Crítica | Batman Eternamente (Batman Forever, 1995)

Apesar do sucesso de Batman, o Retorno (1989), o êxito não foi o esperado pela Warner: o estúdio considerou o filme dark demais e mães e pais reclamaram da sensualização do filme que até o Mc Donald’s teve que retirar produtos licenciados de suas lojas.

O diretor Tim Burton assinou somente a produção de Batman Eternamente (1995), deixando a cadeira de direção para Joel Schumacher (Garotos Perdidos, 1988), que trocou o compositor para a trilha sonora: Danny Elfman deu lugar a Elliot Goldenthal.

Michael Keaton também deu adeus ao papel, para dar lugar a Val Kilmer (elogiado ao viver o roqueiro Jim Morrison em The Doors, de 1991). Robin surgiu em cena, incorporado por Chris O’Donnell (Tomates Verdes Fritos, 1991), já um adulto na pele de um personagem que deveria ser um adolescente. E o affair do protagonista foi ninguém menos que Nicole Kidman no auge e tão sexy quanto Michelle Pfeiffer no anterior, vai entender a cabeça dos produtores. Drew Barrymore faz uma ponta como assistente do Duas Caras.

Nicole Kidman and Val Kilmer in Batman Forever (1995)

Mas as atuações caricatas de Jim Carrey, na pele do Charada, e Tommy Lee Jones, como o Duas Caras/Harvey Dent (personagem vivido no primeiro longa da quadrilogia por Billy Dee Williams), mais o excesso de cores, as piadinhas sem graça, a armadura com mamilos e a inexpressividade de Kilmer, apontaram o declínio qualitativo da franquia.

Batman Forever (1995)

 

Restaram apenas as músicas Kiss From a Rose, de Seal, cujo videoclipe dirigido pelo próprio Schumacher fez sucesso na MTV, e Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me, do U2, paradoxalmente indicada ao Globo de Ouro e ao Framboesa de Ouro.

Dos quadrinhos, a origem de Robin é quase aquela mostrada nas páginas dos gibis, com os Graysons Voadores trabalhando no circo, só que as mortes de seus pais são orquestradas pelo Duas Caras.

No entanto, se a crítica não aplaudiu de pé a produção, o público compareceu em massa às salas de projeção, proporcionando uma bilheteria de US$ 336 milhões (segundo maior faturamento do ano nos EUA, atrás de Toy Story). Por incrível que pareça, o filme teve três indicações ao Oscar: Fotografia, Som e Edição de Som, e Goldenthal concorreu ao Grammy.

O sucesso comercial e essas indicações fizeram os executivos da Warner acharem que o caminho estava correto. Ledo engano. Não há nada ruim que não possa piorar…

Batman Eternamente
Batman Forever.
EUA, Reino Unido. 1995.
Direção: Joel Schumacher.
Com Val Kilmer, Chris O’Donnell, Tommy Lee Jones, Nicole Kidman, Jim Carrey, Michael Gough, Pat Hingle, Drew Barrymore.
121 minutos.

Chris O'Donnell in Batman Forever (1995)

Batman Forever (1995)

Batman Forever (1995)


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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