Da infância à maturidade com Anos Incríveis, Dawson’s Creek e Fernanda Montenegro

 

Para minha pãe, Monica Casado por me aguentar e aguentar todas as barras nos últimos 40 anos e para o André Azenha por sua amizade e por todas as oportunidades que tem me dado no meio cultural, para trabalhar com o que amo.

Faltando pouco mais de 2 meses para completar 40 anos, resolvi tentar fazer uma reflexão ou um breve (ou nem tanto, rsrs) relato da minha infância, juventude e idade adulta.

Mestres como Federico Fellini (em Amarcord) e Ingmar Bergman (em Morangos Silvestres) já trataram de forma tão definitiva sobre infância e juventude que sinto que essa crônica vai parecer um rascunho do rascunho de algo que venho pensando há tempos tratar.

Nasci no final dos anos 70 (em 30/12/1979) então, a minha infância, de jogar futebol e taco na rua, entre tantas outras brincadeiras, se deu da metade para o final dos anos 80. Se eu pudesse comparar com um filme ou uma série, provavelmente, seria Anos Incríveis (The Wonder Years), onde o já adulto herói Kevin Arnold ia narrando suas lembranças de infância nos anos 60 ao lado de sua família, seu melhor amigo Paul e sua paixão, Winnie Cooper.

Eu também tive um melhor amigo na infância e uma Winnie Cooper nessa época, mas a diferença é que se Kevin e sua turma estavam lidando com as consequências da Guerra do Vietnã e a abertura da série era na voz de Joe Cocker e o hino With a Little Help from My Friends (canção dos Beatles, mas imortalizado por Cocker), enquanto que eu, minha família e amigos vivíamos o período mais brega que já existiu para a moda no Brasil (roupas e penteados que eram de chorar… de rir), mas também o período mais fértil e interessante do rock brasileiro (Capital Inicial, RPM, Titãs, Legião Urbana, etc) formado por jovens talentosos que vinham de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

Se a trilha de “Anos Incríveis” tinha Joe Cocker e With a Little Help from My Friends a minha, provavelmente, seria na voz do saudoso Cazuza e seu O Tempo Não Pára (canção-título de seu 4º álbum solo).

Nessa época, como quase toda criança, sonhava ser astronauta.
Da infância à pré-adolescência (agora com 13 anos), após 6 meses de “molho” em casa, devido a uma cirurgia na perna (que já contei em uma crônica anterior). Uma distração era ver filmes em VHS ou na TV. Não demorou para que eu descobrisse a minha paixão pelo Cinema.

Na juventude (agora com 18 anos) percebo que já não me identifico tanto com Kevin Arnold, mas sim com o jovem cinéfilo Dawson Leery (da série Dawson’s Creek). De novo, tenho um melhor amigo, uma paixão (dessa vez, uma Joey Potter), mas tento focar na faculdade e a minha escolha mais próxima ao Cinema é Jornalismo (para escrever sobre filmes como fazia tão bem o jornalista e crítico, Rubens Ewald Filho, uma inspiração para mim).

Como quase tudo na vida, a faculdade também não é aquilo que eu esperava, mas estamos lá e, lembro de uma frase de “Simplesmente Amor” que diz, mais ou menos, assim: “se a história não teve um final feliz é porque talvez não tenha chegado ao final”. E sigo em frente.
Estou há quase 20 anos formado, a vida tomou outro rumo. Ao invés de escrever sobre cinema, acabei ingressando no setor público (onde completei 14 anos em 2019).

Um ex-colega de graduação (hoje meu amigo e poderoso chefinho) me chama para colaborar em seu site de Cinema e em projetos culturais e sociais que organiza. A vida, realmente, não é aquilo que a gente planeja, mas pode ser ainda melhor. É algo que, como diria a Xuxa, o “cara lá de cima” constrói para cada um de nós ao longo do caminho.

Se aos 11 ou 12 anos eu me imaginava com uma Winnie Cooper e aos 18 anos com uma Joey Potter aos 40 eu quero mesmo é encontrar uma Fernanda Montenegro: uma mulher íntegra, talentosa, que luta por seus ideais e que, provavelmente, vai partir um dia, em cima de um palco, fazendo o que ama. Quantos de nós tem essa alegria e esse privilégio?

Então, se essa reflexão um tanto pessoal serve de algo talvez seja para (re)lembrar que a gente não dita as regras completamente, pois a vida vai se construindo conforme as nossas escolhas. Aos nossos “sins” e “nãos” diários. Ao que você quer lutar e buscar e também aquilo que não te interessa mais; aquilo que você não se importa em abrir mão. De quem você quer ter por um período da vida ou ao longo de toda a jornada (a tal “seleção natural”, de pessoas que entram e saem de nossas vidas). Tudo é escolha: racional ou emocional. Mas uma escolha pessoal, real e, muitas vezes, sem volta.

Se você quer algo, lute para conquistar, pois às vezes, a gente só vê a vida passar como em um filme. E isso é triste. E olha que quem está falando isso é um cinéfilo.


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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