Crítica | Batman: A Máscara do Fantasma (Batman: The Mask of The Phantasm, 1993)

Quando o primeiro episódio, Asas de Couro, de Batman: A Série Animada foi exibido em 6 de setembro de 1992 na Fox, com produção da Warner Bros. Animation, o parâmetro para desenhos animados baseados em heróis das histórias em quadrinhos era a série Superamigos, produzida pela Hanna-Barbera e exibida entre 1975 e 1983.

Superamigos mostrava Batman e Robin coloridos, sorridentes, piadistas, resquício da antiga série estrelada respectivamente por Adam West e Burt Ward entre 1966 e 1968 e que rendeu a primeira Batmania.

A Série Animada, criada a partir do sucesso comercial dos filmes de Burton, era diferente em estilo e conteúdo de tudo o que já havia sido feito nas animações de super-heróis. Tanto que, no Brasil, o SBT a exibia aos sábados com o título O Novo Batman.

Planos-sequência, diferentes ângulos de câmera, mais a trilha sonora de Shirley Walker inspirada no trabalho do compositor Danny Elfman feito nos longas Batman de Tim Burton. Era algo sofisticado para o campo de animação. Temas adultos como obsessão pela beleza, máfia, traumas psicológicos, relacionamentos abusivos, fizeram o programa ser reconhecido no Emmy Awards, o “Oscar da TV”, na categoria Outstanding Animated Program (For Programming One Hour or Less).

O esmero dos realizadores em sua concepção foi tal que, para escalar o elenco de dubladores, foi chamada Andrea Romano, veterana da Hanna-Barbera e da própria Warner. Foi dela a “descoberta” de Mark Hamill, o Luke Skywalker da franquia Star Wars, como dublador do Coringa, dando ao ator uma nova e bem sucedida carreira.

Batman: Mask of the Phantasm (1993)

Com 85 episódios exibidos até 1995, a série foi eleita pelo site IGN  como a segunda melhor animação de todos os tempos, e pela Wizard Magazine  o primeiro entre os melhores shows animados da TV de todos os tempos.

Também foi concebido um longa de animação distribuído em circuito selecionado nos EUA, para o Natal: Batman: A Máscara do Fantasma (1993). Dirigida por Timm em parceria com Eric Radomski (egresso do seriado da TV), por incrível que pareça, conseguiu captar melhor o espírito das histórias do personagem que os filmes live action e recebeu indicação ao Annie Awards, o Oscar do gênero.

A trama apresenta um misterioso vilão que assassina os mafiosos de Gotham. Enquanto isso, o Coringa também está à solta. Com flashbacks que mostram a origem do homem-morcego e o treinamento para Bruce Wayne se tornar o herói, o longa inclui um interesse amoroso, Andrea Beaumont, e antecipa um pouco do que seria mostrado em Batman Begins.  A influência da HQ Ano Um é nítida: vemos um Bruce Wayne em começo de carreira, um pouco inseguro nas primeiras tentativas de enfrentar o crime.

Dubladores da série como Kevin Conroy (Batman) e o “Luke Skywalker” Mark Hammill (Coringa) marcam presença. O sucesso do filme foi tanto que ganhou uma versão em quadrinhos, consolidou as adaptações dos gibis no departamento de animações da Warner (nos anos 2000 diversos longas animados seriam lançados diretamente em home vídeo) e é até hoje uma das versões fora das páginas preferidas dos fãs.

Batman: A Máscara do Fantasma
Batman: The Mask of The Phantasm.
EUA. 1993.
Direção: Eric Radomski, Bruce Timm, Kevin Altieri, Boyd Kirkland, Frank Paur, Dan Riba.
Com vozes de Kevin Conroy, Dana Delany, Hart Bochner, Stacy Keach, Abe Vigoda, Dick Miller, Bob Hastings, Robert Costanzo, Mark Hamill.
76 minutos.

Batman: Mask of the Phantasm (1993)


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *