Crítica | Rocketman (2019)

Assim como eu havia feito na crítica do filme Bohemian Rhapsody (cinebio da banda inglesa Queen) tento puxar à memória, a primeira lembrança/imagem que tenho de Elton John (isso, com os meus 13, 14 anos, em 1992, 1993) e a primeira coisa que me vem à cabeça é Elton John fantasiado de Pato Donald. Isso aconteceu em 1980 num show que ele fez no Central Park.

Estranho e ao mesmo tempo curioso perceber que eu o recorde dessa forma já que em Rocketman, a primeira imagem que surge é um Elton John fantasiado de forma exuberante, entrando sem esperança num grupo de terapia de reabilitação e tentando contar a sua história repleta de vícios (drogas, álcool, sexo, raiva, compras (!!!), etc.) e muita, muita música.

De sua complicada relação com os pais, até descobrir seu talento para música era com sua avó que Elton (aqui ainda Reginald Kenneth Dwight, o Reggie) contava e tinha o incentivo para a arte.

Outro fator determinante para sua bem-sucedida carreira é o encontro de amizade/parceria com Bernie Taupin (as palavras por trás de suas melodias). E esse é um dos pontos altos do filme: se Taron Egerton (Kingsman: Serviço Secreto) surpreende vivendo o cantor inglês, Jamie Bell (Billy Elliot) não fica nada a dever na pele de Bernie Taupin. As cenas em que os dois contracenam são algumas das melhores do longa, pois mostra toda a química entre a dupla de atores (que reprisa a sintonia entre o Elton e o Bernie da vida real).

O ator e diretor Dexter Fletcher (que terminou Bohemian Rhapsody quando o Bryan Singer foi demitido após acusações de assédio) tem a oportunidade de realizar aqui o filme que sonhou: uma cinebiografia sim, mas também um musical puro que é muito mais próximo de um Across the Universe (2007), de Julie Taymor do que de Bohemian

A forma como ele cria os números musicais acaba dando graça, forma e “contando” a história da canção (o que me lembrou novamente outra coisa relacionada aos Beatles. No caso, um livro chamado The Beatles – A História por Trás das Canções, de Steve Turner, publicado pela extinta editora Cosac & Naify) e traz ao menos 2 momentos emocionantes: o pequeno Reginald Dwight/Elton John e sua família cantando I Want Love e mostrando as amarguras e motivações de cada personagem e em Your Song que mostra um artista e seu processo de criação. Mas há momentos psicodélicos no filme, também como em Crocodile Rock e na canção que dá título ao filme.

Rocketman é um bom filme que ganha pontos muito mais na sua simplicidade, humanidade e por “cantar” uma boa história. Outro ponto alto é seu elenco: além de Taron Egerton e Jamie Bell (que citei acima), outros destaques ficam por conta da presença de Richard Madden (o Robb Stark da série Game of Thrones) vivendo o namorado/empresário e Bryce Dallas Howard, como a mãe de Elton e o menino Matthew Illesley (o pequeno Reggie/Elton).

Se você é fã de musicais, assista a Rocketman e poderá se deliciar com bons números do gênero. Agora, se você é fã de Elton John, o filme é obrigatório para ver que por trás de todas as fantasias/figurinos há o lado humano de um gênio da música.

Rocketman
2019. Estados Unidos, Reino Unido.
Direção: Dexter Fletcher.
Com Taron Egerton, Jamie Bell, Bryce Dallas Howard, Richard Madden, Gemma Jones, Matthew Illesley, Rachel Muldoon.
121 minutos.


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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