Está dada a largada ao Oscar 2019

As indicações para o Oscar 2019 estabeleceram dois marcos importantes na história da premiação: a indicação para melhor filme da belíssima obra de arte em preto e branco de Alfonso Cuarón, Roma, um feito para a Netflix, que sofre perseguições de exibidores e de esnobadas em festivais e outras premiações, e a inclusão de um filme de super-herói, o ótimo Pantera Negra, da Marvel, na enxuta lista com oito candidatos a melhor filme. Poderiam ter sido dez – os outros filmes indicados são: A Favorita, Vice, Infiltrados na Klan, Nasce uma Estrela, Bohemian Rhapsody e Green Book – O Guia.

Liderando a corrida, Roma e A Favorita tiveram dez indicações cada. Roma foi indicado a filme e filme estrangeiro, diretor – Alfonso Cuarón, já premiado por Gravidade e agora, com cinco indicações (filme, roteiro, filme em língua estrangeira e fotografia) quebrando o recorde de Orson Welles, os irmãos Coen e Warren Beatty, atriz – Yalitza Aparicio (a primeira indígena a ser nomeada à categoria)., atriz coadjuvante – Marina de Tavira, roteiro original, fotografia, mixagem de som, direção de arte e edição de som.  A presença de Yalitza é outra ótima surpresa: era professora primária e essa é uma rara presença estrangeira na categoria. Se a distribuidora americana de Aquarius tivesse registrado o longa brasileiro para a corrida do Oscar em 2015, acredita-se que Sonia Braga teria conseguido uma indicação. A indicação para coadjuvante de Marina também foi uma merecida aclamação. Pode ser que Alfonso Cuarón se iguale a Alejandro Iñarritu e receba sua segunda estatueta. Acredito muito nisso.

A Favorita, história com uma pegada original da rainha inglesa Ana e suas duas criadas que disputavam seu favoritismo, é indicada a filme, diretor – o grego Yorgos Lanthimos, atriz – Olivia Colman, atrizes coadjuvantes – Emma Stone (vencedora de melhor atriz por La La Land) e Rachel Weiz (vencedora por O Jardineiro Fiel), roteiro original, fotografia, direção de arte, figurino e edição.

Nesse confronto entre Roma e A Favorita, poderia Green Book – O Guia roubar a cena e sagrar-se o melhor do ano? Foi indicado aos Oscars de filme, ator – Viggo Mortensen, coadjuvante para Mahershala Ali (vencedor por Moonlight), roteiro original e montagem. Não teve indicação para o diretor Peter Farrely, mas alguns filmes fizeram a proeza de vencer em melhor filme e sem indicação para diretor, como Argo, de Ben Affleck. E precisamos lembrar que Green Book foi eleito o melhor filme do ano pelo poderoso Sindicato dos Produtores, o mais forte termômetro para essa categoria. O filme, que é uma espécie de Conduzindo Miss Daisy, com um talentoso e carismático pianista negro tendo como motorista branco Mortensen, toca em temas fortes como preconceito, mas é permeado de bom humor.

Dois musicais extremamente bem sucedidos nas bilheterias, Nasce uma Estrela e Bohemian Rhapsody foram reconhecidos pela Academia. Nasce uma Estrela fez bonito com nove indicações – filme, ator (mas não como diretor) – Bradley Cooper, em sua quarta indicação,  atriz –  um feito para Lady Gaga, que foi indicada também pela melhor canção, Shallow, ator coadjuvante – Sam Elliot, roteiro adaptado, fotografia e mixagem de som. Lady Gaga deve levar pela linda e bem sucedida canção, assim como Barbra Streisand, na versão de Nasce uma Estrela de 1976, que ganhou por Evergreen. A indicação da talentosa Lady Gaga já é um prêmio, mas o Oscar deve ir finalmente para a excelente Glenn Close em A Esposa, ou Olivia Colman. Acredito que o amuleto da sorte de Nasce uma Estrela seja a icônica Julie Andrews. Quando Lady Gaga a homenageou no Oscar 2015, Bradley Cooper estava na plateia, aplaudindo. Creio que ali surgiu a ideia para ele dirigir este seu bem sucedido primeiro filme.

