Crítica | As Viúvas (The Widows, 2018)

O título não ajuda muito. E não é o caso nem da versão brasileira, que segue o original, Widows. Mas qualquer filme que tenha Viola Davis merece nossa atenção. E quando o diretor é Steve McQueen (não confunda com o antigo ator), vencedor do Oscar por 12 Anos de Escravidão, as coisas ficam mais interessantes.

Não espere uma trama de ação ininterrupta. Contam, acima de tudo, o clima crescente, o jeitão de thriller dos anos 70, herança direta de trabalhos de Francis Ford Coppola e Martin Scorsese naquela década.

McQueen confia no elenco fabuloso e na história que tem em mãos, transformada em Cinema com C maiúsculo mesmo: tenso, intenso, que não se deixa apressar à toa e nos captura e desperta nosso interesse pouco a pouco, passo a passo, cena a cena.

Das maiores atrizes de todos os tempos, diva, poderosa, Viola vive Veronica. Ela perdeu seu marido (Harry, interpretado por Lian Neeson) recentemente em circunstâncias obscuras. Ameaçada por mafiosos, que lhe cobram a dívida do falecido companheiro, a protagonista se une a outras mulheres – Linda (Michelle Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki) – que também ficaram viúvas por conta do mesmo acontecimento fatídico.

Revelar mais pode estragar o prazer em conferir a história e surpreender-se com seus desdobramentos – daí a campanha forte de divulgação da distribuidora Fox no cuidado com spoilers.

Viola está a frente de um cast respeitável, admirável. Debicki esteve em Guardiões da Galáxia 2 (2017) mergulhada em tinta dourada; Rodriguez fez a carreira estrelando thrillers de ação e sai-se bem em tons dramáticos; Colin Farrell vive candidato a vereador e filho do veterano político encarnado pelo grande Robert Duvall. Daniel Kaluuya, indicado ao Oscar por Corra! e presente em Pantera Negra, faz o capanga de Jamal Manning (Brian Tyree Henry). Jon Bernthal, o Justiceiro do Netflix, tem breve aparição. Só gente boa, talentosa, de presença marcante.

As Viúvas levanta questões sobre como políticos usam as minorias em bairros carentes para angariar votos. Políticos que, sejam herdeiros de famílias ricas ou traficantes, recebendo bem mais do que ganharão caso eleitos, ainda querem esses cargos por conta da influência, do poder. O papel e as necessidades da mulher também são abordados em diferentes situações. Ou seja, é um filme que resgata o melhor do cinema norte-americano para tratar de temas contemporâneos visando envolver o espectador. Mais um ponto para Steve McQueen e Viola Davis.

As Viúvas
The Widows
2018. EUA, Reino Unido.
Direção: Steve McQueen.
Com Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Liam Neeson, Carrie Coon, Colin Farrell, Daniel Kaluuya, Robert Duvall, Jon Bernthal, Brian Tyree Henry, Molly Kunz.
129 minutos.


 

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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