Setembro Amarelo | 10 filmes que ajudam a refletir o tema

A cada 40 segundos uma pessoa coloca fim a própria vida em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo aponta ainda que nove em cada dez casos poderiam ser evitados.

Para a OMS, o suicídio é uma questão de saúde pública que precisa ser combatido.

O Manual de Prevenção do Suicídio para Profissionais da Mídia (do Departamento de Saúde Mental, e feito em Genebra no ano de 2000) apresenta duas listas gerais sobre o que fazer e o que não fazer ao tratar da questão em quaisquer veículos midiáticos.

O que não fazer:

Não publicar fotografias do falecido ou cartas suicidas;

Não informar detalhes específicos do método utilizado;

Não fornecer explicações simplistas;

Não glorificar o suicídio ou fazer sensacionalismo sobre o caso;

Não usar estereótipos religiosos ou culturais;

Não atribuir culpas.

O que fazer:

Trabalhar em conjunto com autoridades de saúde na apresentação dos fatos;

Referir-se ao suicídio como suicídio “consumado”, não como suicídio “bem-sucedido”;

Apresentar somente dados relevantes, em páginas internas de veículos impressos;

Destacar as alternativas ao suicídio;

Fornecer informações sobre números de telefones e endereços de grupos de apoio e serviços onde se possa obter ajuda;

Mostrar indicadores de risco e sinais de alerta sobre comportamento suicida.

A campanha brasileira de prevenção ao suicídio Setembro Amarelo surgiu  em 2015. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O período do ano foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, por iniciativa da International Association for Suicide Prevention.

Em apoio à campanha listamos dez filmes que depressão, isolamento social, bullying e, ao mesmo tempo, a importância do apoio familiar, dos amigos, de professores.

São obras que trazem informação e algum tipo de esperança. Evitamos produções que glamorizam o suicídio (o exemplo mais comentado é a bastante criticada série 13 Reasons Why, do Netflix) ou que aparecem frequentemente em listas do gênero como Last Days, As Virgens Suicidas, Control.

Abaixo, há filmes nacionais e estrangeiros, de live-action ou em animação, de curta e longa-metragem.

A Felicidade Não Se Compra (It’s a Wonderful Life, 1946), de Frank Capra

O clássico de Frank Capra provavelmente é o recordista de reprises no Natal e traz o grande James Stewart na pele do protagonista George Bailey: sujeito de bom coração, que vive um momento de extrema dificuldade financeira e se acha um fracassado. Ao perder a esperança, decide pular de uma ponte na Véspera de Natal. É quando um “candidato a anjo” meio trapalhão – e que espera há séculos para “ganhar asas” – tem como missão salvar o humano. Assim, tenta fazer Bailey perceber o quão é importante para várias pessoas ao seu redor e como seria a vida delas sem sua existência. Ou seja, todos importam.

Amizades Improváveis (The Fundamentals of Caring, 2016), de Rob Burnett

Paul Rudd and Craig Roberts in The Fundamentals of Caring (2016)

Lançado no Festival de Sundance, “Meca” do cinema independente dos EUA, foi disponibilizado no Netflix.  Acompanha a trajetória de Ben (Paul Rudd, o Homem-Formiga da Marvel), escritor que sofreu trágica perda e decide virar cuidador. Seu primeiro cliente é Trevor (Craig Roberts), de 18 anos, que tem distrofia muscular e jamais sai de casa. Para ajudá-lo, propõe uma viagem para que o paciente, enfim, visite os lugares vistos pela televisão. Tipo de história que emociona quem amou Como Eu Era Antes de Você (2016) e o francês Intocáveis (2011). Só que menos melodramática. Apesar da premissa conhecida, o road movie é mais ácido em relação aos congêneres: graças ao roteiro (baseado em livro de Jonathan Evison) e à direção de Rob Burnett, produtor e escritor egresso do Late Show With David Letterman. Delicada em vários momentos e ainda que não seja perfeita, a comédia dramática reúne elenco carismático. Além de tudo, a obra mostra detalhes da rotina dos cuidadores, profissionais tão importantes e admiráveis.

As Melhores Coisas do Mundo (2010), de Laís Bodanzky

Mano (Francisco Miguez) é um adolescente de 15 anos. Ele está aprendendo a tocar guitarra com Marcelo (Paulo Vilhena), pois deseja chamar a atenção de uma garota. Seus pais, Camila (Denise Fraga) e Horácio (Zé Carlos Machado), estão se separando, o que afeta tanto ele quanto seu irmão mais velho, Pedro (Fiuk). Sua melhor amiga e confidente é Carol (Gabriela Rocha), que está apaixonada pelo professor Artur (Caio Blat). Em meio a estas situações, Mano precisa lidar com os colegas de escola em momentos de diversão e também sérios, típicos da adolescência nos dias atuais. Primeiro longa de Laís Bodanzky, trata com sensibilidade a questão do suicídio vivida por Pedro, salvo justamente por quem não é parente de sangue.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, 2012), de Stephen Chbosky

Logan Lerman and Ezra Miller in The Perks of Being a Wallflower (2012)

Baseado no romance escrito por Stephen Chbosky, acompanha Charlie (Logan Lerman), de 15 anos, um estranho carinhoso e ingênuo, lidando com o primeiro amor (Emma Watson), o suicídio de seu melhor amigo e sua própria doença mental. Enquanto luta para encontrar um grupo de pessoas ao qual sinta-se pertencente. Sensível, com momentos divertidos, o filme  aborda várias questões: trauma, bullying, abuso, a importância de termos pessoas com quem contarmos nos momentos difíceis. O elenco tem química, carisma e a trilha sonora é a cereja do bolo.

