Crítica | Capitã Marvel (Captain Marvel, 2019)

Primeiro super-heroína a estrelar um filme solo no universo compartilhado do Marvel Studios, Capitã Marvel gerou grande expectativa. Não podemos negar a importância da representatividade em vermos mulheres estrelando filmes de grande orçamento, especialmente baseados em histórias em quadrinhos, nicho que hoje sustenta grande parte da indústria hollywoodiana. Este longa é o que Mulher-Maravilha foi para a Warner/DC em 2017. Pioneiro em diversos sentidos. Assim, é louvável ver a Disney/Marvel finalmente lançando uma história com uma protagonista feminina. Não vamos discutir tal relevância. A questão é: para tudo o que se esperava do longa, a trama deixa a desejar.

Impossível não traçar uma comparação com Mulher-Maravilha. Se para o filme da Amazona a DC optou por uma atriz novata, com pouca experiência e limitada, sua diretora Patty Jenkins soube dirigi-la, fez uso de diálogos curtos, closes, cortes rápidos e soube captar o carisma de Gal Gadot. Aqui não ocorre o mesmo. Os diretores Anna Boden e Ryan Fleck, que costumam trabalhar juntos há anos, não extraem o melhor de uma intérprete premiada como Brie Larson (vencedora do Oscar por O Quarto de Jack). A impressão é que ela está com o freio de mão puxado. Não está à vontade. Falta algo. Ela é bem fotografada, mas não tem a força de cena que a personagem exige. Escrevo isso com tristeza. Pois torcia para sair do cinema empolgado. Isso quase aconteceu em uma sequência ou outra: principalmente as que possuem as referências mais escancaradas aos anos 90, com músicas e figurinos daquela década. Não poucas vezes, Nick Fury (Samuel L. Jackson) rouba a cena. Aliás, até o rejuvenescimento dele e do agente Coulson (Clark Gregg) incomoda. X-Men 3, de 2006, fez trabalho melhor nesse sentido com o Professor Xavier e o Magneto.

O roteiro já nos joga no meio da guerra entre os alienígenas Krees, dos quais a protagonista faz parte, e os Skrulls, até chegar à Terra. Durante a jornada, surgem flash backs que tentam nos explicar a origem da heroína. Mas tudo é irregular e muita coisa é explicada por diálogos. Nessa fase do Marvel Studios espetávamos mais. Capitã Marvel parece um filme da primeira fase da empresa, quando vimos as histórias de surgimento de Homem de Ferro, Thor, Capitã América, todas irregulares e com vilões fracos. E o vilão aqui é bem fraquinho. Os grandes filmes da marca vieram a partir de Vingadores (2012).

Mas repito. É importantíssimo vermos filmes estrelados por personagens femininas. Quantidade que ainda precisa aumentar, e muito. E dentro dela, veremos grandes obras, e outras nem tão boas. Há duas cenas pós-créditos.

Capitã Marvel 
Captain Marvel. 
2019. EUA. 
Direção: Anna Boden, Ryan Fleck. 
Com Brie Larson, Jude Law, Samuel L. Jackson, Annette Bening, Clark Gregg, Ben Mendelsohn, Lashana Lynch, Djimon Hounsou. 
123 minutos. 


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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