Oscar 2020 | Os principais indicados e o que esperar da premiação

John Cho e Issa Era anunciaram os indicados ao 92º Oscar na manhã de 13 de janeiro, causando as costumeiras surpresas e decepções. Coringa saiu na frente com 11 indicações, incluindo as principais, seguido por Era Uma Vez… Em Hollywood, 1917 e O Irlandês, com dez cada. A seguir, com seis indicações, estão o aclamado Parasita, História de um Casamento, Adoráveis Mulheres e Jojo Rabbit. Juntamente com Ford Vs. Ferrari, são os nove longas indicados a melhor filme.

Nota-se mais uma vez a presença do streaming, leia-se Netflix, com História de um Casamento, O Irlandês e, em outras categorias, Dois Papas.

Qual filme pode se dar melhor e vencer? Se considerarmos o número de indicações, Coringa tem a vantagem, mas é um personagem da DC que deve dar finalmente o Oscar para o genial Joaquin Phoenix.

Joaquin Phoenix in Joker (2019)

1917 tem melhores chances de ser premiado porque é um filme de guerra, e a Academia ama filmes de guerra. O último premiado foi Guerra ao Terror. Só que 1917 não foi indicado a melhor montagem.

O excepcional Era uma Vez… Em Hollywood de Tarantino também pode se dar muito bem. É um filmão, uma verdadeira mensagem de amor ao cinema de Hollywood.  Scorsese tem boas chances com seu sólido O Irlandês, só que ele foi premiado um tanto recentemente, em 2006, depois de Sam Mendes (1917) por Beleza Americana, em 1999. Já Parasita deve levar o Oscar de filme estrangeiro, portanto não deve vencer como melhor filme, seguindo uma tradição de filmes com a mesma proeza, como O Tigre e o Dragão.

Os cineastas indicados eram os esperados, com os brilhantes e Oscarizados Martin Scorsese (O Irlandês) , Sam Mendes (1917) e Quentin Tarantino (Era uma Vez…), e a eles se juntam Todd Phillips (Coringa) – que inova trazendo nessa categoria um trabalho da DC e o fantástico Bong Joon Ho, com seu elogiadíssimo Parasita, que iniciou sua carreira triunfal no Festival de Cannes. Muitos sentiram a falta das mulheres, que poderiam ter sido representadas por Greta Gerwig (Adoráveis Mulheres), e que já tinha sido indicada por Lady Bird. Desta vez, não rolou.

Entre os atores indicados, merecidamente Antonio Banderas tem sua primeira indicação pelo lindo trabalho no belíssimo Dor e Glória, de Almodóvar, indicado a filme estrangeiro. Lembremos que Banderas foi o melhor ator em Cannes. Grande ator também da Broadway, Jonathan Pryce também estreia no Oscar por Dois Papas, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e deve estar feliz com seu feito. Leonardo DiCaprio está brilhante em Era uma Vez …em Hollywood, mas ganhou recentemente por O Regresso.  O ótimo Adam Driver volta a ser indicado consecutivamente após Infiltrado na Klan no ano passado, como o marido atormentado em História de um Casamento. Ninguém vai tirar o Oscar das mãos do genial Joaquin Phoenix como Coringa, personagem que rendeu ao magnífico Heath Ledger um Oscar póstumo. Os esnobados: a lenda Robert DeNiro, impecável em O Irlandês, o surpreendente Adam Sandler, em Joias Brutas, Eddie Murphy, voltando à boa forma em Dolemite (Netflix), o super talentoso Taron Egerton, em Rocketman e os elogiados William Dafoe e Robert Pattinson em O Farol.

Kang-ho Song, Hye-jin Jang, Woo-sik Choi, and So-dam Park in Gisaengchung (2019)

As atrizes indicadas incluem Scarlett Johanson estreando no Oscar de maneira espetacular, com indicação dupla – atriz e coadjuvante – interpretando não a Viúva Negra, mas duas mães: História de um Casamento (Netflix), muito bom, e para quem gostou recomendo o célebre Cenas de um Casamento, de Bergman, com Liv Ullman. Outra que entra na corrida pela primeira vez é Cynthia Erivo, que brilha em Harriet. Ela concorre também em canção – Stand Up – e se vencer nas duas categorias, pode se tornar a mais jovem vencedora do EGOT – Emmy, Grammy, Oscar e Tony. As outras três candidatas são veteranas do Oscar. Saoirse Ronan estabelece um marco: tem 25 anos e quatro indicações, a última por Lady Bird, e agora estrelando Adoráveis Mulheres. As duas últimas são vencedoras do Oscar – a linda e talentosa Charlize Theron, vencedora por Monster (2003), agora vai à luta com Escândalo. E a favorita, Renée Zellweger, que ganhou como coadjuvante também em 2003, por Cold Mountain. Ela encarna brilhantemente em Judy a icônica Judy Garland – que curiosamente, só ganhou um Oscar especial infantil por O Mágico de Oz. Infelizmente, o filme não foi aprovado pela filha de Judy, Liza Minnelli, ganhadora do Oscar por Cabaret. Esnobada também no Bafta, Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar por 12 Anos de Escravidão, poderia ter entrado na briga por seu difícil trabalho em Nós. Outra esnobada é Awkwafina, por The Farewell, pelo qual ganhou muitos elogios e um Globo de Ouro.

Os atores coadjuvantes têm talvez mais star status que a maioria dos atores indicados. São lendas vencedoras do Oscar do calibre de Tom Hanks – Oscar por Phildadelphia e Forest Gump – que concorre por um trabalho encantador em Um lindo Dia na Vizinhança; o fantástico Anthony Hopkins – vencedor por O Silêncio dos Inocentes – disputa por Dois Papas; Al Pacino, Oscar por Perfume de Mulher, concorre com seu show de interpretação em O Irlandês, que também traz para a disputa outro amigão veterano de Scorsese, Joe Pesci, Oscar por Goodfellas. Todavia, o vencedor deve ser o ícone bonitão Brad Pitt, vencedor como produtor de 12 Anos de Escravidão, que assim se tornará merecidamente Oscarizado como ator, roubando a cena em Era uma Vez …Em Hollywood.

Na lista das atrizes coadjuvantes, Kathy Bates – vencedora por Louca Obsessão – faz um ótimo trabalho como a mãe sofredora de Richard Jewel, mas Laura Dern pode e deve finalmente ganhar seu Oscar como a determinada advogada de História de Casamento. Florence Pugh tem sua primeira indicação no bonito Adoráveis Mulheres. Duas belezas dão show de talento – Margot Robbie em Escândalo e Scarlett Johansson, em Jojo Rabbit. A grande ausente é Jennifer Lopez, que faz um trabalho memorável em As Golpistas.

Algumas indicações devem ser ressaltadas nas demais categorias. A inclusão do documentário brasileiro Democracia em Vertigem trouxe grande repercussão devido ao momento político do país, dividindo opiniões. Concorre com grandes pesos, como American Factory.  A ausência de Frozen 2 e a inclusão de Klaus pegaram todos de surpresa nas animações. Pelo menos Frozen 2 teve sua canção Into the Unknown indicada, ao contrário de O Rei Leão e sua Spirit– de Beyoncée – e Cats, com Beautiful Ghosts de Taylor Swift. Aparentemente, a Academia não está “in love” com as mulheres superstars da música, para sorte de Elton John e sua (i’m gonna) love me again, a favorita de muitos, em Rocketman.

Dia 9 de fevereiro, saberemos quem vai vencer, na cerimônia que novamente vai ser conduzida sem anfitrião.


 

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.

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