Crítica | Amor a Toda Velocidade (Vila Las Vegas, 1964)

1956. Quando Elvis Presley estreou profissionalmente em Las Vegas, sofreu sua primeira frustração profissional após ter se tornado o Rei do Rock. O público dos hotéis, acostumado a apresentações intimistas e artistas como Frank Sinatra, não estava preparado para o ritmo acelerado e os rebolados do astro. Nada como o tempo para corrigir injustiças.

No ano seguinte, Elvis protagonizou aquele que é considerado seu melhor filme, O Prisioneiro do Rock. Depois, passou dois anos no exército americano e retomou a carreira, no início dos anos 60, com um repertório musical mais eclético: gospel, baladas, country, blues, etc. Nesse período, praticamente sumiu dos palcos – protagonizou vários filmes musicais de qualidade duvidosa e êxitos de bilheteria, que, segundo o próprio cantor, se repetiam em histórias em que “socava alguns caras, cantava umas doze músicas e ficava com a garota no final”.

Amor à Toda Velocidade, cuja première mundial ocorreu no dia 13 de março de 1964, em Londres, modificou a relação dele com Las Vegas, e obteve elogios da crítica. Narra a trajetória do piloto de corridas Lucky Jackson (Elvis), dividido entre conseguir o motor para seu carro e participar da corrida local e o amor da instrutora de natação Rusty Martin (a bela atriz sueca Ann-Margret).

A sinopse lembra tantos outros musicais estrelados pelo vocalista, e que traziam os desejos de muitos rapazes naqueles tempos: carrões e lindas mulheres. Diferencia-se pela excelente trilha musical, composta por clássicos do quilate de The Lady Loves Me, Apreciattion e What’I Say, mais a famosa canção-tema e, principalmente, pela química do casal.

Elvis e Margret incendeiam a tela. A imprensa, que publicava notícias sobre eles diariamente, chegou a anunciar o casamento da dupla. Entrevistada para o documentário Reino – Elvis em Vegas, que acompanha o DVD do filme, a então namorada de Elvis afirma: o roqueiro falava em tom apaixonado sobre sua companheira de cena.

Foi a primeira vez que o astro realmente dividiu em pesos iguais os holofotes com outra pessoa na telona. Como ele, Margret era símbolo sexual, cantava, dançava e atuava. O empresário “paizão” de Elvis, Coronel Tom Parker, amedrontado com a possibilidade do pupilo ser ofuscado, brigou com o experiente diretor George Sidney.

A junção de duas figuras carismáticas não prejudicou a carreira nem de Elvis e nem da atriz. Amor a Toda Velocidade levou multidões aos cinemas, serviu de cartão postal para Las Vegas e Elvis finalmente caiu nos braços da terra dos cassinos e hotéis. Lá, Parker encontrou a solução para sua ambição. Elvis pôde realizar uma série de shows para uma plateia que havia sido adolescente nos anos 50, bateu todos os recordes e lucros de apresentações no município e reencontrou a felicidade por breve período. Os últimos shows da lenda seriam ali.

Margret casou-se em 1967 com o ator Roger Smith e posteriormente recebeu duas indicações ao Oscar, de Atriz Coadjuvante por Ânsia de Amar (1971), e Atriz por Tommy (1975).

Amor a Toda Velocidade
Viva Las Vegas
EUA. 1964.
Direção: George Sidney.
Com Elvis Presley, Ann-Margret, Cesar Danova.
85 minutos.


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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