Obrigado, Stan Lee

Difícil escrever sobre Stanley Martin Lieber, Stan Lee, um dos pais do universo Marvel tal qual o conhecemos hoje. Ou melhor, um dos pais do universo geek tal qual o conhecemos hoje.

“O cara” nos deixou na última terça-feira, aos 95 anos. Ano passado, perdeu sua esposa, a modelo e dubladora Joan. Foram casados 50 anos. Lee decidiu não esperar mais para reencontrar seu grande amor. Foi assim com Johnny Cash, que partiu pouco depois de sua amada, June Carter, ir embora.

“Perdemos um gigante, um mestre, um verdadeiro super-herói. Um príncipe da imaginação. Mas que vida maravilhosa! Excelsior! O que é lembrado, vive”, definiu em sábias palavras a crítica de cinema Ana Maria Bahiana.

Imensurável é a contribuição de Lee para a cultura pop. Suas criações nos encantam, nos fazem refletir, nos entretém há décadas. Refletem a realidade, aproximam o leitor que vê em diversos personagens seus espelhos.

Com o Homem-Aranha, de 1962, criado em parceria com Steve Ditko e Jack Kirby, descobrimos que, “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. Conhecemos um herói “gente como a gente”. Peter Parker precisa pagar as contas, vez ou outra tem mais de um emprego, e ainda dá conta de estudar, ajudar a tia.

Um ano depois, novamente ao lado de Kirby, levou ao leitor os X-Men, portas de entrada para reflexões sobre diversidade, representatividade, a busca pelos direitos civis, e novamente nos aproximando de personagens que soavam profundos, complexos, muito além dos feitos heroicos.

Mas há muito mais, antes e depois desse par de anos: há o Hulk que nos faz enxergar a beleza interior em meio à fera (inspirado em A Bela e a Fera, e O Médico e o Monstro), o Quarteto Fantástico nos lembrando que família é aquela formada por pessoas que amamos, independente de rótulos e relação sanguínea, e por aí vai.

Começou a tornar sua figura mundialmente popular ao fazer a primeira breve aparição (ou cameo, como é conhecido esse tipo de participação, imortalizada por Alfred Hitchcock) no telefilme O Julgamento do Incrível Hulk (1989). Desde então foram muitas. Sempre divertidas. Tinha carisma, percebido em suas entrevistas e participações em eventos. E tentou, sempre que podia, desfazer qualquer polêmica envolvendo os ex-parceiros Kirby e Ditko.

Ao escrever ou dizer “Excelsior” criou um lema, uma palavra que significa, no latim, algo superior, maravilhoso, e ganhou vida própria no universo geek. Tanto que o Netflix já anunciou: quem digitá-la no campo de buscas encontrará as obras da Marvel presentes no catálogo.

Se hoje Hollywood sobrevive muito graças aos filmes de super-heróis, especialmente os do Marvel Studios, Comic-Cons proliferam-se mundo afora, muito é devido à genialidade de Stan Lee, que deve ter sido recebido, lá do outro lado, por Adam West, Bob Kane, e outros. O céu está em festa. Nós agradecemos seu legado.

André Azenha
Jornalista, crítico de cinema, produtor cultural, assessor de imprensa. Criou o CineZen em 2009. Escreve uma coluna semanal, aos sábados, para o jornal Expresso Popular, colabora semanalmente com a Rádio Santos FM. Escreveu entre 2012 e 2017 para o blog Espaço de Cinema no G1 Santos. Criador e coordenador do Santos Film Fest, CulturalMente Santista - Fórum Cultural de Santos, Nerd Cine Fest. Em 2016 publicou o livro "Histórias: Batman e Superman no Cinema". Já colaborou com sites, revistas e jornais de diversas partes do país. Realizou 102 sessões de um projeto de cinema itinerante, em Santos. Mestrando em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi.

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