Os 10 melhores filmes de Blake Edwards

Blake Edwards é um daqueles raros cineastas que fazia tudo em cinema:  escrevia seus brilhantes roteiros, dirigia e produzia. Descendendo de uma família cinematográfica, ele começou a carreira como ator e logo passou a figurar no panteão dos grandes filmmakers.

| Os 10 melhores filmes com Julie Andrews

Mestre da comédia, fazia incursões em diversos outros gêneros – drama, musical, western, suspense. Aqui estão dez joias de sua filmografia espetacular, da qual constam clássicos com as notáveis colaborações da talentosa esposa / estrela Julie Andrews e do amigo Henry Mancini, com sua música sempre cool e genial.

Edwards recebeu um Oscar Honorário em 2004, e deu um show no palco ao lado de Jim Carrey.

Anáguas a Bordo (Operation Petticoat, 1959)

Cary Grant in Operation Petticoat (1959)

O toque de leveza e o bom gosto de Edwards nesta comédia que se passa na II Guerra Mundial traz elementos incríveis: a dupla central é magnética – Cary Grant e Tony Curtis, mais um submarino cor de rosa para lá de avariado e um punhado de mulheres bonitas. O sucesso na bilheteria lhe abriu as portas de Hollywood.

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s, 1961)

Audrey Hepburn in Breakfast at Tiffany's (1961)

Clássico absoluto de Edwards, tem a distinção de trazer a beleza e elegância de Audrey Hepburn na icônica performance de Holly Golightly, perene garota (de programa?) símbolo do glamour e luxo de New York. Audrey se apaixona por George Peppard que, por sua vez, é sustentado por uma ricaça, Patricia Neal. A canção gloriosa de Henry Mancini, Moon River, vencedora do Oscar, quase foi removida do filme, mas Audrey e Blake bateram o pé por ela e o final não poderia ter sido mais feliz.

Escravas do Medo (Experiment in Terror, 1962)

Lee Remick and Ross Martin in Experiment in Terror (1962)

Um dos filmes mais elogiados de Edwards, este é uma verdadeira aula de suspense em espetacular fotografia preto e branco. O diretor reúne um elenco talentoso – Glenn Ford, Lee Remick e Stephanie Powers -, numa tensa trama com elementos de assédio, sequestro e assalto a banco. Ross Martin foi indicado ao Globo de Ouro como coadjuvante.

Vício Maldito (Days of Wine and Roses, 1962)

O título nacional tira toda a poesia do original Dias de Vinho e Rosas, também nome da bela canção de Henry Mancini, que com ela conseguiu seu segundo e consecutivo Oscar. Esse espetacular longa de Edwards traz Jack Lemmon e novamente Lee Remick, como o casal que se afunda no alcoolismo.  Os produtores queriam um final mais feliz, mas não Edwards e Jack acabou viajando para escapar de uma refilmagem. Indicações ao Oscar para os fantásticos Lemmon e Remick, figurinos e direção de arte em preto e branco, e ao Globo de Ouro para o filme, Edwards, Lemmon e Remick.

A Pantera Cor de Rosa (The Pink Panther, 1963) e Um Tiro no Escuro (A Shot in the Dark, 1964)

O que se pode dizer dessa extraordinária franquia criada por Edwards? A Pantera Cor de Rosa já nasceu cult, e porque não, clássica, já com a lendária abertura com o desenho animado e a talvez mais conhecida música do cinema, composta pelo mestre Mancini. Peter Sellers dá um show de interpretação como o desastrado – e hilário – inspetor Clouseau. O relacionamento de Edwards-Sellers era de amor e ódio, reza a lenda. O elenco do clássico trazia David Niven, Robert Wagner e Capucine. Já Um Tiro… é considerado o melhor da série e traz também Elke Sommer. Para morrer de rir.

