios vale a pena ser conferida e descoberta. É uma delícia para os fãs da clássica história de Louisa May Alcott pela riqueza de detalhes e pela ótima condução de elenco e de narrativa.

 

2º] Adoráveis Mulheres [Little Women, 1994], de Gillian Armstrong = Essa é, sem dúvida, uma das minhas versões favoritas por um ótimo motivo: ao ver alguns atores/atrizes dessa versão na tela são bem próximos ao que imaginei lendo os livros. A doce e tímida Beth é vivida com graça e ternura por Claire Danes; Kirsten Dunst e Samantha Mathis se dividem no papel da vaidosa Amy March, interpretando a menina na infância e na adolescência respectivamente; Trini alvarado vive Meg, a mais velha das imãs, a conciliadora e que, às vezes relembra o passado quando a família tinha mais conforto e fortuna; Susan Sarandon vive a amorosa mãe do quarteto de meninas que tenta suprir a ausência do marido/pai para a família; um jovem Christian Bale faz à perfeição Laurie, o amigo e irmão de coração das jovens, mas quem realmente rouba a cena nessa versão é, sem dúvida, Winona Ryder na pele de Jo March, uma moça de personalidade forte, destemida e com talento para a escrita. Ela é, na verdade, a própria autora Louisa May Alcott dentro da história.

Essa versão só peca pelo fato da diretora ter exagerado um pouco no “açúcar”. Poderia ter dado um tom mais realista e contemporâneo (que Greta Gerwig conseguiu nessa nova versão). De qualquer forma, essa é a versão que mais revejo e das que mais aprecio, também.

1º] Quatro Destinos [Little Women, 1949], de Mervyn LeRoy = A minha versão favorita da história de Louisa May Alcott. Ao contrário de As Quatro Irmãs (1933) que envelheceu mal em alguns aspectos, essa versão que tem 71 anos e continua atual, divertida, romântica e muito prazerosa de assistir. E não é tão açucarada quanto Adoráveis Mulheres (1994).

June Allyson (Os Três Mosqueteiros, 1948; Música e Lágrimas, 1954) tem toda a vivacidade e carisma interpretando a protagonista Jo March (embora a atriz já tivesse 31 ou 32 anos durante as filmagens. A personagem no livro tem 15 anos). Elizabeth Taylor (então, com 17 anos) também brilha na pele de Amy March, a irmã caçula vaidosa, egoísta e que fala errado algumas expressões.

O mais bonito dessa versão em cores é a parte técnica que tem bela fotografia e esplêndida direção de arte em cores (a primeira foi indicada e a segunda levou o Oscar na categoria em 1950).

E você? Já assistiu Adoráveis Mulheres (Little Women, EUA, 2019), de Greta Gerwig? Corra ao cinema para conferir e assista a algumas dessas versões, também, pois a maioria delas vale muito a pena.

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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