Crítica | Casal Improvável (Long Shot, 2019)

Nunca fui fã ou acompanhei direito a carreira do comediante Seth Rogen (que tem um estilo de humor, que parece feito por um pré-adolescente). Das poucas vezes que me surpreendi com um filme seu foi com Tá Rindo do Que? [Funny People,2009], um drama com toques de comédia, que estrelou ao lado de Adam Sandler e que considero um belo filme e injusto fracasso de crítica e público.

Como é bom me surpreender novamente com Rogen, dessa vez com Casal Improvável (Long Shot), um filme que conferi com pouca (ou nenhuma expectativa) e tive a sensação de ter visto algo, ao mesmo tempo esperto e divertido. O que, dadas as expectativas, para mim é raro e quase um milagre.

Rogen interpreta Fred Flarsky, jornalista investigativo que pede demissão do periódico no qual trabalha após esse ser comprado por um conglomerado liderado por Parker Wembley (Andy Serkis, irreconhecível), um homem inescrupuloso.

Seu melhor amigo, Lance (O’Shea Jackson Jr.), para animá-lo, o leva a uma festa chique (que tem até convidados políticos) em que uma banda que Flarsky curte vai se apresentar e é lá que ele (re)encontra Charlotte Field (Charlize Theron), a secretária de Estado, indicada pelo presidente dos EUA (Bob Odenkirk, impagável) – que está mais interessado em seguir carreira de ator em Hollywood do que numa reeleição – a substituí-lo na Casa Branca.

Charlotte, anos antes, foi babá de Flarsky (ele tinha 13 anos e ela 16). O reencontro vai gerar muito mais do que um “déjà vu”: na verdade, vai surgir uma paixão entre essas duas pessoas tão diferentes.

Enquanto Charlotte está sempre com belos vestidos (para os eventos dos quais participa), Fred, esteja onde estiver, está sempre com um casaco de moletom, calça cargo e usando boné. Além de agir ou falar da pior maneira possível nas situações mais delicadas (e isso gera uma série de situações ao mesmo tempo constrangedoras e hilárias ao longa).

São pessoas aparentemente diferentes, mas que se mostram, em essência, ter os mesmos objetivos e ideologias (não é à toa que o então desempregado jornalista arruma uma vaga, a princípio, para escrever tiradas mais cômicas e leves aos discursos da pré-candidata à presidência dos EUA, para depois escrever os discursos por inteiro).

Seth Rogen tem o timing perfeito de comédia (com um jeitão de criança num corpo de adulto) e Charlize Theron é a parceira de cena ideal para a empreitada. Esqueça de sua imagem em filmes dramáticos como Monster: Desejo Assassino, 2003 (pela qual ela levou o Oscar de melhor Atriz). Aqui, ela se entrega a um papel mais leve e cômico e se sai muito bem (a cena em que ela precisa fazer uma negociação com um líder político de outro país completamente chapada é hilária).

Casal Improvável consegue entregar uma mistura de história romântica às avessas com sátira política de forma inteligente, engraçada e super agradável. Confira!

Casal Improvável
Long Shot
2019. Estados Unidos.
Direção: Jonathan Levine.
Com Seth Rogen, Charlize Theron, O’Shea Jackson Jr. Lance, June Diane Raphael, Ravi Patel, Andy Serkis, Alexander Skarsgård, Randall Park, Bob Odenkirk.
125 minutos.


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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