Um Convidado Bem Trapalhão (The Party, 1968)

Peter Sellers and Claudine Longet in The Party (1968)

Outro clássico da comédia por Edwards, na única colaboração com Peter Sellers fora da Pantera. Edwards está no auge das gags visuais e Sellers, simplesmente formidável como um atrapalhado ator indiano que apronta além da conta num set de filmagem, levando o diretor à loucura. Vai parar numa festa em Hollywood – sem ter sido convidado – e se apaixona por Claudine Longet. Uma obra prima que faz rir sem parar. Para quem quer rir mais um pouco, vale a pena conhecer outra famosa comédia de Edwards, A Corrida do Século (The Great Race, 1965), que inspirou o cartoon A Corrida Maluca. O elenco traz Jack Lemmon como o vilão à la “Tião Gavião” e Natalie Wood como a mocinha tipo “Penélope Charmosa”. Tony Curtis e Peter Falk se juntam na mais longa guerra de tortas do cinema.

Lili – Minha Adorável Espiã – (Darling Lili, 1970)

Considerado pelo produtor Robert Evans um cartão romântico de Edwards para  Julie Andrews, esse é um sofisticado  musical  na contramão dos filmes independentes do final dos anos 60. Filmado na Europa com caríssimas cenas de combate aéreo na I Guerra Mundial, trouxe a estrela Andrews – muito linda e elegante e indicada aqui ao Globo de Ouro – como uma espiã alemã se passando por britânica. Edwards quebra a imagem de Julie com uma cena de strip tease, mas o público não aceitou. Uma pena. Ela está brilhante ao lado de Rock Hudson, com  diálogos ferinos de Edwards e William Fairchild (O Exorcista). No belo número de abertura, Julie canta  Whistling Away the Dark, de Mancini, vencedora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar (juntamente com música e figurinos).  Evans fez a edição do longa sem a participação de Edwards e os dois se tornaram inimigos.

Mulher Nota 10 (10, 1979)

 

Um dos maiores sucessos de Edwards, essa é uma rara e divertida comédia adulta com tema original – a andropausa, diálogos brilhantes e uma pitada de erotismo. Dudley Moore tem o papel de sua vida como o compositor de “música de elevador”, George Webber, no auge de sua crise de idade aos 42 anos. George classifica as mulheres numa escala de um a dez, até avistar a estonteante Bo Derek, que recebe onze. Julie Andrews, linda e empoderada, é a namorada de George e foi indicada ao Globo de Ouro, assim como Dudley, Bo, Mancini e o filme. A canção It’s Easy to Say, de Mancini e cantada por Andrews e Moore, e também o score, foram indicados ao Oscar. Um cult que continua bem atual.

S.O. B.: Nos Bastidores de Hollywood (S.O.B., 1981)

Larry Hagman, Robert Vaughn, and Richard Mulligan in S.O.B. (1981)

O mais ácido, cáustico e porque não, rancoroso longa de Edwards, é uma vingança a Hollywood, que trucidou seu belo western Os Dois Indomáveis (Wild Rovers, 1971) e o musical Darling Lili, nas respectivas edições. Edwards não perdoou isso, sofreu muito e exorcizou seus demônios no roteiro selvagem. Atacou figuras da indústria, como o produtor Robert Evans e a colunista Sue Mengers. Ninguém foi poupado, nem Julie Andrews, que faz um famoso topless, mas com graça e estilo. A comparação com Era Uma Vez… em Hollywood, de Tarantino é inevitável, mas S.O.B. sai na frente porque realmente Edwards viveu aquilo tudo. O final irônico chega a ser cruel. Indicado ao Globo de Ouro de melhor comédia.

Vitor ou Vitória? (Victor/Victoria, 1982)

Essa requintada e inteligente comédia musical é realmente o auge do casal Edwards-Andrews. Rodado inteiramente nos estúdios de Pinewood, com sets incríveis da Paris de 1934, o longa tem uma fotografia espetacular e a música magistral de Henry Mancini, vencedora do Oscar. V/V traz Andrews – vencedora do Globo de Ouro – num dos mais espetaculares papéis do cinema – Victoria, uma mulher fingindo ser um homem fingindo ser mulher. O talento de Julie dá o tom certo de ambiguidade e humanismo, e com brilho. Edwards teve aqui sua primeira indicação ao Oscar pelo roteiro primoroso, e o longa foi indicado a um total de sete prêmios, incluindo para Julie, Robert Preston e Leslie Ann Warren. Uma obra prima.


 

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.

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