DivertidaMente (Inside Out, 2015), de Pete Docter e Ronnie Del Carmen

Lewis Black, Bill Hader, Amy Poehler, Phyllis Smith, and Mindy Kaling in Inside Out (2015)

Crescer pode ser uma estrada esburacada, e não é exceção para Riley, arrancada de sua vida no Meio-Oeste quando seu pai começa um novo emprego em São Francisco. Como todos nós, a protagonista é guiada por suas emoções – Alegria, Medo, Raiva, Nojo e Tristeza. O filme acontece basicamente dentro do cérebro da garota. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente manter as coisas positivas, as emoções conflitam sobre a melhor forma de navegar em uma nova cidade, casa e escola. À princípio para crianças, a animação da Pixar traz temas capazes de gerar reflexão também nos adultos e mostra que não existe sentimento melhor ou o pior e, inclusive a tristeza, é necessária. Venceu o Oscar da categoria.

Elena (2012), de Petra Costa

Elena, uma jovem brasileira, viaja para Nova York com o mesmo sonho de sua mãe, para se tornar atriz de cinema. Ela deixa para trás sua infância passada escondida durante os anos da ditadura militar. Ela também deixa Petra, sua irmã de sete anos. Duas décadas depois, Petra também se tornou atriz e vai para Nova York em busca de Elena. Ela só tem algumas pistas sobre ela: filmes caseiros, recortes de jornais, um diário e cartas. A qualquer momento, Petra espera encontrar Elena andando pelas ruas com uma blusa de seda. Gradualmente, os traços das duas irmãs são confusos. Quando Petra finalmente encontra Elena em um lugar inesperado, ela tem que aprender a deixá-la ir. Obra poética e introspectiva sobre a morte e o feminino.

O Mínimo Para Viver (To The Bone, 2017), de Marti Noxon

Keanu Reeves and Lily Collins in To the Bone (2017)

Ellen (Lily Collins) é uma mulher de 20 anos que sofre de anorexia nervosa. No meio de problemas familiares e de seus próprios medos, ela é aceita em um grupo administrado por um médico incomum (Keanu Reeves). Através das pessoas que conhece e da jornada que leva, A jovem segue um caminho de autodescoberta e aceitação que a levará a um lugar surpreendente.

Narrativa da Angústia Própria (2017), de Isabella Galante


Documentário de 36 minutos acerca da história de jovens que enfrentaram, por razões diversas, o embate entre vida e morte por causa de depressão. Uma produção feita para a disciplina de Documentário da graduação de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP). Está disponível na plataforma Videocamp.

Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006), de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Resultado de imagem para little miss sunshine

O filme revelação de 2006 foi uma produção independente. Trata-se de um road movie sobre uma família excêntrica. A obra mostra a inesquecível família Hoover. O pai (Greg Kinnear) desenvolveu um método de autoajuda fracassado, o avô (Alan Arkin, Oscar, BAFTA e Independent Spirit Awards de Ator Coadjuvante pelo longa) foi expulso de um asilo por usar drogas, o filho mais velho (Paul Dano, de Sangue Negro) fez voto de silêncio, o cunhado (Steve Carrell, de O Virgem de 40 Anos e Agente 86) é suicida e a mãe (Toni Collette, de Um Grande Garoto) se vê num casamento infeliz. Nada funciona até a filha caçula e desajeitada (a fofíssima Abigail Breslin, indicada a Atriz Coadjuvante) virar finalista de um concurso de beleza e talento para meninas pré-adolescentes – a cena em que ela se apresenta, sensacional, surpreende, provoca risadas, e dá seu recado de forma simples. As diferenças são postas de lado e a família parte numa viagem inesquecível de Kombi amarela.

Preciosa – Uma História de Esperança (Precious, 2009), de Lee Daniels

Gabourey Sidibe in Precious (2009)

Preciosa (Gabourey Sidibe) é negra, obesa, não sabe ler nem escrever, espera o segundo filho de seu próprio pai. Não bastasse sofrer abusos sexuais por aquele que devia amá-la incondicionalmente, também é vítima de ofensas e agressões da mãe (Mo’Nique, Oscar de atriz coadjuvante pelo papel), que a culpa pela ausência do marido. É portadora do vírus HIV. Estimulada pela dedicada professora (Paula Patton) de uma escola alternativa, a jovem aos poucos se encontra, descobre coisas que a fazem sorrir e passa a tomar atitudes independentes. Produzida por duas celebridades da televisão dos EUA, Oprah Winfrey e Tyler, trata-se de uma obra visceral e sensível, sobre transformação e, como entrega o título nacional, esperança. Mariah Carey e Lenny Kravitz fazem inusitadas e competentes participações. Levou ainda o Oscar de roteiro adaptado.


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *