Crítica | Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time … in Hollywood, 2019)

De um frustrado assalto a banco (Cães de Aluguel) à máfia (Pulp Fiction). Do nazismo (Bastardos Inglórios) à escravidão (Django Livre). Esses foram alguns dos temas tratados pelo cineasta Quentin Tarantino em suas obras.

Ele agora transporta o espectador aos bastidores de Hollywood do final dos anos 60, contando a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), astro de séries de TV que sonha em se tornar astro de cinema. Seu melhor amigo é Cliff Booth (Brad Pitt), seu dublê e faz-tudo (é seu motorista, faz reparos em sua mansão, etc).

Enquanto Dalton é excessivamente emotivo e um tanto inseguro, Booth é capaz de qualquer coisa pelo amigo e está sempre em busca de encrenca (pasmem, até com Bruce Lee). Por sinal, a dupla de astros tem uma química incrível e dão um show em cena. Sintonia semelhante à de Matthew McConaughey com Woody Harrelson na 1ª temporada da série True Detective.

Essa é só uma pequena parte do que Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time … in Hollywood) traz ao espectador. Passado nos idos de 1969, às vésperas do assassinato da atriz Sharon Tate (Margot Robbie) por seguidores de uma seita liderada por Charles Manson, o filme é um coquetel de referências cinematográficas e, para variar, com esplêndida trilha sonora e ótimo elenco.

Se DiCaprio e Pitt são os protagonistas do longa, cada ator/atriz escalado na empreitada, aproveita ao máximo seu tempo em cena e tem o seu “momento”. Destaques para Al Pacino, Bruce Dern, Dakota Fanning, o saudoso Luke Perry (das séries Barrados no Baile e Riverdale) e Nicholas Hammond (A Noviça Rebelde e da série do Homem-Aranha que durou de 1977 a 1979). Todos estão excelentes.

Tarantino leva o espectador pela mão durante toda a projeção e parece não estar nem aí em satirizar o western spaghetti (gênero faroeste italiano, em que um dos seus nomes mais famosos foi Sergio Leone e que Tarantino homenageia no título do longa) e Bruce Lee.

Se há tempo para sátira aos bastidores de Hollywood é muito bonito o carinho e respeito que ele tem, por exemplo, com a personagem de Sharon Tate (que, na história, ela e o seu marido, o cineasta polonês Roman Polanski são vizinhos de Rick Dalton).

Era Uma Vez em… Hollywood talvez seja o filme mais maduro de Quentin Tarantino, mas isso não faz dele mais “leve”. Essa foi uma primeira impressão, pois ele deixa para o terço final aquilo que faz dele um maestro da violência. É tão explicita a violência empregada e genial a forma como ele comanda a cena, que o espectador pode rir de nervoso, do absurdo que está testemunhando ou ficar horrorizado. São sensações contraditórias, mas acredite, vale a pena senti-las, pois é um filme que respira Cinema.

Pode não ser um filme para qualquer público (por sinal, nenhum longa da filmografia de Tarantino é), mas quem se arriscar pode se divertir, se sentir por pouco mais de 2 horas e meia como se estivesse em Hollywood dos anos 60/70 e se arrepiar ao final da sessão. Isso não é pouco e só por essas razões, já vale a pena conferi-lo.

Era Uma Vez em… Hollywood
Once Upon a Time … in Hollywood.
2019. Estados Unidos, Reino Unido, China.
Direção: Quentin Tarantino.
Com Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Al Pacino, Kurt Russell, Zoë Bell, Dakota Fanning, Nicholas Hammond, Luke Perry, Lena Dunham, Maya Hawke, Michael Madsen, Bruce Dern.
161 minutos. 


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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