Crítica | Batman & Robin (1997)

Imagine tudo que pode dar errado em um filme… É o caso de Batman & Robin (1997), o quarto da série iniciada em 1989. O pior disparado deles. Lançado originalmente em 12 de junho nos EUA, chegaria ao Brasil no dia 4 do mês seguinte.

Val Kilmer, o Batman anterior, dançou. O galã George Clooney, egresso da série E.R. – Plantão Médico, ainda sem o sucesso e o prestígio atuais, aceitou vestir a capa e o capuz do homem-morcego. Triste armadilha. É o maior arrependimento de sua carreira, segundo costuma dizer: ele mantém um pôster do filme, em seu escritório, para sempre lembrar o que jamais deve voltar a fazer.

Joel Schumacher elevou à enésima potência suas fantasias com o personagem e realizou uma paródia ridícula do seriado dos anos 60. Plumas e paetês deram um toque de desfile carnavalesco à ambientação de uma trama nonsense repleta de vilões. A lição diz que o excesso de personagens pode prejudicar o resultado final, o que ocorreria em 2007 no terceiro Homem-Aranha de Sam Raimi.

Batman & Robin (1997)

Arnold Schwarzenegger, estático, viveu o Mr. Freezy, Uma Thurman, beirando o trash, foi a Era Venenosa, e até Bane apareceu, como uma espécie de Hulk, capanga da vilã. A bonitinha Alicia Silverstone deu vida à Batgirl (em versão anos-luz aquém daquela interpretada por Yvonne Craig nos anos 60), que virou Barbara Wilson (e não Barbara Gordon), sobrinha do Alfred e namorada de um Robin (O’Donnell novamente) mimado e reclamão. A pá de cal foi a apresentação do Bat-cartão de crédito! Uma lástima.

 

Batman & Robin (1997)

Reza a lenda que a Warner Bros. Chegou a se empolgar com a produção durante as filmagens. Tanto que contratou Schumacher para uma continuação que seria lançada em 1999, intitulada Batman Triunphant. A história traria como vilão o Espantalho, que ressuscitaria o Coringa na mente de Bruce Wayne por meio de uma alucinação e a Arlequina seria a filha do Palhaço do Crime.

Batman & Robin (1997)

O problema começou quando Batman & Robin foi lançado: a crítica defenestrou a obra. A bilheteria começou até que bem, com a terceira maior abertura do ano, mas teve queda de 63% no segundo fim de semana em cartaz. O boca a boca não ajudou. Schumacher deu piti, culpando a “imprensa marrom” pela recepção negativa: o menos lucrativo da franquia (cerca de US$ 238 milhões). Fracasso de crítica, público e que fez a Warner repensar seriamente se valeria continuar investindo no Cavaleiro das Trevas no cinema.

Adaptações da animação Batman do Futuro e da HQ clássica Ano Um chegaram a ser cogitadas pelo estúdio. Schumacher quase voltou ao posto de direção. Quase… O então respeitado (bem antes de realizar Mãe) Darren Aronofski (Requiém Para um Sonho, O Lutador, Cisne Negro) foi pensado como possível substituto. Pena que não tenha dado certo.  Imaginem o  Batman nas mão dele: visceral, implacável, soturno, como os fãs pedem e com todas as qualidades cinematográficas que permeiam a carreira do cineasta. Felizmente, outro diretor em ascensão seria o escolhido: Christopher Nolan.

Curiosidade: Michael Gough como o mordomo Alfred Pat Hingle no papel do Comissário Gordon foram os únicos atores principais que estiveram em todos os quatro filmes dessa quadrilogia iniciada em 1989.

Batman & Robin
Batman & Robin
EUA, Reino Unido. 1997.
Direção: Joel Schumacher.
Com George Clooney, Chris O’Donnell, Arnold Schwarzenegger, Uma Thurman, Alicia Silverstone, Michael Gough, Pat Hingle.
125 minutos. 

Batman & Robin (1997)

Batman & Robin (1997)


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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