To Sir, with Love

Foto: Paula Azenha.

Eu já contei isso em alguma das minhas crônicas, que aos 13 anos eu coloquei um aparelho na perna e acabei ficando de cama por 6 meses. Graças a esse período de “molho” em casa fiquei cada vez mais interessado por filmes (cheguei a assistir em um ano apenas, Henrique V, de Keneth Branagh por 11 vezes, tamanho o meu fascínio com a cena de batalha). Não demorou muito para eu começar a ler as críticas do Rubens Ewald Filho, descobrir os seus Guias de Vídeo (e depois de DVD) e assistir ao Oscar com seus comentários (o primeiro que vi foi com o Rubens ainda no SBT, em 1994, ano em que A Lista de Schindler, de Spielberg levou 7 estatuetas).

Prossegui com a minha paixão pelo Cinema e quando eu estava no Ensino Médio assisti a uma encenação de Cenas de um Casamento (baseado num longa-metragem feito para a TV em 1973 pelo cineasta sueco Ingmar Bergman), com Tony Ramos e Regina Braga. Pelo que lembro, a reportagem da época, dizia que foi a única montagem que o grande diretor sueco liberou foi essa, a brasileira.

Nesse tempo, tentei me aproximar mais do Teatro, encantado com o trabalho de Tony Ramos e fiz um teste para entrar em um grupo de teatro do SESC, mas não deu certo (eu acabaria, uns 2 anos mais tarde, durante a faculdade, fazendo teatro amador, também). Acabei me voltando novamente ao Cinema e, se Tony Ramos foi uma inspiração para eu tentar o Teatro, Rubens Ewald Filho foi, sem dúvida, um espelho, uma inspiração para eu fazer Jornalismo.

Eu entrei na faculdade de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Católica de Santos (UniSantos) com essa vontade de ser crítico de cinema, graças ao Rubens. Mal sabia eu que precisaria buscar pautas (era péssimo nisso, rsrs) e escrever sobre os mais variados assuntos. Eu sempre tive dificuldade de escrever sobre Economia e Esportes, pois eram assuntos que eu não dominava e nem fazia questão de entender (rsrs). Mas quando era uma pauta da área cultural (cinema, teatro, etc) eu me sentia em casa.

Se o curso de Jornalismo (assim como qualquer outro que eu fizesse) não era aquilo que eu imaginava, ao menos, graças a ele, aprendi a ter um pensamento mais crítico, a duvidar ou questionar aquilo que eu lia nos jornais ou via na TV. Além de conhecer pessoas maravilhosas que se tornaram colegas e depois viraram amigos com quem tenho contato até hoje, graças às redes sociais.

Saindo da faculdade, eu até tentei vaga em algum jornal da cidade, mas acabei passando num concurso público e lá permaneço até hoje (em breve, farei 14 anos na mesma empresa).

Acredito que quando se tem paixão por algo, por mais que a gente não consiga “ganhar o pão” através disso, sempre dá para se encontrar uma forma de continuar exercendo aquilo que sonhou, que se propôs.

O fato de eu não trabalhar num jornal não seria um empecilho para eu escrever. Afinal, comecei a fazer isso com uns 15 anos no fanzine Surfcore do meu tio Marco e do meu primo, Victor (escrevi nesse periódico sobre Pulp Fiction, do Quentin Tarantino, sobre Os Suspeitos, do Bryan Singer, etc) e não era o fato de não ter trabalhado num jornal que me faria parar. Acabei criando uma comunidade no orkut (a 7ª Arte) e depois que ele acabou continuei escrevendo no facebook, aqui no CineZen Cultural (do meu querido amigo e poderoso chefinho, André Azenha) e atualmente estou no Instagram, também escrevendo textos (infelizmente lá, muitas vezes, preciso editá-los, pelo limite de caracteres).

Ano passando, por parte da equipe do Santos Film Fest (que participo há 3 anos) dos meus amigos André e Paula, eu tive a oportunidade de conhecer um pouquinho do Rubens Ewald Filho, quando fomos à sua casa separar o material para uma exposição sobre ele (além da linda homenagem que receberia) e ouvi seus “causos” cinematográficos e alegria que sentia por ser homenageado por um festival de sua cidade natal, Santos.

Obrigado, Rubens Ewald Filho, por tanto: eu, noveleiro que sou, me encantei com a adaptação que você fez de Éramos Seis (1994), com Irene Ravache e Othon Bastos, mas também com suas críticas de cinema. Uma pessoa que sabia tanto, numa época em que não existia internet você foi uma verdadeira enciclopédia cinematográfica, mas também uma pessoa simples, que passava seu conhecimento a quem tivesse interesse em aprender um pouco mais. O nosso homem do Oscar.

O Cinema e o Oscar nunca mais serão os mesmos sem você.
Com certeza você está num lugar melhor e poderá assistir a muitos musicais e comédias românticas de Doris Day aí de cima. Goodbye! To Sir, with Love.

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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