Crítica | Aquaman (2018)

Aquaman é o filme mais super-heróico do universo DC nos cinemas. O mais colorido, aventureiro, sem medo de assumir o que é e o legado do personagem, inclusive a antiga e ironizada versão da animação Super Amigos. Traz ação, sequências grandiosas e humor. A sensacional trilogia Batman de Christopher Nolan deixou como legado o tom sombrio, adotado por Zack Snyder nos três filmes que dirigiu – O Homem de Aço, Batman V. Superman: A Origem da Justiça e Liga da Justiça – e refletido em Esquadrão Suicida e um pouco menos em Mulher-Maravilha.

Este último trazia um pouco mais de cor e foi o único êxito de crítica e bilheteria das cinco produções justamente por entender que, no mundo atual, precisamos de heróis carismáticos, altruístas, que sorriam, e não somente tragam o peso da responsabilidade em deter grandes poderes.

O longa do Mestre dos Oceanos é um passo além na tentativa da Warner/DC em se afastar da fotografia soturna e do peso dos anteriores. A comparação é inevitável: é o filme mais Marvel dessa fase da DC. Com poucos minutos de projeção vemos mais luz do que vimos na franquia até então. Para chegar ao resultado, escalaram James Wan, dos sucessos Invocação do Mal 1 e 2 e que deu novo fôlego à saga Velozes & Furiosos. Cineasta que sabe divertir, entreter, criar sequências criativas, envolventes.

Se Jason Momoa não é lá grande ator, adquiriu carisma durante a carreira, é boa gente, sabe dar boas entrevistas e traz aquilo que seu Aquaman precisa: força, presença em cena. E está cercado por elenco de primeira, repleto de vencedores do Oscar e alguns que já atuaram em adaptações dos quadrinhos para as telonas.

Nicole Kidman vive a mãe, Rainha Atlanna; Temuera Morrison, que foi Jango Fett em Star Wars e Abin-Sur em Lanterna Verde, faz o pai; Willem Dafoe é o conselheiro Vulko, Amber Heard é a princesa Mera e interesse romântico do protagonista; Patrick Wilson é o Rei Orm; o ex- Justiceiro, Soldado Universal, He-Man e Ivan Dago (de Rocky IV e do vindouro Creed II) Dolph Lundgren encarna o Rei Nereus; John Rhys-Davies (o Rei do Crime no telefilme O Julgamento do Incrível Hulk e o Gimli de O Senhor dos Aneis), Djimon Hounsou (de Guardiões da Galáxia) e o mito Julie Andrews dublam respectivamente os Reis Brine, Ricou e a criatura gigantesca Karathen.

Belíssimo time. Como ocorreu nos melhores filmes de super-heróis da história, que cercaram seus atores principais de astros e estrelas respeitáveis, como Superman, o Filme, Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas, e alguns da Marvel.

Visualmente a obra é deslumbrante, arrebatadora. Atlântida é um mundo à parte, com suas características, naves que lembram os mais variados peixes e criaturas marinhas, regiões e raças. Remete à Pandora de Avatar. Ou seja, é o tipo de filme para ser apreciado na maior tela possível. Muito de seu impacto será perdido se visto depois TV ou celular. O roteiro, por outro lado, cita aqui e ali a maneira como o ser humano trata a natureza, principalmente os oceanos. O tema aparece de forma sutil, não há discurso panfletário.

A história mescla o presente com flashbacks e se passa, em sua maior parte, após os eventos de Liga da Justiça. Irmão de Aquaman por parte de mãe, o Rei Orm quer levar os atlantes à guerra com os humanos. Cabe ao herói impedir o conflito. Assim como vários outros personagens das HQs, Aquaman carrega a herança familiar. Família não necessariamente tradicional. Basta lembrarmos as heranças de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Homem-Aranha, ou as próprias concepções de X-Men, Vingadores, Guardiões da Galáxia.

Ainda que em alguns momentos soe exagerado, Aquaman é um recomeço para a Warner/DC nos cinemas, aponta um novo caminho para o estúdio sem ignorar o que foi feito antes e, acima de tudo, é diversão garantida para o fim do ano. Shazam!, o próximo lançamento da empresa, promete ir mais além no humor e na leveza.

Aquaman
2018. EUA, Austrália.
Direção: James Wan.
Com Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Nicole Kidman, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Temuera Morrison, Graham McTavish, Michael Beach, Julie Andrews, John Rhys-Davies, Djimon Hounsou.
143 minutos. 


 

André Azenha
Jornalista por formação, crítico de cinema, produtor cultural, pesquisador, curador, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Colaborou com críticas semanais nos jornais Expresso Popular e quinzenais no jornal A Tribuna. Colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest - Festival Internacional de Filmes de Santos, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest e PalafitaCon. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante. Atualmente participa do projeto Hora da Cultura, pela Secult Santos, levando sessões de filmes e bate-papos às escolas da rede municipal. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi. Escreveu sobre cinema para sites, jornais e revistas de Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Limeira e Maceió. www.facebook.com/andreazenha01

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