Os 10 melhores filmes com Sonia Braga

Sonia Braga é a maior estrela de cinema do nosso país, embora não goste de ser assim chamada. Mas é. Indicada a três Globos de Ouro, ao Emmy e ao Bafta, ela tem ainda o título de rainha de bilheteria por décadas e capas de zilhões de revistas. O mais importante de tudo é que La Braga tem uma filmografia extraordinária, com filmes no Brasil e no exterior  e que inclui não só protagonistas bem exuberantes como também participações muito especiais como em Extraordinário e Bacurau. Aqui estão 10 filmes essenciais atravessando décadas, com  La Braga no auge de seu talento.

| 35 anos de Dona Flor e Seus Dois Maridos 

| 30 Anos de O Beijo da Mulher-Aranha

A Moreninha (1970), de Glauco Mirko Laurelli

Sônia Braga in A Moreninha (1970)

Longa dirigido por Laurelli apresentando a primeira protagonista de Soninha, linda e sapeca aos 19 anos, no papel título. Tudo deu certo nessa alegre e rara comédia musical brasileira. O filme surpreende pela qualidade do elenco, fotografia, trilha sonora, figurinos. Foi campeão de bilheteria, premiado  e resistiu bem à passagem do tempo. Um dos favoritos de Sonia.

O Casal (1975), de Daniel Filho

O primeiro trabalho no cinema da dupla Sonia Braga & José Wilker, em grandes interpretações. Acompanhamos as aventuras de um jovem casal grávido, Giacometti e Lúcia, ele professor de história inseguro com a futura paternidade. Muito humano, traz um momento extraordinário de Sonia, que chora em frente a um prato vazio.  Daniel lembra que ao rodar a cena, simplesmente falou, “Chora, Sonia’’. E ela fez tudo lindamente.

Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto

Sônia Braga, Mauro Mendonça, and José Wilker in Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)

Um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, concorreu ao Globo de Ouro, deu indicação ao Bafta para Sonia e reinou como campeão de bilheteria por mais de três décadas. Sonia – em momento de perfeição –  personifica a heroína de Jorge Amado, dona Flor, pega entre o desejo pelo fantasma de seu marido safado (José Wilker) e o conforto fornecido pelo marido bonachão (Mauro Mendonça). Incluído no clipe 100 anos de cinema do Oscar. Uma obra prima.

Eu Te Amo (1981), de Arnaldo Jabor

Resultado de imagem para eu te amo filme 1981

Depois do êxito de A Dama do Lotação, Sonia crava seu terceiro megassucesso consecutivo e se estabelece como rainha da bilheteria com este Eu Te Amo. Belíssima num vestido prateado, Sonia está exuberante nesse tour-de-force dramático e erótico que fez o crítico Jack Kroll da Newsweek a saudar como uma nova Sophia Loren. Com Paulo Cesar Pereio.

O Beijo da Mulher-Aranha (Kiss of The Spider Woman, 1985), de Hector Babenco

Sônia Braga in Kiss of the Spider Woman (1985)

Um dos cem filmes selecionados pelo American Film Institute, é um dos mais belos filmes de todos os tempos. A grande e corajosa Sonia brilha em papel triplo – Leni Lamaison, a Mulher Aranha e Maria, apesar de não saber inglês e ter de decorar seus diálogos foneticamente. Indicado a quatro Oscars – filme, ator (o vencedor William Hurt), diretor, roteiro, abriu as portas de Hollywood para Sonia, a primeira atriz brasileira indicada ao Globo de Ouro e se tornar membro da Academia e apresentadora do Oscar

Rebelião em Milagro (The Milagro Beanfield War, 1988), de Robert Redford

Sônia Braga in The Milagro Beanfield War (1988)

Redford confiou totalmente no talento de Sonia que tem cenas com diálogos extensos e especialmente brilha num comovente discurso para o povoado de Milagro, numa igreja. Ela está linda, natural e totalmente à vontade nesse longa premiado com Oscar de melhor trilha sonora, filmado com delicadeza com fotografia espetacular sobre a história de lutas entre um pequeno e simples povoado e uma grande empresa americana.

Luar Sobre Parador (Moon Over Parador, 1988), de Paul Mazursky

Sônia Braga in Moon Over Parador (1988)

Deliciosa comédia com enredo inteligente e elenco sedutor. Richard Dreyfuss é um ator americano que assume o lugar do ditador de Parador, na América do Sul, morto repentinamente. Sonia é sua amante, Madonna, e dá um show de interpretação com seu timing de comédia perfeito. Ela está linda, exuberante e sua imagem de vestido branco esvoaçante no final à Casablanca é inesquecível. Segunda indicação ao Globo de Ouro para Sonia.

Tieta do Agreste (1996), de Cacá Diegues

Sônia Braga in Tieta do Agreste (1996)

Um dos primeiros filmes da Retomada do cinema nacional. A fantástica interpretação de Sonia é o grande trunfo do filme – como uma atriz pode ser Gabriela, Dona Flor e Tieta, de Jorge Amado (que participa do longa), com tanta individualidade e perfeição? Sonia pode. Ela veste belos figurinos de Ocimar Versolato e ouve as mais lindas canções compostas por Caetano Veloso. Eta ! Eta! Eta!

Mamãe Casamenteira (Meddling Mom , 2013), de Patricia Cardoso

Sônia Braga in Meddling Mom (2013)

Outra comédia deliciosa que traz a talentosa Soninha novamente como protagonista, dessa vez como a mãe viúva, mas intrometida Carmen Vega, que sonha em arrumar maridos para suas duas filhas. Só que elas decidem arranjar um namorado para a mãe! Sonia está elegante, com seu timing de comédia perfeito e ainda tem uma cena de dança muito bem coreografada. Indicação para Sonia do Imagen Awards, melhor atriz em comédia.

Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho

Sônia Braga in Aquarius (2016)

Soninha ganhou uma chuva de prêmios super importantes em festivais de cinema, incluindo os de San Diego e Havana, culminando com o seu segundo Platino em  2017. Em mais um tour-de-force, ela é a viúva Clara, última residente do emblemático edifício Aquarius, em Recife. Ela luta contra uma construtora para continuar morando lá, viajando em suas lembranças. Uma mulher nos seus sessenta e tantos anos mostrada como nunca antes no cinema, com seus sonhos, seus anseios, suas ‘trips’, sua vontade de sexo, seu lado mãezona. Uma obra prima com La Braga em novo apogeu.


 

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.

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