Crítica | Bohemian Rhapsody (2018)

A minha lembrança mais antiga da banda Queen talvez seja do final de abril de 1992 (eu tinha 13 anos) quando a TV Bandeirantes passou o especial “Tributo a Freddie Mercury”. Eu que conhecia pouco de música – e até hoje, entendo muito menos do que gostaria sobre o assunto – me encantei com um espetáculo de mais três horas de duração que celebrava a vida, a voz e a música do vocalista, Freddie Mercury (que morrera cinco meses antes).

Depois disso, passei a colecionar LPs, CDs, revistas, pôsteres e tudo o que conseguia sobre a banda. Eu, que nunca me considerei um apreciador de rock n’ roll (no sentido literal da palavra) ficara encantado com aquela voz um tanto diferente no gênero, com um som que me agradava por inteiro. Quando soube que Freddie Mercury ainda tinha ousado gravar um LP de ópera ao lado da cantora soprano espanhola, Montserrat Caballé entendi o porquê de minha fascinação por Freddy Mercury: muito mais do que um músico comum ou um simples rockstar estava ali um artista, muito além do que o público imaginava e muito além de seu tempo.

Mais de 25 anos depois de sua morte (faleceu em novembro de 1991), chega às telonas a cinebiografia de Freddie Mercury e de sua banda, Queen. Mesmo sendo um padrão tradicional nesse estilo de filme, o cineasta Bryan Singer consegue fazer a plateia vibrar com as canções da banda e com a sinceridade em que aborda temas polêmicos sobre o vocalista.

O filme não seria metade do que é se não encontrasse um ator à altura para viver Mercury: é no californiano de grandes olhos e extraordinário talento, Rami Malek (da sensacional série Mr. Robot) que encontra o intérprete à altura. De figura rebelde a alguém que quer mostrar algo mais na música; de marido à amante; de amigo a uma figura egocêntrica, Malek encontra em todas essas características e defeitos do roqueiro, seu lado humano, nunca deixando cair no exagero. Acredite: por mais que ele não se pareça tanto com Freddie (ao contrário do ator que interpreta, Brian May, que é idêntico ao guitarrista), você, por mais de duas horas ficará hipnotizado com ele e se convencerá que ele é mesmo Freddie Mercury.

As cenas musicais são um show à parte, além da apresentação beneficente no Live Aid, realizado em 1985, em prol das pessoas famintas na Etiópia e uma bela cena entre Mercury e seu pai.

Mas é numa cena, passada dentro de um carro e uma frase dita por um personagem coadjuvante que me parece mais atual e triste nesses tempos incertos em que vivemos. É sobre se permitir ser quem se é e sobre ter a aceitação de quem amamos.

Mais do que uma simples cinebiografia, um filme tristemente atual e necessário.

Assista, vibre com a música e se emocione com Bohemian Rhapsody.

Bohemian Rhapsody
2018. Reino Unido, EUA.

Direção: Bryan Singer.
Com Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Allen Leech, Mike Myers.
134 min.


 

Marcelo Reis nasceu no finalzinho dos anos 70, É jornalista por formação, assistente administrativo por ocupação e cinéfilo de coração. Apaixonado por cinema desde os 13 anos (quando uma cirurgia o obrigou a ficar 6 meses de cama), tem um carinho todo especial por musicais, dramas, comédias românticas (‘Harry & Sally – Feitos um para o Outro” é sua favorita), romances e filmes do Woody Allen. Quase sempre, se identifica do lado de cá com algum(a) personagem da telona ou da telinha.

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