Bohemian Rhapsody ganhou cinco indicações: melhor filme, ator – merecidamente para Rami Malek, que fez um trabalho incrível personificando Freddy Mercury, um dos maiores ícones do rock de todos os tempos, o que não é pouca coisa, e agradou ao público e fãs do Queen em geral, e também para mixagem de som, montagem e edição de som. Pode ser que saia de mãos abanando, mas ninguém pode questionar o grande sucesso de público.

O Oscar 2019 traz de volta ao spotlight Spike Lee com sua primeira indicação de diretor por Infiltrados na Klan, que concorre por filme e roteiro adaptado. Spike Lee já tinha sido indicado por oteiro e documentário, mas foi esnobado como diretor quando realizou sua obra prima, Faça a Coisa Certa.

Vice, indicado a sete Oscars, incluindo filme, deve dar o Oscar a Christian Bale, numa de suas impressionantes transformações físicas, desta vez como o Dick Cheney, vice do presidente George W. Bush, e repetindo a proeza do vencedor do Oscar 2018, Gary Oldman, interpretando outro político, Churchill; Amy Adams  e Sam Rockwell (vencedor do ano passado) estão indicados como coadjuvantes, assim como o diretor Adam McKay. o roteiro original e maquiagem e cabelo.

Outros destaques do Oscar 2019 são  Regina King, coadjuvante em Se a Rua Beale Falasse que lidera em sua categoria, Melissa McCarthy e sua primeira indicação, por Poderia me Perdoar, o filme polonês em preto e branco Guerra Fria, com três indicações – filme estrangeiro, diretor – Pawel Pawlikowski  e fotografia, o ótimo longa japonês, Assunto de Família, também disputando por  filme estrangeiro, Homem-Aranha no Aranhaverso brilhando em animação e Vingadores: Guerra Infinita, soberano em efeitos visuais…

Os esnobados formam uma lista à parte: Nicole Kidman em O Peso do Passado, Viola Davis em Viúvas, Robert Redford no seu adeus ao cinema, em The Old Man and the Gun, Timothée Chalamet em Querido Menino,  Claire Foy em O Primeiro Homem e Ethan Hawke em No Coração da Escuridão, todos ótimos. Emily Blunt, em O Retorno de Mary Poppins, não conseguiu repetir o brilho de Julie Andrews, nem sua proeza histórica – Julie venceu o Oscar e todos os prêmios importantes na sua estreia no cinema com o mega-clássico da Disney, Mary Poppins. E enquanto Poppins teve um recorde de 13 indicações e cinco vitórias no Oscar 1964, a apenas razoável sequência /refilmagem só conseguiu quatro indicações técnicas, e pode sair de mãos vazias. Já a comédia Podres de Ricos não conseguiu indicação alguma. Agora, rumo à premiação em 24 de fevereiro, e vejamos quem vai levar o Oscar para casa!

Em 19 de fevereiro, uma terça-feira, 20h30, Waldemar Lopes ministrará a 25ª edição de sua tradicional Palestra do Oscar no Cine Roxy 4 do Shopping Pátio Iporanga (Av. Ana Costa, 465, Gonzaga). Entrada: 1 kg de alimento não perecível em prol da ACAUSA e Igreja Bom Senhor dos Passos. Serão sorteados diversos brindes no evento.

Waldemar Lopes é artista plástico, engenheiro mecânico, professor, cinéfilo. Anualmente realiza em Santos uma palestra beneficente sobre o Oscar, que se tornou tradicional na cidade. Também já realizou encontros sobre cinema para a Universidade Católica de Santos, Universidade Monte Serrat, Secretaria de Cultura de Santos e Rotary. Escreve para o CineZen e o 50 Anos de Cinema.

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